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O Sol se Põe em São Paulo

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No Japão da Segunda Guerra, um triângulo amoroso envolve Michiyo, Jokichi e Masukichi - uma moça de boa família, um filho de industrial e um ator de kyogen, o teatro cômico japonês. À primeira vista, isso é tudo que Setsuko, a dona do restaurante japonês, tem a contar ao narrador de O sol se põe em São Paulo, novo romance de Bernardo Carvalho. Mas logo a trama se complica e se desdobra em outras mais, passadas e presentes, que desnorteiam o narrador involuntário, agora compelido a um verdadeiro trabalho de detetive para completar a história em que se viu enredado.

Pois o relato de Setsuko aponta para além do desejo, da humilhação e do ressentimento amorosos, e se vincula aos momentos mais terríveis da História contemporânea - tanto do Japão como do Brasil. Romance sem fronteiras, que une a Osaka de outrora à São Paulo de hoje, e esta à Tóquio do século XXI, o romance de Bernardo Carvalho entrelaça tempos e espaços que o leitor julgaria essencialmente separados - e nos quais a prosa de ficção brasileira não costuma se arriscar.

Caberá ao narrador de O sol se põe em São Paulo transitar de um pavilhão japonês no bairro do Paraíso a um cybercafé na Tóquio pós-moderna, das fazendas do interior de São Paulo aos campos de batalha da guerra no Pacífico. Tudo a fim de deslindar uma trama tortuosa, que envolve ainda um soldado raso, um primo do imperador e um escritor famoso (o romancista Junichiro Tanizaki) - também sua própria pessoa, sua própria identidade: pária ou escritor?

164 pages, Paperback

First published March 5, 2007

4 people are currently reading
119 people want to read

About the author

Bernardo Carvalho

71 books79 followers
Bernardo Carvalho (Rio de Janeiro, 1960) é um escritor e jornalista brasileiro.

Foi editor do suplemento de ensaios Folhetim, e correspondente da Folha de São Paulo em Paris e Nova Iorque. Seus dois primeiros livros foram editados na França.

Bernardo Carvalho teve o seu livro Mongólia distinguido com o prêmio APCA da Associação Paulista dos Críticos de Arte, edição 2003, na categoria romance, depois de ter já vencido, a meias com Dalton Trevisan (Pico na Veia) o Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, com o romance Nove Noites.

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37 (28%)
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1 star
3 (2%)
Displaying 1 - 15 of 15 reviews
Profile Image for Cintia Andrade.
487 reviews51 followers
January 4, 2020
Neste livro, Bernardo faz uma espécie de matrioshka de histórias que vão se desdobrando em outras. Altamente inspirado nos romances repletos de reviravoltas de Junichiro Tanizaki - que acaba por ter um papel importante no romance, Bernardo compõe uma narrativa empolgante e surpreendente, apesar de em certo ponto ficar um pouco intricada demais. Nos livros de Tanizaki, as reviravoltas nunca compõem o elemento principal da história e o não-dito é quase sempre tão relevante quanto o que é dito - e aqui acho que tudo é explicado demais.
Profile Image for Maria Fernanda.
175 reviews8 followers
April 8, 2020
"a riddle, wrapped in a mystery, inside an enigma."

Eu estou muito impressionada com esse pequeno livro. Depois do primeiro capítulo foi muito difícil parar de ler. A história se torna muito envolvente e é digno de uma adaptação da HBO. Achei uma leitura muita divertida e prazerosa. Recomendo.

REVIEW COM SPOLIERS:

