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Paisagem com mulher e mar ao fundo

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Landschap met vrouw en zee speelt zich af in Portugal, tijdens de dictatuur van Oliveira Salazar.
Hortense, de hoofdpersoon van deze roman, is een weduwe die de dood van haar man eigenlijk nog niet verwerkt heeft wanneer ze het bericht krijgt dat haar zoon in de koloniale oorlog is omgekomen. Met op de achtergrond de politieke bewustwording van het land, nemen we kennis van de indringende levenservaring van deze vrouw. Hortenses leven weerspiegelt zich in de constante veranderlijkheid van de zee; vredig, wreed en onvoorspelbaar als de toekomst van het kind van haar gestorven zoon...

Teolinda Gersao, geboren in 1940 in Coimbra (Portugal), studeerde Duits, Engels en Latijn in Coimbra Tübingen en Berlijn. Momenteel woont ze in Lissabon waar ze Duits en Literatuurwetenschap studeert. In Portugal zijn haar boeken, met name Landschap met vrouw en zee, een groot succes.

200 pages, Paperback

First published January 1, 1982

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About the author

Teolinda Gersão

47 books82 followers
TEOLINDA GERSÃO nasceu em 1940, em Coimbra. Licenciada em Filologia Germânica e Doutorada em Literatura Alemã, com a tese Alfred Döblin: indíviduo e natureza (1976), pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi Assistente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Professora Catedrática da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa e Leitora de Português na Universidade de Berlim.
Autora de vários trabalhos de crítica literária, recebeu duas vezes o prémio de ficção PEN Clube, atribuído ao seu livro de estreia, O Silêncio, em 1981, e ao romance O Cavalo de Sol, em 1989. Foi também galardoada com o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores em 1995 e, na Roménia, com o Prémio de Teatro Marele do Festival de Bucareste (adaptação da obra ao teatro) com o romance A Casa da Cabeça de Cavalo. Em maio de 2003, o seu livro Histórias de Ver e Andar foi galardoado com o Grande Prémio do Conto 2002 Camilo Castelo Branco, da Associação Portuguesa de Escritores. À edição inglesa de A árvore das palavras (The Word Tree, Dedalus, 2010) foi atribuído o Prémio de Tradução 2012.
A ficção de Teolinda Gersão desenvolve, na escrita contemporânea, uma poética romanesca original, abrindo a narração, a que o respeito pelas categorias de espaço, tempo, personagens, intriga confere certa verosimilhança, a uma irradiação de sentidos que decorre de um metaforismo assumido de forma estrutural pela narrativa. Não que as personagens e as suas relações, os temas ou os seres se reduzam a um carácter alegórico: o que ressalta é que por detrás da "história" estão em conflito pulsões humanas universais, frequentemente centradas sobre a dinâmica dos opostos (homem/mulher, caos/cosmos, racionalidade/loucura, entre outros). A ilusão da transparência, obtida por uma ordem sintagmática nítida, pela simplicidade da frase, despojada de tudo o que é acessório, pela redução do número de personagens, pela simplificação da ação, confere, então, às suas narrativas o estatuto de uma escrita mítica, cujo objetivo não é a representação, mas o conhecimento. Ao mesmo tempo, cada uma das suas narrativas, desenvolvendo até à exaustão algumas metáforas centrais (o cavalo, o teclado, etc.), desfibra todo o tipo de alienação social e mental subjacente à rutura dos princípios de harmonia invisível e de unidade íntima do homem com o universo. Como a pianista (e a romancista) de Os Teclados, Teolinda Gersão, diante de um "mundo fragmentário" e "indiferente", onde "as pessoas não formavam comunidades e só havia valores de troca", um "mundo vazio", persiste em tentar desvendar enigmas, como se a escrita e a exigência de rigor fossem "a transcendência que restava": "Aceitar o nada, o mundo vazio. E apesar disso, pensou levantando-se e sentando-se no banco - apesar disso sentar-se e tocar."

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Displaying 1 - 11 of 11 reviews
Profile Image for Sofia.
1,042 reviews127 followers
August 4, 2020
"Tinha havido tempo em que as palavras eram as casas das coisas, e quando se transpunha a porta das palavras as coisas estavam lá, sossegadas e familiares, guardadas e disponíveis, prontas para usar de novo. Mas agora as coisas tinham partido de dentro das palavras, e quando ela empurrava a sua porta as palavras eram casas vazias, e ela não saberia mais o lugar de coisa alguma. A terra era um espaço deserto e silencioso, de onde todas as coisas se tinham ausentado."

