O romance O Suicida Feliz é um caleidoscópio de vidas anônimas. Um redator de programa humorístico que perde o riso, um cabeleireiro perdido em verdades e símbolos, uma mãe com depressão pós-parto, uma recém-nascida com síndrome de down, uma diretora de programação acostumada às imagens e um corpo obscuro abandonado no asfalto logo no primeiro capítulo.
Angústias individuais perdidas nos bastidores das sociedades globalizadas. Representações sombreadas da vida em cortes televisivos. Cavernas, estradas, aquários... Ações e omissões que fazem da vida um espetáculo da banalização e do esquecimento. Tesouras, palavras... Uma crítica profunda ao meio de comunicação que torna inviável a comunicação dos seres, a revelação dos sentimentos, dos anseios e dos medos.
As pessoas pensam em suicídio como algo "ooohhhh, não faça isso com a sua vida", mas o autor realmente conseguiu dar uma conotação nada dramática ao assunto, mesmo que, em determinadas passagens, tenha discorrido sobre alguns problemas da vida de maneira bem descritiva e carregada de emoções.