Pessoalmente achei as parte do narrador paulista desnecessárias e achei a parte mais chata do livro. A viagem dele para o Japão me pareceu totalmente inútil já que ele não descobriu nada que acrescentasse ao enredo principal. Foi inclusive a parte do livro que me foi mais difícil e lenta de ler. Cortaria esses capítulos e levaria direto para a tradução da carta. Afinal, você não precisa ir até o Japão para que alguém te traduza uma carta... Ele visitando a sobrinha do autor, ele visitando a esposa de Teruo, ok, legal, mas a viagem foi bem desnecessária. Mesmo assim, depois disso que parece um intervalo no enredo, o livro retoma seu passo com os dois capítulos finais.
Profile Image for Leandro Oliveira.
Author 4 books14 followers
April 15, 2020
Um livro excelente. Narrativa engenhosa, contada com técnica e inteligência. O "segundo ato", por assim dizer, me pareceu como uma digressão forçada - e ainda me escapa seu sentido para a construção geral da trama (e, apenas por estar em capítulos curtos, é "indolor"). Mas um livro com passagens comoventes e um extraordinário sentido de clímax. Must read.
Profile Image for Paulo Veloso.
26 reviews1 follower
June 17, 2022
Acho que o que pode depor um pouco contra esse livro - que, sim, é um bom livro - é que o seu início se arrasta talvez um pouco além do que deveria. As discussões sobre literatura e escrita, embora pertinentes, às vezes me pareceram um pouco soltas demais dentro da estrutura do romance. De todo modo, passada a primeira parte, o livro toma fôlego, os personagens se desenvolvem e a história começa a percorrer um labirinto inesperado e hipnótico. Cheguei às últimas páginas totalmente absorto no enredo, pensando o quanto é bom ler alguém que sabe escrever - e acho que isso apenas a bons livros se atribui.
Profile Image for Julia Gomes.
54 reviews1 follower
July 8, 2025
pequeno grande livro brasileiro que me fez perceber o quão preciso ler literatura japonesa
Profile Image for vivs.
23 reviews
March 27, 2020
Amo o livro e indico pra qualquer pessoa, apesar de saber que muitos amigos meus que leram começaram e abandonaram por terem odiado. Li o livro sem parar em oito horas e ao chegar no final, senti que não tinha entendido nada ao mesmo tempo que percebi que tinha entendido tudo o que aconteceu no início e quais pontas soltas tinham finalmente sido amarradas. Sempre vai ser um dos livros que mais mexeu comigo.
Profile Image for Gustavo.
34 reviews
May 14, 2021
O final é bem legal, mas me irritou q as vezes os acontecimentos são bem parecidos com “Nove Noites”- o narrador precisa fazer uma viagem internacional para descobrir o mistério com que convive, aí la tem uma descoberta q faz com q todos os pontos da narrativa façam sentido.
A discussão de legado e herança que será deixado no mundo é bem legal e acho que nessas partes que o livro mais se destacou.
Só os outros podem contar as histórias
Profile Image for Rodrigo de Oliveira.
27 reviews
May 22, 2021
Uma grande decepção, depois do impacto que "Nove Noites" ainda causa em mim. "O Sol Se Põe em São Paulo" parece um livro perdido em sua própria narrativa, admirado demais do enredo para ter algum cuidado com a prosa, o estilo e a narração. Trata-se da história de um escritor fracassado que recebe a missão de uma velha japonesa da Liberdade para contar sua vida em livro, para continuar um romance interrompido no passado. O que se segue é a narrativa mais rocambolesca e vazia de sentidos que já li em algum tempo, um desfile de lugares-comuns que desabusa o escritor em questão (seu fracasso é real, ele escreve mal) e delega o relato aos personagens japoneses envolvidos nessa trama de triângulo amoroso, falsas identidades, traumas de guerra e orgulho nacional. É impressionante como todos os personagens do livro se expressam do mesmo modo (um erro do escritor-da-ficção ou falta de inventividade do escritor real?), um estilo de frases curtas e sempre reiterativas que só reforçam o caráter confuso, empertigado e às vezes distraído do próprio romance, como se ele mesmo não confiasse no relato que desfia e então precisasse repeti-lo à exaustão para nos lembrar, página após página, de onde estamos nessa saga. Por fim, o destino de Michiyo (eventualmente escondida por trás da persona de Setsuko), do soldado Jokichi e do ator Masukichi acaba perdido nas sombras que o romance supostamente deveria clarear.

Um dos poucos trechos memoráveis:

"Agora eu entendia o que minha irmã tinha querido dizer quando propôs que jantássemos juntos. Os clientes iam ao cybercafé para tomar banho, jantar e dormir, e nesse meio-tempo aproveitavam para usar os computadores. Minha irmã me explicou que muitos não conseguiam voltar para casa depois do trabalho (porque ficaram no escritório até tarde ou perderam o trem depois de tomar um porre num bar qualquer). Passavam a noite dormindo nas baias diante das telas dos computadores, antes de retomar o trabalho no dia seguinte. O silêncio era absoluto. Só se ouvia o som abafado do ar-condicionado central e do vento do lado de fora. O recepcionista me guiou pelo labirinto de baias até a minha, diante da parede de vidro fumê de onde se avistava o centro de Osaka, com suas luzes escurecidas. No interior do nono andar, à exceção do hall absolutamente claro e branco na saída dos elevadores e da zona das duchas e das máquinas de comida, tudo estava no escuro. Eu vinha lendo os livros de Tanizaki desde o meu encontro com a sobrinha do escritor. Num ensaio muito conhecido, O elogio da sombra, publicado em 1933, quando já tinha trocado Tóquio por Kansai e seus interesses literários migraram das influências ocidentais para as tradições japonesas, o escritor dizia: "Se, por alguma infelicidade, o teatro nô viesse [...] a recorrer aos meios modernos de iluminação, é certo que, sob o choque dessa luz brutal, suas virtudes estéticas iriam pelos ares. É, portanto, absolutamente essencial que o palco do nô seja mantido na sua obscuridade original".

