"Parece que os anos 80 do século XX não morrem nunca. Para um punhado de jovens daquele tempo, viver foi só um outro tipo de aventura. À sombra dos viadutos em flor, de autoria de Cadão Volpato, é uma lembrança pessoal e intransferível de um tempo de música em que tudo estava começando, o rock, ele mesmo, com suas legiões urbanas, seus voluntários da pátria, suas mercenárias, suas plebes rudes. Cadão Volpato era revisor da revista Veja nos primeiros anos da década. E em uma carreira paralela também foi garoto-propaganda. Mas isso eram só ocupações no ofício de viver. Na vida irreal, Volpato era letrista e vocalista de uma banda de rock, cujo nome fora tomado casualmente de um gênio do cinema: Fellini. A banda nasceu em São Paulo no ano de 1984, na região dos viadutos que cortam a Avenida 9 de Julho. Teve uma vida curta, mas deixou alguns discos que com o passar dos anos foram sendo cada vez mais cultuados. "
Lembra qdo vc era adolescente nos anos 80 e aí era fim de domingo e vc ficava com aquela sensação esquisita porque no dia seguinte tinha colégio? Aquela tristeza do fim de semana ter acabado...? Estou com essa mesma sensação depois de ter terminado o livro do Cadão Parece que disse tchau pros meus amigos. Que livro bacana! Me trouxe de volta a atmosfera dos anos 80, as bandas e musicas que ouvia. Que saudade boa!
Livro com ótimo acabamento, bonito, comprei como se fosse a história da banda Fellini, mas não é, é quase uma biografia do Cadão enquanto morador de um local, muito sobre seu namoro com uma menina não identificada, cita Alex e Minho K como colegas de república, fala de outros personagens conhecidos como se fossem colegas de trabalho, não é biografia é um ensaio. Cadão foi revisor e dá cursos de escrita, os textos são perfeitos tecnicamente mas assépticos, parece não saber para quem escreve, não parece ser para quem conhece a banda e quem não a conhece parece não estar interessado no livro. Manterei os três discos em vinil que tenho, relíquias em 45 RPM, fui no famigerado show em Porto Alegre e li uma das piores críticas musicais no jornal ZH. Tinha algumas músicas na minha biblioteca do spotify e aos poucos fui retirando-as. Esteticamente bom, mas sem conteúdo e essa leitura fez eu ver que talvez a banda também é um pouco disso, muitas coisas do passado estão ficando mais claras para mim, muita coisa era só estética e sem conteúdo ou eu estou ficando velho e velhos perdem a paciência muito fácil.
Funciona como uma fotografia de juventude tirada em um período especialmente mutante, os inícios da década de 80 e do fim da ditadura militar.
A Volpato interessa a conexão urbana que ambas as mudanças trariam, e, nesse sentido, São Paulo é tão personagem quanto quaisquer um dos amigos do biografado.
Não é uma biografia do rock independente paulista ou, mais especificamente, da banda Fellini, per se. Tanto melhor. O autor escreve como se tirasse polaróides de uma capital surpreendentemente provinciana e, vá lá, um bocado inocente.
Altamente recomendável na estante, ao lado de cronistas urbanos como João do Rio, Gilda de Melo e Sousa e Luiz Antonio Simas.
Fellini. Funziona senza vapore. Consolação. Nove de Julho. Morumbi. Madame Satã. Bar do Árabe. Carbono 14. Napalm. Joy Division. The Stranglers. Pós punk. Lira Paulistana. Belas Artes. Paulista. Só se vive 2 vezes em 3 lugares diferentes com um adeus.
Um excelente livro das memórias do Cadão desde a saída da casa dos pais, relembrando um pouco da infância e o período estudante de jornalismo na USP, passando pela vida underground em São Paulo, mais precisamente na região da Consolação/Bela Vista e a formação da banda Fellini.