Jump to ratings and reviews
Rate this book

Fui ao Mar Buscar Laranjas

Rate this book
Nesta obra reúnem-se não só as obras publicadas em vida pelo autor, como também um conjunto importante de dispersos e o livro inédito Ossos na Areia, que se encontra no seu espólio. Todo o trabalho de recolha e edição foi levado a cabo por Urbano Bettencourt, cuja sensibilidade e conhecimento são unanimemente reconhecidos. O livro agora publicado inaugura uma nova coleção deste Instituto, a Coleção Poesia, que visa dar a conhecer relevantes poetas açorianos cuja obra não tem merecido o devido destaque.

Pedro da Silveira (1922-2003) foi agricultor, escriturário, delegado de informação médica, historiador, tradutor e bibliotecário. Nasceu no ponto mais ocidental da Europa, na ilha das Flores. Publicou quatro livros de poesia: A Ilha e o Mundo (1952), Sinais de Oeste (1962), Corografias (1985) e Poemas Ausentes (1999).
Poeta rigoroso e erudito, que esteve na origem da Enciclopédia Açoriana, morreu sem ter visto concluída a publicação da sua obra poética, Fui Ao Mar Buscar Laranjas, de que apenas saiu o 1.º volume, em 1999.

O Instituto Açoriano de Cultura reuniu dispersos e foi ao espólio buscar o livro inédito e pronto para publicação Ossos na Areia, num trabalho de edição coordenado por Urbano Bettencourt.

O livro que agora se publica inaugura a nova coleção deste Instituto dedicada à poesia açoriana. Modo de prestar homenagem a um açoriano cosmopolita, que passou pelo anarco-sindicalismo, tinha um profundo conhecimento da literatura portuguesa e de outras partes do mundo e parecia ter caído no luso esquecimento.

Natural da freguesia da Fajã Grande, ilha das Flores, onde nasceu em 5 de setembro de 1922, Pedro Laureano de Mendonça da Silveira faleceu aos 80 anos, em Lisboa, a 13 de Abril. Concluída a instrução primária na escola da terra que lhe serviu de berço, frequentou durante um ano o Seminário de Angra do Heroísmo. Completou os estudos liceais naquela cidade e em Ponta Delgada, onde iniciou a sua participação na vida literária. Fixou-se definitivamente em Lisboa no ano de 1951.

Deixou colaboração vasta e dispersa por jornais e revistas como “O Comércio do Porto”, “O Primeiro de Janeiro”, “Vértice”, “O Diabo”, “Seara Nova”, “Colóquio-Letras” e ainda no “Diário dos Açores”, no jornal “O Monchique” e na “Revista Municipal das Lajes das Flores”, bem como alguns estudos sobre a história e o folclore dos Açores, em publicações da especialidade.

Dedicou especial atenção à sua ilha natal, como o comprova a publicação de Para a história do povoamento das Ilhas das Flores e do Corvo: com três documentos inéditos (1960), Materiais para um romanceiro da Ilha das Flores (1961), Catorze trovas e um conto recolhidos na Ilha das Flores (1986) e Das tradições na Ilha das Flores (1987).

