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The Past is an Imperfect Tense

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The adoption of a baby by a couple unable to have children is the point of departure for The Past is an Imperfect Tense, in which B. Kucinski tells the story of a father-son relationship that begins intense and loving and ends up in pieces. The decline begins in the boy's adolescence as he becomes involved with marijuana, amphetamines and crack, a process described by the narrator as "a frenzied pursuit of an artificial paradise." Three factors come together in the story of the boy's life: adoption, drug addiction and racism. The father - who is also the narrator - asks himself, "Would it have been possible at any point to alter the course of this story? Or was it all destined to be?" While Kucinski's treatment of the story is meticulous and subtle, he writes in a terse style that pulls no punches. The result is a poignant text that confirms Kucinski's place as one of the most outstanding writers of today. B. Kucinski has received Brazil's Jabuti Award on two occasions and was awarded the Brazilian National Library Literary Prize in 2014 for the best short story collection (Voc� Vai Voltar Pra Mim). He was also a finalist for the International Literature Award in 2014 and was shortlisted for the International IMPAC Dublin Literary Award for the English version of his novel K in 2015.

140 pages, Hardcover

Published February 17, 2020

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Bernardo Kucinski

32 books36 followers

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Alexandre Willer.
Author 4 books18 followers
August 15, 2018
Um livro pode ser um oásis, um paraíso idílico que te leva a outros ares e mares, locais nunca dantes visitados e, na volta, enchem sua alma com algo mais para tocar a vida.

Também pode ser um deserto, árido, seco, morto, não-vivo, de onde se sai não com algo mas faltando, ele te cobra por isso, esvazia sua alma, a seca ao sol e você volta para a vida um pouco com certo amargor no fundo da mente.

Este aqui é o segundo caso.

Kucinski escreveu um livro cru, estéril, bruto, cheio de pedras, sem sentimentos. A jornada do pai que tenta intuir a falha na vida do filho é despida de emoções baratas, ela as molda na tentativa de entender, seja através de estudar a causa do mal que aflige seu filho ou de perscrutar sua intimidade na busca de razões que possam emprestar sentido ou culpa pelo que aconteceu.

Não há respostas, apenas mais questionamentos, se há amor ele é morno, indeciso, cansado, ilusório, põe-se em cheque o que é paternidade deixando a maternidade em segundo plano.

Não é a visão da mãe que, em tese, deveria ser abnegada e incondicional, talvez o seja e ele não saiba como lidar com isso e tenta então racionalizar o que não consegue entender ou sentir.

O livro é seco, curto, aridez inerente a quem já deu tudo de si e não tem mais nada a oferece a não ser tempo.

Tempo que para todos nos só pode ser julgado no pretérito imperfeito.
Profile Image for Roberto Fruchtengarten.
150 reviews
May 8, 2022
Livro que tem assunto pra 500 páginas e o autor resolveu tirar todo o "enchimento" e escrever um livro curto e intenso do começo ao fim. Adoçao, paternidade, drogas e racismo sao temas que podem facilmente cair no lugar comum, mas, fugindo da maioria, aqui nao tem mocinho ou bandido. Os personagens sao reais e sem exageros e o andamento do relato é plausivel e imagino que bem comum na vida real. Ótima leitura!
Profile Image for Jairo Fruchtengarten.
385 reviews9 followers
August 12, 2022
Bernardo Kucinski é um jornalista e cientista político, que já ganhou um Prêmio Jabuti mesmo ingressando tardiamente na carreira de escritor, e “Pretérito Imperfeito” é a primeira obra que leio desse autor.

Aqui acompanhamos o sofrimento de um pai com o vício de seu filho adotivo. Uma relação de amor e dedicação integral ao garoto que chega em sua casa com vários problemas de saúde, e que se transforma numa enorme decepção com os rumos que a vida dele toma.

Mas afinal, por que a adoção tem que ter sempre um final feliz? Por que o amor dos pais deve ser incondicional?

Mais que somente discutir o racismo e a dependência química, o autor se propõe a questionar certos dogmas de nossa sociedade com uma escrita lancinante. A cada capítulo, um soco no estômago. Sentimos na pele a dor desse pai que não consegue mais lidar com o filho adotivo viciado e, numa atitude extrema, resolve abandoná-lo, cortando relações com ele, escrevendo uma carta dura de despedida. Acho que não vale a pena entrar em detalhes dessa relação pai e filho que se desgasta com o tempo, já que o livro é curto (perto de 150 páginas) e cada episódio do agravamento do vício do filho pretende dar lastro à controversa atitude do pai.

Você abandonaria um filho? Vale demais a pena ler esse livro e se juntar a essa reflexão.

Avaliação Final: 9,0/10
Leitura Concluída: 27º livro de 2022
Próxima Leitura: “A Força” (Don Winslow)
Profile Image for Danilo Weiner.
292 reviews8 followers
November 13, 2022
Desses livros enxutos, com capítulos curtos e, de certa forma previsíveis (o livro tem formato de diário e o autor antecipa o final no começo), que vão causando um grande impacto emocional conforme você avança. Talvez o grande mérito seja justamente a escolha de um estilo mais direto, sem firulas, que perfazem a vida do pai (narrador) e sua relação conflituosa com o filho até seus completar 37 anos (o livro para por aí). A figura da esposa é colocada quase sempre em segundo plano.

