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Galut

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Galut is Hebrew for exile. Since the dispersion of the Jews from Palestine, the Jewish people have considered exile to be a basic tenet of their historical existence. The author, an eminent Palestinian historian, introduces students of Judaic history to the outstanding Jewish spokesmen who throughout the centuries have reflected on their people's condition in exile, among them Judah ha-Levi, Maimonides, Isaac Abravanel, Baruch Spinoza and others. First published in Hebrew, this edition is a reprint of the 1947 Schocken Press English translation, with a new Introduction by Jacob Neusner.

132 pages, Paperback

Published February 24, 1988

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Profile Image for Renato Grun.
Author 17 books3 followers
September 4, 2018
Poucos ensaios originais abrangentes e que se tornam livros são feitos com relação a temas tão específicos. A obra Galut, de Itzchak Baer é um desses poucos exemplos.

Considerado um dos grandes expoentes da historiografia moderna, Baer condensa de forma sucinta a compreensão histórica do exílio dos judeus que os permeou em todo momento de sua literatura. A ideia de galut, diz Baer, serve para ilustrar vários conceitos presentes em muitos momentos da narrativa judaica: a primeira delas, a compreensão da servidão política, e depois com o tempo, imbuindo-se do desejo de reunião e liberdade, bem como de expiação de pecados e de redenção nacional para além do físico.

Mas essa concepção de galut não é imutável ou engessada em sua natureza, pois ela também acomoda sentimentos contextuais. Além disso, como dissemos, o sentimento de galut abrange tanto a noção terrena (a saber, perda de autonomia política, antissemitismo e assimilação) quanto metafísica (degradação espiritual, moral e sincretismo religioso). Mas é com o tempo que o termo ganha esse leque de significados. A visão terrena é a primeira que ocorre, pois é inegável que ela tenha se desenvolvido antes e só depois acomodado novas compreensões a partir de pressões psicológicas e sociais na mentalidade do povo como um todo.

Baer, portanto, faz um excurso das fontes sobre o exílio em várias épocas, iniciando pela antiguidade até chegar as portas do iluminismo. Resume as posições dos Pais da Igreja, de Yehuda Halevi (o autor do Cuzari), de Rambam, Abravanel, Shlomo Ibn Verga, Simha Luzzato, passando pela compreensão dos marranos até Shebatai Tzvi (o auto proclamado Messias no século 17). Sua pesquisa aponta uma compreensão dialética entre duas visões da história. Ele adverte, entretanto que a visão metafísica — mais perceptível em vários momentos, como os movimentos medievais messiânicos — se vê enfraquecida pela diluição do sentimento anti-judaico já em algumas sociedades ocidentais (começando com Simha Luzzato), bem como na tímida tolerância religiosa (esparsa e anêmica em muitos casos), mas a ponto de, pelo menos, admitir a existência dos judeus, onde quer que residam, sem significar necessariamente sua conversão ou aniquilação física.

A interpretação geral dada ao exílio (seu leque de significações), hoje parece ser bem óbvia e clara. Mas ela percorre a história sendo compreendida e entoada em dois fronts. Sua distinção pode ser difícil de identificá-la (no rol de concepções), dificultando àquele não acostumado à leitura crítica de cada uma delas); porém o ponto é que ambas se utilizam de dois elementos: O primeiro é o elemento racional, ou seja, a história caminha a partir de atitudes temporais, naturais e humanas. Estas atitudes reunidas, agiram tanto de forma a atiçar (negativamente) ou combater (positivamente) a desumanidade reinante no mundo, que era precisamente a noção de um povo sem pátria, humilhado e despido de direitos, como ocorre em muitos capítulos de sua própria trajetória. E segundo, o elemento religioso. Para este, quase indissociável da primeira, a compreensão da história (caminha pela ótica do divino) em que sempre há, concomitante a ele, a concepção de sofrimento e redenção, perseguição e liberdade, na qual o fim do exílio (e da história) é eminente a cada teste, em face das inúmeras tragédias.

Mas, se por um lado isto serve à solução de muitos dilemas teológicos e/ou práticos, por outro, demonstra uma falha lógica para a mentalidade moderna (pós iluminista). Afinal, esse tema tão complexo não pode ser encarado considerando-se apenas uma dessas perspectivas. Nem a terrena, que possui sim, a sua contraparte metafísica e nem apenas a religiosa (mística). A visão judaica da história (e sua realização) na concepção dos judeus helenistas ou mesmo dos judeus medievais, por exemplo, jamais deveria ser interpretada em face dos parâmetros da historiografia moderna do século 19 ou 20.

Por esse motivo Baer faz essa útil revisão de várias compreensões do tema. Para ele, “todos os entendimentos modernos [da noção de] exílio terminam por ser inadequadas” (p. 127). Sua análise e desfecho apelam para que se derive a seguinte reflexão: as visões judaicas da galut em vários períodos da história foram distintas e, do mesmo modo, compreendidas distintamente, por este e por aquele pensador, em um período de vários séculos. Não há como transportar toda e cada noção do passado e utilizá-lo como argumento hoje, como o fazem muitas pessoas.

Ele diz que atualmente “a teologia judaica [querendo dizer apenas a interpretação metafísica da galut] erra ao apelar para os antigos conceitos do judaísmo relativos a uma missão histórica” (ibid). Pois os eventos do passado devem ser compreendidos ao momento em que aqueles eventos eram articulados, não podendo se estender no tempo. Como Baer alude em uma exposição, a noção religiosa da história só pode ser verificada e confirmada quando existem tempos de opressão (física), penúria e grande necessidade — e que culminariam (consequentemente) com a redenção final (esperada pelo povo). No entanto, esta é a compreensão apocalíptica em que o divino age, e não o homem, retificando o mundo através de meios sobrenaturais. Mas, a grande questão aqui é: e quando a visão de mundo evolui, (através de muitos e variados meios) e se aperfeiçoa através de muitas mudanças (sim, mundanas!), e adapta a visão dos judeus, até certo ponto “tolerante” (religiosa e politicamente falando) com relação a este povo historicamente perseguido e humilhado?

Uma nova compreensão da história deve ser posta a mesa, e é exatamente a esta discussão que Baer pretende trazer, a luz da contemporaneidade. Possuir uma compreensão da história hoje para imprimí-la ao passado (e vice versa), não é apenas um erro, mas um abandono intelectual da razão e um fechar de olhos, seja para as novas soluções, quanto para os eventos que podem mudar profundamente nossa realidade hoje.
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