No geral, um bom livro. A proposta de descrever as sensibilidades de Copacabana nos anos 50 é interessante, sobretudo pela escolha de tomar como objeto de análise as canções de Dolores e os textos de Antonio Maria. No entanto, o cronista é deixado um pouco de lado, comparecendo pra valer apenas em um capítulo que trata do masculino e da masculinidade. O livro teria ganho com uma exploração mais equilibrada dos dois personagens, como alter ego um do outro. Além disso, em alguns momentos o uso de categorias sociológicas parece um pouco alienígena; as categorias são aplicadas um pouco bruscamente à realidade, em vez de surgirem espontaneamente, rompendo a fluidez da narrativa.