Um investimento complexo é exercido sobre a sexualidade e os corpos: a escola, a mídia, a igreja, a lei, a medicina e outras tantas instâncias sociais exercitam, cotidianamente, pedagogias da sexualidade. Ali se aprende uma linguagem socialmente situada, que diz sobre o que falar e sobre o que silenciar, o que mostrar e o que esconder, quem pode falar e quem deve ser silenciado. Marcas de gênero, classe, raça interferem profundamente na demarcação desses arranjos. É disso que trata este livro: autoras e autores de distintas formações acadêmicas refletem sobre as desigualdades e as diferenças históricas e socialmente atribuídas aos corpos e convidam leitoras e leitores a compartilhar de sua inconformidade em face do silêncio e da marginalização impostos a sujeitos e práticas sexuais.
Um livro muito elucidativo quanto aos estudos da sexualidade e, ainda, de como a sexualidade pode ser abordada em escolas de um ponto de vista pedagógico. Composto de seis textos, alguns dão mais ênfase à sexualidade, e outros à pedagogia. O texto que abre essa edição, da organizadora, Guacira Lopes Louro, consegue permear bem as duas pontas, trazendo informações importantes e relevantes. Dois textos que gostei muito e, esses, dizem mais respeito à sexualidade, são os de Jeffrey Weeks e Richard Parker. Já os artigos de Deborah Britzman e Bell Hooks, enfocam mais a sexualidade do ponto de vista da edução, que não bem o meu ponto. Por fim, o livro encerra com um tradução da introdução do livro Corpos Que Pesam (Bodies That Matter), de Judith Butler. Confesso que apesar de morrer de amores pela teoria da Butler, esse texto não me chamou muito a atenção. E foi por causa desse texto que peguei o livro. Bem, dos males, o menor.
Este foi um dos primeiros livros sobre teoria queer que li na minha vida e foi uma ótima introdução para depois me aventurar em águas mais profundas. Agora, lendo uma segunda vez tenho outras impressões sobre quais são meus textos favoritos aqui. Um favorito anterior, o texto de Deborah Britzman continua impactante ao falar dos paradoxos entre educação e a filosofia queer. Já as grandes estrelas do livro bell hooks e Judith Butler pouco apresentam de novo sobre essa complexidade nos textos aqui apresentados, como eu havia pontuado na resenha anterior. Richard Parker e Jeffrey Weeks também trazem dois bons textos, extensos, mas com muita coisa a oferecer para quem pretende visualizar a educação a partir das lentes do queer. E, claro, não poderia deixa de citar a bela introdução de Guacira Lopes Louro, que também é a organizadora dessa importante e pioneira obra do queer em terras brasileiras.