423 pages, Paperback

First published July 1, 2019

13 people want to read

About the author

Pedro da Silveira

31 books2 followers
Nasceu na Fajã Grande, ilha das Flores, no dia 5 de Setembro de 1922 e faleceu em Lisboa no dia 13 de Abril de 2003. Fica-lhe bem o epíteto de o mais ocidental poeta europeu, por ter nascido no ponto em que a Europa e a América mais se aproximam uma da outra. Talvez esse facto e a existência de uma forte tradição migratória na família (ele próprio possuía passaporte americano) ajudem a explicar a inquietação e a errância intelectual deste homem, poeta, investigador histórico e literário, tradutor, etnógrafo. Nos anos 40 do século XX, na cidade de Ponta Delgada, transformou o jornal A Ilha num pólo aglutinador de jovens intelectuais; neste jornal divulgou a moderna literatura cabo-verdiana (revista Claridade, de 1936), cujos autores também nele colaboraram. O seu primeiro livro de poemas atestaria de forma irrecusável esse contacto com os poetas cabo-verdianos e também com um poeta brasileiro como Manuel Bandeira. De resto, a poesia de Pedro da Silveira soube sempre assinalar uma forte vinculação ao chão açoriano, ao mesmo tempo que se desdobrava num constante e profícuo diálogo com «as ilhas todas do mundo», em termos culturais e poéticos. Em 1951, Pedro da Silveira fixou residência em Lisboa, tendo exercido aí várias actividades e reformando-se em 1992 como director de serviços da Biblioteca Nacional. Redactor da revista Seara Nova até 1974, deixou colaboração dispersa pela imprensa nacional e estrangeira, do Brasil ao México, de Cabo Verde a Moçambique. A sua Antologia de Poesia Açoriana ? do século XVII a 1975 (Lisboa, Sá da Costa, 1977) reúne um precioso manancial de informação histórica e biobibliográfica; o extenso verbete «Açores» no Grande Dicionário de Literatura Portuguesa e de Teoria Literária, de João José Cochofel, constitui uma excelente amostra do que viria a ser a História da Literatura Açoriana, que andava a preparar quando faleceu. Pedro da Silveira foi ainda um atento pesquisador literário e etnográfico, como o reconhece o investigador Gerald Moser e o atestam as numerosas recolhas de exemplares da oratura que efectuou e de que deu conta em publicações avulsas. Deve-se a Pedro da Silveira a reedição de Almas Cativas (Lisboa, Ática, 1973), de outro grande poeta açoriano, o simbolista Roberto de Mesquita, cuja lição de enraizamento poético não deixa de repercutir em Silveira, embora já em diferentes modulações expressivas e estéticas, que passam, entre outras coisas, pela utilização de processos discursivos da oralidade: a transposição da fala popular, o tom narrativizante de alguns poemas e de algumas sequências poéticas que muito devem à tradição narrativa popular. Urbano Bettencourt

Obras:

Poesia:

(1952), A Ilha e o Mundo. Lisboa, Centro Bibliográfico.
(1962), Sinais de Oeste. Lisboa, Ed. do autor. (1985), Corografias. Lisboa, Perspectivas & Realidades.
(1999), Poemas Ausentes. Santarém, O Mirante.

A sua obra completa começou a ser publicada pela Direcção Regional da Cultura, sob o título de Fui ao mar buscar laranjas, de que saiu apenas o 1.º volume (Angra do Heroísmo, 1999).

Diversos:
(1986), Mesa de Amigos, Angra do Heroísmo, Direcção Regional dos Assuntos Culturais. (2.ª ed., Lisboa, 2002), traduções de poesia feitas ao longo de mais de trinta anos;
(s.d.), 43 Médicos Poetas (antologia). Porto, Laboratório Normal.
(1999); Antologia Poética, de Joaquim Fortunato de Valadares Gamboa. Santarém, Ed. O Mirante.

Bibliografia:

Fagundes, F. C. (1999), A Visão da Outra Margem: A emigração em A Ilha e o Mundo de Pedro da Silveira, in Gávea-Brown, Providence, Department of Portuguese and Brazilian Studies, Brown University, Dec., XIX-XX.
Sousa, J. R. (2000), Pedro da Silveira: um viajar no tempo e nas palavras, in Atlântida, Angra do Heroísmo, XLV.
Bettencourt, U. (2003), Pedro da Silveira- a escrita e o mundo, in Ilhas conforme as circunstâncias. Lisboa, Edições Salamandra.

In Enciclopédia Açoriana

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
3 (75%)
4 stars
1 (25%)
3 stars
0 (0%)
2 stars
0 (0%)
1 star
0 (0%)
No one has reviewed this book yet.