A arte e a ciência já se relacionam há tempos e de diversas maneiras, conforme os estudos e descobertas de cada época. Hoje esta relação está explícita em trabalhos artísticos que exploram a relação homem máquina, através do uso do computador com sistemas programados para interagir com o ser humano. Segundo Suzete Venturelli no livro “Arte: espaço_tempo_imagem”, capítulo “Arte e ciência da computação”, esta tem sido a principal característica das criações artísticas realizadas na atualidade. A interatividade, como um conjunto de interações, entre espectador e máquina, se dá através de estímulos e respostas, sendo comandada pela programação que cria um sistema simulador de nova criação, a do espectador. Esta prática teve início na década de 1960, quando os artistas estavam interessados em experimentar os novos produtos tecnológicos, com ênfase para o computador e as linguagens de programação, expor seus processos de criação e se aproximar do público consumidor de arte. O Happening, ação comum na época, era uma forma de exibição que combinava o ambiente, a obra de arte e o espectador, considerando todos estes elementos importantes. Este movimento transformou as formas de criação, estabelecendo novos métodos. É muito comum num processo de criação e realização de uma obra computacional, artistas trabalharem com engenheiros, programadores, ativistas, e especialistas de diversas áreas. À medida que a tecnologia se desenvolve abrem-se novas possibilidades de criação e de interatividade, esta vista hoje como símbolo da arte computacional.
O que dizer deste livro? Comprei na promoção do site da livraria da UnB. Achei que poderia contribuir em alguma coisa para o meu estudo de histórias em quadrinhos, afinal o título fala de "espaço/tempo/imagem", o que tem tudo a ver com este estudo. Como não havia uma sinopse do livro no site da livraria, imaginei isto. Na verdade o livro fala sobre arte e tecnologia, ou seja, nada a ver com o título. Ele fala como a arte se relaciona com a novas tecnologias. Desde o célebre ensaio de Walter Benjamin em A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade técnica, passando para a fotografia como arte, depois a vídeo-arte (que eu acho um saco), depois a arte através do computador, da internet, das redes sociais, e então para as interações entre ser humano e máquinas. O livro é de 2011 e portanto tem muitos conceitos BEM atrasados. Um dos problemas em se trabalhar com pesquisa em tecnologia. Por exemplo, a autora poderia ter abordado a artifício das impressoras 3D para criar arte e como esse tipo de fabricação de objetos acaba interferindo com o fazer-arte. Mas, enfim, né, mais uma daquelas leituras cujo livro vai bailar nos sebos rapidinho.