Liguei o computador e mandei uma mensagem para a minha irmã. Em dois minutos ela já havia respondido: "Qual é o número da sua cabine?". Escrevi: 43. E em outros dois minutos lá estava ela, atrás de mim, magra, esquálida e pálida, como um fantasma. Também tinha se convertido na miniatura de uma promessa. Ela me abraçou. Dos dias debaixo do sol escaldante a caminho de Bastos e das cidades minúsculas, onde ninguém pode caber, só restava o silêncio entre nós dois. O corpo dela havia ficado tão pequeno. Também ia desaparecer no escuro, como todos os outros, para mostrar aos bisavós que de nada tinha adiantado fugir para o outro lado do mundo, para viver debaixo do sol e de toda aquela claridade ofuscante. A sombra sempre estaria no nosso encalço. Ela me levou até sua baia, que era maior e tinha porta. "Você deve estar cansado da viagem. Se não aguentar até de manhã, podemos dormir aqui."
Profile Image for Álvaro Curia.
Author 2 books544 followers
October 14, 2020
A ideia de um romance “matrioshka” levada ao extremo. Tal como li noutra crítica ao livro de Bernardo Carvalho, esta é uma trama de onde uma realidade parece sair de outra, que contém outra e mais outra dentro. O autor fá-lo muito bem e de forma clara. Raramente precisei de voltar atrás para verificar alguma informação.

Mas é esse tipo de história, em que qualquer desatenção numa linha é fatal. O facto de ter poucas personagens e um fio condutor ajuda a que o leitor não se perca num novelo emaranhado de volta-faces.

O livro inspira-se nos grandes enredos orientais, particularmente japoneses, onde as ideias de honra, verdade e dignidade são eixos centrais na vida das personagens e onde o suicídio é sempre uma ideia presente.

Há um clímax claro, bem estruturado, e um capítulo final onde mal podemos respirar, com as surpresas a sucederem a surpresas.

Gostei muito de revisitar o Monte Koya, onde já estive. É um desses lugares saídos de um livro, uma floresta sagrada para os budistas, com lugares como o “monte onde todas as verdades se descobrem.”

Quanto ao livro, talvez tenha ficado demasiado rebuscado nas suas explicações. Mas compensa pelo retrato de dois mundos tão extremos e pela ideia de que, tal como São Paulo, a vida é o “avesso do avesso do avesso do avesso”.
Profile Image for Léa .
189 reviews3 followers
December 31, 2017
Roman débuté complétement par hasard. J'ai oscillé entre perplexité et admiration. Certains passages sont superbes, la fin est passionnante et donne envie de le relire. En même temps j'ai le sentiment de n'avoir rien compris, d'être passé un peu à coté, l'écriture m'a parfois troublé. Avoir un narrateur spectateur qui se fait manipuler et des références littéraire japonaise que je n'ai pas sont assez déstabilisants. J'ai malgré tout beaucoup aimé ce livre car il n'est jamais là où on l'attend, toujours à rebattre les cartes et chargé de messages assez percutants. Une belle surprise.
Profile Image for Fanja Evers.
545 reviews18 followers
June 3, 2023
Plus un 3,5/5
Parmi les avis ici, quelqu'un a cité Churchill qui disait à propos de la Russie : "une énigme, entourée d'un mystère, cachée dans un secret". C'est vrai que ça s'applique parfaitement à cette intrigue ambitieuse particulièrement tortueuse, qui pour le coup, m'a paru bien plus japonaise dans l'âme que brésilienne, ce que j'ai trouvé assez fort pour un roman brésilien. Bon, certes, les protagonistes sont japonais^^, ou brésiliens d'origine japonaise, ce qui avait d'ailleurs attisé ma curiosité pour ce livre. Une expérience de lecture fort déroutante mais très intéressante.
Profile Image for Fábia.
23 reviews
February 16, 2014
“O Sol se põe em São Paulo”, do Bernardo Carvalho, é o primeiro que leio dele, e tenho feito uma incursão por bons ficcionistas para aprender, aprender com os contemporâneos, e cheguei a conclusão que identidades trocadas e narrativas enganosas são a sua marca literária.
Bernardo Carvalho é um “complicador de enredos” (pois se um romance pode ser muitas coisas, estas podem, por sua vez, ser agrupadas e sintetizadas em umas tantas). Portanto, o enredo é sobre a busca do narrador pela sua própria identidade, existe um mistério por trás dessa história, e percebemos que a literatura é um recorde do recorte, como no truque do Machado de Assis no final de Dom Casmurro, onde percebemos que só podemos saber o que nos é contado, nada mais, esse “mais” é sua parte, pra quando o livro é fechado. Agora quero ler outra coisa desse escritor. Um livro com um enredo melhor, sem tanta metaficção.
Profile Image for Paulo Gois.
7 reviews3 followers
July 31, 2013
Um livro muito bom. Com três ou quatro cenários principais e poucos personagens, o autor consegue aprofundar em cada situação.
O personagem é um escritor, e durante a trama abre diversas portas no mas consegue fechar todas elas com maestria.
Profile Image for Lucas Passos.
1 review3 followers
September 28, 2013
Ótimo livro, altamente recomendado. O autor consegue mesclar as histórias, e as conclui da forma mais inesperada possível.
Profile Image for Um mar de fogueirinhas.
2,202 reviews22 followers
February 5, 2017
Metahistoria da metahistoria, a narrativa começa devagar mas se torna bem envolvente. Só tive de ler o fim duas vezes...
Displaying 1 - 15 of 15 reviews

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