Chris é um jovem de hábitos estranhos. Tímido e calado, não possui nenhuma rede social e ama ler os poetas que morreram jovens demais. Seu sonho? Ser escritor e, com a escrita, mudar a vida das pessoas. Morando numa cidade do interior, vê sua vida mudar por completo ao receber uma trágica notícia: sua mãe, Helena, precisa urgente de um transplante. Junto com a família, parte para São Paulo em busca de um novo coração. Lily é uma garota paulistana que há muito tempo não sente seu coração acelerar. Cansada da vida que leva, nada mais é capaz de despertar seu interesse: roupas caras, seguidores nas redes sociais, amigos da high society e muito menos o curso de cinema que acabou de começar. Tudo parece ter perdido o brilho de uma hora pra outra. Um encontro inesperado, no parapeito de um prédio, mudará para sempre a vida destes dois personagens. Christian Figueiredo, que conquistou milhares de leitores com sua trilogia anterior, agora dá voz a jovens tão diferentes, mas com anseios parecidos: viver por aquilo que faz o coração bater mais forte.
Um clichê (particularmente, não esperava que não fosse), mas não é de todo ruim, tem algum carisma.
Não gostei muito da escrita, e é muito confuso o quão parecida as vozes de Chris e Lily são, de uma forma que eu só sabia qual era o p.o.v. de cada um pelo contexto e por serem alternados por capítulo. O tempo verbal varia entre passado e presente e não é intencional, o que pode atrapalhar a imersão do leitor.
Tem muitas frases repetitivas ao longo da narração, e gírias estranhas em diálogos (que faziam eu me perguntar se alguém realmente falava daquela forma).
É dito o tempo todo que Chris é escritor, mas o leitor só tem contato com algo escrito por ele (uma poesia) na metade do livro, e só. Também não se tem muitas informações sobre a Helena, o que eu acho bem negativo, considerando que boa parte das coisas acontecem por ela, muitas das escolhas do protagonista são tomadas por conta dela, e o leitor mal a conhece. Não há muito desenvolvimento dos outros personagens também, o que os faz parecerem figurantes prontos para contracenarem com os dois protagonistas, por quem o mundo gira. Mas Chris e Lily tampouco tem mais desenvolvimento, visto que a narração deles se resume ao que está acontecendo no momento, nunca à quem eles são. O pouco de contato que o leitor tem com a personalidade dos protagonistas, é por conveniência de enredo, o necessário para que não nos percamos na história.
Por ter sido o adolescente que passava o tempo todo no quarto lendo e assistindo a filmes, devo dizer que me deu vergonha alheia saber que eles se consideravam "diferentões" e "anormais" por esse mesmo motivo.
Em 90% do livro, eu teria dado 2,5 (embora o site não permita avaliação com decimais), o final foi decisivo para eu arredondar para 2,0. Foi tudo muito corrido, e eu não entendo nada de hospital e cirurgia, mas me pareceu tudo muito irreal, talvez porque foi muito rápido mesmo. Tudo já estava resolvido quando o menino chegou. Sei lá. Era para ser impactante, né? Não me convenceu.
Enfim, dei duas estrelas porque eu vi algum potencial na história, mas a execução não funcionou para mim.