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Scorn for the World: Bernard of Cluny's De Contemptu Mundi

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A readable, facing-page format translation of a famous satire on the evils of the world. De Contemptu Mundi was an important influence on subsequent literature, including Umberto Eco's The Name of the Rose.

221 pages, Hardcover

First published January 1, 1140

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Bernard of Cluny

28 books1 follower
Bernard of Cluny (or, of Morlaix) was a 12th century Benedictine monk.

Bernard's family of origin and place of birth are not known for certain. Some Medieval sources list Morlaàs in Béarn as his birthplace. However, in some records from that period he is called Morlanensis, which would indicate that he was a native of Morlaix in Brittany. A writer in the Journal of Theological Studies (1907), VIII, 354-359, contended that he belonged to the family of the seigneurs of Montpellier in Languedoc, and was born at Murles. It is believed that he was at first a monk of Saint-Sauveur d'Aniane and that he entered the monestary of Cluny during the administration Abbot Pons (1109–1122).

Several of Bernard's sermons and a theological treatise, dialogue (Colloquium) on the Trinity remain extant, as does a circa. 1140 poem which he dedicated to the monestary's abbot Peter the Venerable (1122–1156).

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December 7, 2020
Por quê lês esta resenha? Tento imaginar o quê motiva os leitores a chegar ao ponto final toda vez que passo de um parágrafo. Faço-o pois leio assim, pensando se devo ou não abandonar o livro. De contemptu mundi fracassaria para a maior das audiências nessa prova, escrevo esta advogando-lhas uma chance ao livro - ou justificando a minha, não sei.

Obsta-nos à fruição primeiramente o gênero, sátira. Não pense o leitor achar qualquer rastro de Juvenal, Petrônio ou Horácio: falta-lhe a graça, o olhar apurado, a mordacidade tolerante e a urbanidade. Posto que sátira era, dentro da percepção do seu tempo, resta nos hoje obra sui generis - mistura de literatura apocalíptica, crítica social, reflexão sobre a condição humana e reclamações - que, junto a obras de Joaquim de Fiori e Inocêncio III, diz-se literatura de reclamação ou de desprezo ao homem. As diatribes contra todas as classes, mormente ao clero (republicadas inúmeras vezes durante a reforma) e o libelo contra as mulheres podem também ferir algumas sensibilidades modernas.

O primeiro livro abre com um verso poderoso que é o resumo da obra: "hora novissima, tempora pessima sunt: vigilemus". Contrariando o formalismo posterior de muito do renascimento e classicismo, o uso dos loci clássicos e figuras mitológicas, cada verso é eletrizante, condensado de intenção e matéria teológica. A descrição do juízo, céu e inferno também é reveladora: no paraíso não há destruição da terra para coabitação em círculos celestiais como em Dante mas uma reconquista. A regeneração da terra onde não formas platônicas ou seres incorpóreos mas homens santificados vivem. Cristo não apenas como vingador mas redentor do universo. Também nenhuma menção há ao limbo, purgatório, Cérbero, a topografia infernal ou satanás como algoz privilegiado: apenas um catálogo de punições. Tudo solidamente bíblico.
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Pouco deve Bernardo às fontes clássicas(embora fluente leitor fosse) e isso revela, cotejando-o com Inocêncio e Joaquim de Fiore, a particularidade do tempo em que viveu. As grandes sínteses da revelação bíblica e tradição greco-romana se concretizavam no que seria o adubo para a literatura ocidental. Henrich Heine, em retrospectiva, medita nos grandes perigos dessa mistura em um poema. Nele, o narrador sonha ver-se morto num monumento decorado por pinturas e esculturas com temas bíblicos e míticos, profetas e heróis, apóstolos e deuses, patriarcas e musas. No centro da peça surge uma bela rosa que vira uma mulher a carpir o corpo.

Mas ai de mim, sumiu o meu sossego!
Eis que lá fora irrompe com furor
Colérica contenda, um descarrego,
Que varre na algazarra a minha flor.

Que troca de impropérios mais atroz!
No bate-boca que eu aqui me atrevo
Lembrar, discriminava alguma voz
Ou outra - e vinham do baixo-relevo!

Na pedra, assombra a antiga briga hirsuta
De crenças, entre socos e pontapés? -
Agreste, o grito de Pã disputa
A láurea contra a Bíblia de Moisés.

A luta não tem fim, pois, na verdade,
O vero odeia o belo e, mais ou menos,
Sempre estará cindida a humanidade
Em dois partidos - bárbaros e helenos.

