Um livro pode ser um oásis, um paraíso idílico que te leva a outros ares e mares, locais nunca dantes visitados e, na volta, enchem sua alma com algo mais para tocar a vida.
Também pode ser um deserto, árido, seco, morto, não-vivo, de onde se sai não com algo mas faltando, ele te cobra por isso, esvazia sua alma, a seca ao sol e você volta para a vida um pouco com certo amargor no fundo da mente.
Este aqui é o segundo caso.
Kucinski escreveu um livro cru, estéril, bruto, cheio de pedras, sem sentimentos. A jornada do pai que tenta intuir a falha na vida do filho é despida de emoções baratas, ela as molda na tentativa de entender, seja através de estudar a causa do mal que aflige seu filho ou de perscrutar sua intimidade na busca de razões que possam emprestar sentido ou culpa pelo que aconteceu.
Não há respostas, apenas mais questionamentos, se há amor ele é morno, indeciso, cansado, ilusório, põe-se em cheque o que é paternidade deixando a maternidade em segundo plano.
Não é a visão da mãe que, em tese, deveria ser abnegada e incondicional, talvez o seja e ele não saiba como lidar com isso e tenta então racionalizar o que não consegue entender ou sentir.
O livro é seco, curto, aridez inerente a quem já deu tudo de si e não tem mais nada a oferece a não ser tempo.
Tempo que para todos nos só pode ser julgado no pretérito imperfeito.