A l'origine d'une grande famille, d'une de ces dynasties bourgeoises qui voit se perpétuer la satisfaction des belles réussites, il y a toujours quelqu'un qui a posé la première pierre de l'édifice. quand c'est un enfant perdu arraché à la tourmente des guerres napoléoniennes et qu'au lieu de bâtir c'est de planter qu'il s'agit, et de planter de la vigne au Portugal, voilà mis en place tous les éléments d'un roman. Car l'enfant perdu a repris des racines dans la vallée du Douro, lieu privilégié où les vignobles ondulent jusqu'au fleuve et qui donnent naissance à un grand vin, le porto. C'est lui, le premier des Castro Avilez, dont l'histoire pendant plus d'un siècle va se confondre avec celle du Portugal. Famille nombreuse et attachante que le lecteur accompagnera sur plusieurs générations. On a en effet le temps de voir Lydia, la jeune fille resplendissante du bal Second Empire, devenir l'aïeule toute-puissante, et son fils cadet, le timide Ramiro, se changer en patriarche écouté et redouté. A chaque âge, le coeur bat pour des amours heureuses ou contrariées, joies et deuils se succèdent, et les récoltes se suivent sans se ressembler, mais toujours la sève monte sur les ceps du beau domaine d'Ervamoïra.
Suzanne Chantal est une journaliste et romancière française, née Suzanne Yvonne Marie Beaujoin à Paris en 1908 et décédée en 1994.
Elle a été critique de cinéma, rédactrice en chef de Cinémonde jusqu'en 1934, et a travaillé pour Gaston Gallimard à la rédaction de l'hebdomadaire littéraire Marianne2 entre 1937 et 1939.
Mariée en 1949 avec le journaliste portugais José Augusto (dos Santos), qui fut correspondant de plusieurs quotidiens et radios portugais, elle a aussi signé des textes sous les noms Suzanne Dos Santos, Suzanne Grace ou encore Michel Gérac (anagramme de Grace, probablement avec son mari).
Tenho este livro há alguns anos mas, como acontece frequentemente (pelo menos comigo...), ficou na prateleira à espera duma oportunidade para me saltar para as mãos. Por alguma razão obscura, acabou por ser agora. Mal eu sabia o que estava a perder!...
Este livro conta a história de várias gerações duma família ligada à produção de vinho do Porto, duma forma que me envolveu completamente. São mais de 600 páginas, com uma mancha de texto densa, mas lê-se que é uma maravilha.
Desde as descrições (dos ambientes, das paisagens, das casas) às personagens (muitas e todas bem caracterizadas), é tudo bom. O Porto e o Douro são elementos preponderantes na narrativa e por vezes roubam o protagonismo.
Só lhe retiro meia estrela por causa dos capítulos contados na primeira pessoa, que aparecem na segunda metade do livro e que me desconcertaram um pouco, porque não vi a necessidade de alterar a forma de contar a história, através de um narrador omnisciente.
Que pecado encontro no livro? Soube-me a pouco. Escrito nos dias de hoje, um livro de várias gerações, com mais de um século, daria mais que um livro. Será que os escritores de antigamente temiam alongar-se, maçar ou impor demasiada literatura e então continham-se? Ou os de hoje são mais olhos que barriga e na ganância prolongam em demasia o culminar das suas histórias?
Havia pano para mangas… as vezes que fiquei sentida com os saltos temporais, e lá iam mais 10/20 anos de uma estopada só, e se resumia numa frase ou duas o tempo decorrido.
Deparei-me, não com uma ou duas personagens marcantes, carismáticas, memoráveis. Foi antes um desfile de várias pessoas enriquecedoras, interessantes que faziam parte de um todo e cada uma com as suas próprias histórias.
E o meu querido Porto, meu berço, minha casa, minha nação!
E o Douro espirituoso:
“É a paisagem mais esmagadora e repetitiva: um amontoado de encostas riscadas pelos dentes de um pente. É também a mais grandiosa e a mais exaltante ...”
“Esta terra laminada, seca, de uma aridez escaldante!... A vinha exige a rocha mais dura e, onde se instala, só há lugar para ela. Nem um tufo de erva, nem uma florzinha das cepas. Pergunto-me como é que os homens conseguiram ser tão visionários, tão tenazes e tão corajosos para perseverarem nestas ravinas onde se congela no Inverno e se coze no Verão, e onde parece que a pedra é imprópria para qualquer cultura. Foi preciso parti-la a martelo, construir socalcos, consolidá-los com muretes e todo este trabalho não amaciou a rocha… A vinha continua ingrata e avarenta. É o solo mais escabroso que dá a melhor uva, e a uva mais avarenta dá o melhor vinho. A vinha detesta as terras ricas e férteis, a doçura e a facilidade. Precisa do vulcão, do xisto ardente; precisa da solidão do silêncio, desta intensidade que por vezes faz vibrar o vale… Aqui, sentimos realmente que se realizou uma obra misteriosa através de um pacto secreto entre a terra e o céu. O homem está no meio, com as suas duas mãos, as suas ferramentas ridículas. É ele que faz brotar o sangue da terra.”
