A Resistência dos Vaga-lumes é uma antologia que, da prosa à poesia, traz toda a força e a diversidade da literatura brasileira atual. Ao todo, são 61 nomes a representar todas as letras da sigla LGBTQ. Entre eles, constam João Silvério Trevisan (que inspirou o tema da antologia), Myriam Campello, Jean Wyllys, Amara Moira, Cidinha da Silva, Raphael Montes, Natalia Polesso e Marcelino Freire; além dos organizadores da antologia: Cristina Judar e Alexandre Rabelo.
Tristes são os tempos em que precisam os usar palavras como RESISTIR e piores ainda quando somos taxados de vitimistas por usar essa e outras palavras que deveriam jamais ter uso de tão longe que vamos no tempo.
Mas o tempo segue só uma direção e as gentes, outra, seguem direções tortas guiadas por messias e profetas de ocasião que vomitam palavras certas em ouvidos gagos e aí, quem não ouve ou ouve e questiona porque não concorda com o discurso ou usa a palavra mais temida pelos acólitos, PORQUE, acaba sendo apontado como inimigo, opositor, joga contra e agente do caos.
Então, uma antologia como essa é precisa e necessária justamente PORQUE estamos vivendo tempos de escrutínio torto de pessoas mais tortas ainda. Entre contos, crônicas e poemas se desenha uma roupagem linda de cores e formas, de corpos e amores, de dramas e fatos, de fotos e tintas, de dores e sabores, de luzes e trevas.
Não vou aqui destrinchar cada um dos textos que a compõe, seria injusto para com todos os autorxs que participam da antologia mas, direi isso: nunca vi uma quantidade tão excepcional de textos num lugar só, de talentos tão foda num livro só, de gentes tão dedicadas e unidas para um propósito e de artistas que não temem bater no teclado e teclas e peito e dizer que ESTAMOS AQUI, NÃO VAMOS EMBORA E VAMOS RESISTIR!
Dizem por aí que os pirilampos estão para se extinguir, vítimas do avanço da sociedade humana, pode ser que estejam mesmo mas, com esta antologia, ganharam aí mais um fôlego para seguir brilhando e mostrando o caminho.