Outro ponto que enriquece muito a leitura são as referências a psicológos, escritores, filósofos, médicos e outros profissionais que trazem teorias para explicar possíveis lacunas na compreensão que o pai tem de toda a situação. Gostei particularmente da referência aos paraísos artificiais de Baudelaire que vai e volta ao longo da narrativa.

Para quem é pai, a leitura fica ainda mais angustiante e torna mais difícil ainda você ficar indiferente aos seus desdobramentos...
Profile Image for Dario Andrade.
807 reviews27 followers
August 20, 2018
O Bernardo Kucinski é um caso raro. Um escritor que começa a sua obra depois dos 70 anos. É claro que ele já tinha uma vida anterior como jornalista. Foi também assessor da presidência da república entre 2003 e 2005 e teve uma longa carreira de professor universitário.
Parece que ao encerrar essas atividades anteriores, a ficção foi uma porta que se abriu para ele.
O livro é verdadeiramente surpreendente. Não sei se a obra dele vai sobreviver ou se será lida daqui a vinte ou trinta ou quarenta anos, mas sem dúvida ela tem energia impressionante. E impressiona pela crueza e pela dureza do que é dito, mesmo que em alguns momentos algumas coisas soem mais jornalísticas do que literárias.
Imagino – pelo que li em entrevistas do autor – que há uma dose razoável de experiência pessoal no livro. Não sei, porém, em que medida o livro poderia ser descrito como autoficção, coisa tão em moda na literatura brasileira dos dias de hoje.
É a experiência em primeira pessoa de um pai já idoso e seu filho único adotado. A esposa surge em alguns momentos, mas o verdadeiro protagonista é o pai. O garoto, tão diferente dos pais, se envolve progressivamente com as drogas, se afundando em um poço aparentemente sem fundo. O livro se inicia com uma carta do pai para o filho já bastante adulto, uma espécie de “divórcio”. A partir desse começo pelo fim, o narrador volta ao passado, desde o processo de adoção – à brasileira – até os eventos mais recentes.
Como disse, não sei se sobreviverá como literatura, mas é um relato interessante de quem vive próximo de viciado. Se temos muitas histórias de usuários, temos poucas de quem sofre e é vítima por estar ao lado, sem poder fazer muita coisa.
Profile Image for Alysson Oliveira.
407 reviews48 followers
December 12, 2019
Em Pretérito imperfeito, B. Kucinski prepara uma nova porrada a cada capítulo. A história do pai lidando com a dependência química do filho adotivo evita todas as armadilhas em que poderia cair: (falso) moralismo, sentimentalismo exacerbado, romantização da dependência, martirização, entre outras coisas. É um livro duro, quase seco, mas repleto de generosidade e humanidade grandes.

Como em K. (do qual gosto mais), o autor escreve numa primeira pessoa confessional, que faz parecer que está aqui do nosso lado, contando diretamente o que aconteceu. Nos dois livros, uma fricção com a realidade histórica do país e pessoal do autor (acredito que mais em K. do que aqui) mediada pelo questionamento de o que é ser pai diante das adversidades. Não é uma resposta fácil, nem simples. É isso que traz a nuance à narrativa – não há tons sólidos na vida, tudo é um tanto degrade. Kucinski investiga a dimensão da família no momento de hoje. Qual o papel dessa célula na sociedade? É possível proteger um filho do mundo? Ou, pior, de si mesmo? É uma luta vã, o protagonista aprende a duras penas. E é nesse percurso que o autor joga uma luz sobre o mundo em que vivemos.
Profile Image for Larissa Granato.
613 reviews38 followers
August 1, 2019
Parece que eu teria que ler mais dez vezes, além de entrar em algum tipo de discussão, pra conseguir entender todos os aspectos e pontos de vista nesse livro. Me chamou muito a atenção o narrador perguntar "pra que serve um filho desses"; só no único parágrafo onde ele desenvolve essa ideia já existe tanto pra ser pensado não apenas sobre pais, filhos e os relacionamentos entre eles mas também sobre propósito em geral, além da humanidade de cada um e os critérios pelos quais julgamos essa humanidade em nós mesmos ou nos outros.
5 reviews
January 27, 2026
procurei esse livro quase como uma súplica desesperada. Precisava compartilhar com alguem (ou com algo) que entendesse dessa história tão infelizmente comum que é ter um parente adicto. No caso do livro, é um filho, no meu caso, um irmão. Não é um livro fácil de ler, pela crueza na descrição de um pai ao próprio filho e foi mais dificil pra mim, pela semelhança, das atitudes e trajetória, que o personagem tem com meu irmão. Parece até um padrão. Espero que, se for um padrão, aconteça o mesmo com o meu irmão no fim.
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