“O Douro exige de tudo e de todos o máximo esforço. Dizia-se que ali nada se cria a não ser sofrimento… Mas precisamente, este esforço desmedido, o calor desumano que caía do céu como chumbo derretido, o sumo espesso dos frutos esmagados que inebriavam as abelhas, tudo isto fervilhava no vale que se abria como uma taça.”
É impressionante o conhecimento e a profundidade com que a autora descreve as gentes, as terras, o cultivo e o culto do vinho. Como narra um trabalho que é sobejamente exigente, duro, arriscado onde lutavam contra a terra, o céu, a água e as pragas versus a tenacidade dos homens e mulheres do Norte.
Há muito que não lia um livro histórico passado em Portugal. E há muito que não lia um romance de que gostasse tanto dentro deste género, direccionado para terras lusitanas. Como a sinopse nos elucida, acompanhamos a história de uma família ao longo de cerca de 100 anos, iniciando-se a narrativa com um Leonardo inocente e perdido no meio do terror da invasão do Porto por tropas francesas, até caminharmos para o séc. XX, onde a sexta geração se depara com a evolução dos tempos e o desapego a uma história há muito passada. O Porto, e a região do Douro em si, que tenho a infelicidade de não conhecer, apelam-nos aos sentidos e à memória fotográfica não vivida, com a transcrição de quadros fidedignos sem que sejam muito descritivos ou maçudos.
A riqueza e intensidade das personagens, e as suas relações entre-cruzadas, explorando os amores e paixões (tanto pelas diferentes pessoas com que se vão cruzando como pelas terras e vindimas que fazem escorrer a fonte de riqueza de uma família) traz-nos uma malha de histórias fortes e demarcadas umas das outras. Em algumas alturas, despertam-nos o interesse para saber sobre si mais do que nos é apresentado. A transposição entre capítulos, que por vezes fez decorrer intervalos de quase vinte anos entre si não se revelou abrupta, sendo seguida de uma transposição harmónica que nos deixa com saudades da juventude daqueles que nos iam acompanhando, mas com curiosidade para descobrir os próximos. A escrita é sonante, simples mas confortante e arrebatadora quando necessário. A meu ver, e sem revelar muito o conteúdo do enredo, os últimos dois anos da história foram aqueles aos quais me senti menos apegada, dado que que o seguimento da narrativa se afasta das personagens iniciais, da ligação à herdade de bonito nome redondo de Ervamoira e nos conduz para uma história diferente, para um século diferente e para personagens que não acompanham o processo de construção desde o início, como o autor. No fundo no fundo, compadeço-me da mágoa de Ramiro, neto de Leonardo e tio-bisavô das últimas personagens que relembra o passado não como algo morto, mas como berço de um sonho que pode e deve continuar a ser reconstruído. Recomendo para quem, como eu, gosta de histórias. De vida, de sonhos e de possibilidades. E que acima de tudo, gosta de romances históricos. É um livro desconhecido do público em geral mas que merece atenção.
Este é um livro para cuja leitura parti sem grandes expectativas e que me surpreendeu imenso, deixando-me totalmente rendida ao seu encanto. Conta a história da família Castro Avilez, de geração em geração, desde o início do século XIX até à década de 60 do século XX. A par das conquistas, amores e tristezas desta família, narra diversas realidades da História de Portugal, nomeadamente da cidade do Porto e do Vale do Douro, como as invasões napoleónicas, a tragédia da ponte das barcas e o clima de guerra civil entre liberais e miguelistas.
As partes de contextualização histórica e social estão muito interessantes, sobretudo aquelas em que se fala das vindimas e de toda a mecânica inerente à produção do Vinho do Porto. O fascínio com que a autora fala acerca da região do Vale do Douro, das vindimas e deste vinho é deveras contagiante. De tal modo, que foi impossível não os considerar um assunto maravilhoso, tal a paixão por eles que a autora consegue transmitir. O romance em si também é muito bonito, recheado de personagens inesquecíveis. Em muitos romances existe uma ou outra personagem marcante, que fica mais tempo na nossa memória, mas neste livro são várias as personagens com essas características. Enfim, adorei e recomendo absolutamente.
Muito aconselhável a quem gosta de romances históricos, da história de Portugal, em geral, e do Porto e Douro em particular. A quem gosta de ler uma ode às pessoas que fizeram a epopeia do vinho do Porto, anda para mais narrada admiravelmente por uma francesa. Ao ler, dei por mim a pensar, por varias vezes, que este é um "cem anos de solidão" (livro do qual gostei muito!) - versão Douro, sem querer estar a cometer nenhum sacrilégio ou ofender os discípulos dos Garcia Marquez.
Une épopée magique et transcendante sans une seule touche de magie. L'autrice nous emmène au fil des siècles dans la vallée du Douro et nous fait rire et pleurer au rythme des millésimes de cette famille de vignerons. Magistral.
Finalmente terminou! Começou, digamos assim... chatinho. Depois desenvolveu bem e volta a ficar aborrecido no final. No meio uma história interessante mas que se tem a sensação de que não necessitava de ser tão comprida. Um final inesperado.