Tenho muito a dizer sobre este livro, mas sinto que tudo o que eu escrever não estará à altura. Apenas isto: quando um livro é bom, um livro é bom e nada do que digamos poderá alterar isso.

4,5*
Profile Image for João Barradas.
275 reviews31 followers
December 23, 2021
O mar, essa imensidão de água, cruzada pelas caravelas portuguesas; o ultramar, essa vastidão de penumbra, comandada pelos ditames narcisistas. Descendente de um estado primitivo, também o Homem habita numa bolha de soalheiro humor, antes de pisar o solo latejante, em constante erosão pelos fluidos que o fustigam. Mas a terra, mãe da Natureza, progride na sua conquista e, livre, atinge as mais vastas alturas, o mais abissal fundo oceânico.

Vegetando entre esses elementos em constante fustigação, vislumbra-se um país - “à beira-mar plantado”, dizem. Nele, subsiste um regime opressivo, que se apodera dos seus cidadãos, tratando-os como peões de um xadrez de interesses. Em jogadas de ambição, vão sucumbindo, um por um, formando um rio de rubro sangue, o qual é afluente de um outro: o do choro das rainhas perdidas, que isoladas nesse tabuleiro fragmentado, ficam vulneráveis, desamparadas, à mercê dos interesses alheios. Ainda assim, não se deixam abalar e, arregaçando as mangas, impõem um xeque ao Rei.

Esta segunda experiência com a autora foi, no mínimo, surpreendente. Após um livro mais corriqueiro, este coloca sal numa ferida que ainda não sarou (nem sarará!?). A uma narrativa rocambolesca, sem eira nem beira, de revolta e dor, soma-se um constante fluxo de consciência, que exige momentos de paragem, para reflexão. Por outro lado, as sucessivas enumerações, em jeito lírico, impelem um ritmo vívido à leitura, a tal ponto que, dei por mim, a “representar” um monólogo intempestivo. O pano de fundo? Uma mulher, derreada mas robusta, a boiar no mar - livre!
Profile Image for Cat.
810 reviews86 followers
November 21, 2019
infelizmente, esta foi uma leitura em que sinto que muita coisa me passou ao lado. muitas das imagens e sentimentos descritos são fortissimos e belos. porém, a narrativa não foi de todo clara para mim, fazendo-me sentir muito alienada do que estava a ser realmente contado. talvez tenha de voltar a este livro no futuro, com outra cabeça e maturidade
Profile Image for Simão Pedro.
150 reviews13 followers
February 28, 2013
A literatura portuguesa pós-25 de Abril representa um dos períodos de maior liberdade e reconhecimento para alguns dos mais consagrados autores portugueses. De facto, José Saramago, António Lobo Antunes, Lídia Jorge, o falecido José Cardoso Pires e outros dedicaram pelo menos um romance ao período pré revolução dos cravos.
Teolinda Gersão, nascida em Coimbra, 1940, aborda o período da nossa história governado por António de Oliveira Salazar – que na obra se chama simplesmente O.S. –, a crueldade de uma ditadura que atrasou um povo soberano e o lugar da mulher na sociedade. O romance aborda a vida de duas mulheres portuguesas, Hortense e a sua nora, Clara, que tentam lidar com a morte de Horácio, marido de Hortense, e Pedro, filho de Hortense, marido de Clara. Estes dois personagens masculinos morrem ambos pela mão do Estado Novo, pois Pedro é enviado contra vontade para o ultramar de África, onde é assassinado, e Horácio morre fruto de perseguições da PIDE.
Teolinda Gersão inverte no romance o significado tradicional que os mares outrora tiveram na nossa história. De facto, o mar perde a conotação de esperança que sempre teve, para dar lugar à fatalidade e sofrimento; o envio de pais e de filhos para o ultramar é relatado com óbvia tristeza pela escritora através de Hortense, que várias vezes ironiza o mar e as conquistas portuguesas. O papel do cristianismo na sociedade, associado a Salazar, um homem elevado à qualidade de Deus, também não escapa à ira da escritora. Assim sendo, as igrejas e o papel dos padres na educação e controlo dos portugueses são severamente visados.
Ao abordar o papel da mulher e a transição que se efectuou na mesma após a revolução dos cravos, Gersão evoca um novo tipo de lugar das mulheres na sociedade – pelo menos um que não existia na altura. Objectivamente, Hortense não só se revolta contra o próprio pai, ele mesmo um elemento de grande influência no sistema salazarista, como contra o machismo veiculado pela propaganda do Estado Novo. Hortense não tem ambição de ser “mãe parideira” que faz crochet e cozinha enquanto o homem vai ganhar o pão. Não, Hortense quer-se cultivar intelectualmente e ocupar cargos que eram destinados a homens somente. Não esqueçamos que estes desejos de emancipação foram ainda suprimidos pela sociedade aquando da publicação deste livro (1982) e, bem, ainda o são um pouco, creio.
Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo é um bom livro e um bom exercício repleto de episódios da nossa história que não podem ser nunca esquecidos, mas em abono da verdade, há romances sobre a mesma temática mais atractivos.