Mas como termos de baixo calão
Se esgotam antes do que desatinos,
Zurrou sozinho o burro de Balaão,
Sobrepujando os santos e divinos!

Ó, como dói -i, ó! -i, ó! - o ouvido!
Quase me deixa doido a horrível grei
De ornejos desse bicho empedernido -
Por fim, soltei um grito - e despertei.

Heinrich Heine trd. André Vallias(é o que tenho às mãos, tut mir Leid...)

Comparações entre Bernardo e Joaquim de Fiore são, nesse aspecto, inevitáveis: a metáfora da "Idade de Ouro" surge proeminente no segundo livro. As semelhanças também param por aí: as outras idades não são mencionadas nem a síntese historiográfica da idade do Pai, Filho e Espírito Santo de De Fiore é aventada. Em Bernardo a Idade de ouro só contrasta com os últimos tempos e o reino do Anticristo. Também De contemptu mundi não pode ser exatamente considerada como literatura apocalíptica visto que baseia-se em 1 João 2. Como Spengler observou, a postulação das três eras por Joaquim de Fiore foi a raiz de narrativas históricas revolucionárias que abalariam o mundo. A síntese de Bernardo, para utilizar uma metáfora química, se mostraria mais estável.
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O segundo e o terceiro livros recebem porém maior atenção e são ditos literatura de reclamação. Ocorre me a propósito uma citação de Platão:

Anytus
Sócrates, Tu me pareces muito inclinado a falar mal dos outros. Aconselhar-te-ia a tomar cuidado, caso aceites esse aviso: Talvez em toda parte seja fácil fazer mais mal do que bem a qualquer pessoa; aqui pelo menos é o que se observa todos os dias. Estou certo de que tu também sabes disso.


Sócrates
Menão, quer parecer-me que Ânito se ofendeu, e não é de se admirar: em primeiro lugar ele pensa que eu estou falando mal dessas pessoas; e, ademais, considera-se do seu número. Quando, porém, chegar a compreender o que é falar mal de alguém, deixará de zangar-se comigo; por enquanto, ainda o ignora.

Menão 95a, Platão

A crítica não tem de ser entendida sob as luzes do humanismo renascentista onde Bernardo de Cluny pareceria um misantropo fanático, mandando todos ao inferno. Antes, o gênero mais apropriado ao segundo e terceiro livros seria a homilia. Sob a verdade suprema do juízo final, a trivialidade do mal cotidiano só pode ser condenada e isso certamente não pode ser feito de modo abstrato. Aqui, contudo, enquanto programaticamente condena o vício na sociedade dividida em classes e hierarquias, a crítica é perfunctória ou generalizada e muito dos versos parecem se afrouxar.
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O poder do poema deriva de sua estrutura cuidadosamente planejada e ancorada em 1 João 2, especialmente:

15- Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
16 - Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.
17 - E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
18 - Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora.
19 - Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.
20 - E vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas.



1 João 2:15-20

A ordem, com juízo no começo e homilia contra os pecadores, é oposto a estabelecida, por exemplo, em Inocêncio III. A literatura apocalíptica, objetivando geralmente consolar cristãos oprimidos e advertir incrédulos, incita à perseverança até ao justiçamento final. De contemptu mundi, invertendo a ordem, tem, como no trecho citado, função de santificação e aperfeiçoamento moral: porque sabemos todas as coisas(v.20) e a vontade de Deus permanece para sempre(v.17) que não devemos amar o mundo ou a concupiscência(v. 15, 16).

Por fim, falemos sobre a última hora(v.18): "hora novissima, tempora pessima sunt: vigilemus". É a última hora, os tempos são os mais vis: vigiemos! 1 Jo 2:18 no original, por última hora lê-se: Παιδία, ἐσχάτη ὥρα ἐστίν. Tanto a última hora quanto a vileza do tempo estão inclusos no termo grego ἐσχάτη. O duplo sentido desta palavra está presente tanto em outros textos bíblicos quanto em autores gregos. Não há na mente de João ou de Bernardo muita diferença em dizer-se "é o fim do mundo" ou "vivemos em tempos muito pecaminosos". Nem com isso se nega a iminência da vinda de Cristo e na crença do final dos tempos: no final, o incentivo moral é o de que o cristão deve viver na espera da iminente volta de Jesus.

Uma mensagem que é válida no primeiro século, no século XII, na reforma protestante e nos dias de hoje.
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