Escrito originalmente in Contracultura Aplicada (http://contraculturaaplicada.blogspot...)
Profile Image for Luise.
26 reviews1 follower
May 17, 2021
um quadro emocionante pintado por várias mãos femininas. um quadro da maternidade, do luto, da culpa, da guerra e do silêncio durante a ditadura salazarista em Portugal, mas cujos gritos sufocados ressoam até hoje em todos os cantos do mundo.
Profile Image for Cat .classics.
286 reviews123 followers
November 28, 2025
Um livro que engana um pouco o leitor que não sabe ao que vai, sobretudo quando as sinopses são vagas. E tive aquilo que aprendi a chamar a algumas leituras de Virginia Woolf de "experiências literárias". Acontecem sempre na hora certa e no sítio certo. Comecei a lê-lo primeiro em silêncio, depois em voz alta, e cedo percebi que era um livro que precisava de manhãs de sol e de um lápis amarelo na mão.

E comecei a descobrir uma narrativa muito ao jeito de um puzzle que tenho andado a fazer. Com tempo, dedicação, silêncio e claridade, fui seguindo os fios entretecidos por Teolinda Gersão, que nos traz uma Hortense sofrida, diluída em água e sal, como retrato diáfano e alegórico de uma mulher que aprende a perder (a liberdade, o amor, a espontaneidade, o marido e o filho) para o ditador OS.

E, de repente, esta radiografia poética do sofrimento desta mulher é também a radiografia de um país de gente hipnotizada e obediente, de mulheres reprimidas e de mulheres que aprendem a arte da repressão como um gesto benigno e redentor de pecados.

Não posso deixar de referir que a razão principal pela qual dou pontuação máxima ao livro é porque toda a narrativa é pautada por esse pano de fundo político, embora sempre muito velado, da ditadura de Oliveira Salazar. Mas esta é também uma escrita magistral, de uma sensibilidade orgânica e pictórica como há muito não sentia (e cuja "experiência de leitura" me aproximou tanto de As Ondas, de VW).
Profile Image for Carolina.
401 reviews8 followers
February 18, 2021
Roubei este livro da casa da minha avó e ele era da minha mãe. Agora vai viajar pelo BookCrossing!

Nunca tinha lido um livro desta autora e fiquei muito bem agradada. A escrita é muito complexa, com elipses e referências plenas de textura. Existem elementos referentes à ditadura (a misteriosa figura de OS), com uma crítica contundente, apesar de discreta.

No fundo, este livro é um retrato da vida empobrecida durante o estado novo, mais que uma análise da personagem que é essa mulher com mar ao fundo. Por vezes pode ser muito denso, mas a escrita é de tal qualidade que uma pessoa não consegue deixar de o ler.

Recomendo!
Profile Image for Vera Sopa.
751 reviews72 followers
May 2, 2020
Não li a sinopse. Sabia apenas que gostava da escrita apurada, quase poética de Teolinda Gersão. Sabia que não seria uma leitura fácil mas exigente, que recua a num período histórico de má memória.

Na perspetiva feminina, a dor da perda de um homem. Uma mãe que perdeu um filho caído em combate e uma mulher que perdeu o companheiro e pai do seu filho ainda por nascer. A linguagem rica dos sentidos e das emoções. O mar como cenário de fundo. Um universo bloqueado, uma busca por um ponto de fuga ao espaço de O.S.. A revolta.

Um romance que faz todo o sentido ler em voz alta.
Profile Image for Carolina Pinto.
38 reviews5 followers
December 25, 2020
Um livro muito bonito, escrito de uma maneira fantástica. Uma mãe que perdeu o filho e uma mulher que perdeu o marido no tempo da ditadura Salazarista, um retrato fenomenal da época da sociedade. Revela uma sensibilidade fora do comum, uma leitura que recomendo muito
116 reviews5 followers
April 14, 2020
Muito bem escrito (julgo). Ao início parece muitooo lento, mas pouco a pouco constrói um retrato sólido, de uma mulher, uma família, uma época.
Profile Image for Rosarinho .
236 reviews1 follower
February 5, 2025
Não me cativou. Fiz um grande esforço para ler tantas palavras e como eu gosto de palavras.
Displaying 1 - 11 of 11 reviews

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