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O Escritor e o Prisioneiro

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O Escritor e o Prisioneiro é a terceira obra publicada de Rute Simões Ribeiro, sucedendo aos romances Ensaio sobre o Dever (Ou a Manifestação da Vontade) (Finalista do Prémio LeYa 2015, sob o título Os Cegos e os Surdos) e A Alegria de Ser Miserável.
Assumindo a forma de um conto que se situa entre a narrativa e a dramaturgia, O Escritor e o Prisioneiro trata do conflito interno de um prisioneiro chamado Tom perante o seu médico psiquiatra, a quem solicita ajuda, por desconfiar da sua própria lucidez. Através de um quasi-monólogo, Tom narra os eventos que ocorreram dentro da prisão, ao mesmo tempo que confessa os questionamentos e as dúvidas que esses acontecimentos provocaram nele. Nesta exposição, fala obsessivamente de Otto, um escritor prisioneiro, que o agita e será talvez o causador dessa possível loucura, que procura esclarecer numa conversa onde se confundem intenções e identidades.

100 pages, Paperback

Published November 10, 2018

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About the author

Rute Simões Ribeiro

11 books55 followers
Rute Simões Ribeiro was born in Coimbra, Portugal, on November 17, 1977. Her first book was short listed for the 2015 LeYa Prize, a Portuguese literary award. She has a Law degree and a PhD in Public Health. She is currently living in Lisbon.

Rute Simões Ribeiro nasceu em Coimbra, Portugal, a 17 de novembro de 1977. O seu primeiro livro foi finalista do Prémio LeYa 2015. É licenciada em Direito e Doutorada em Saúde Pública. Vive atualmente em Lisboa.

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for Ana.
780 reviews179 followers
May 3, 2022
RELEITURA 2022

Infelizmente, esta segunda leitura, aliada a um extra que a própria autora me enviou, não veio alterar aquilo que a leitura inicial me tinha reservado... Não me dou muito bem com tramas muito abstratas (defeito meu)...



Desculpa, Rute, desculpa mesmo, mas sinto-me defraudada...

Após ter terminado de ler esta obra tão pequenina, fiquei algo estarrecida, com a obra nas mãos, sem saber exactamente o que dizer, pensar e muito menos escrever. Que prenúncio de uma narrativa com TANTO para dar-nos e termina assim???

Talvez frustrada e defraudada sejam as palavras certas para descrever aquilo que senti mal terminei de ler páginas que têm tantas ideias interessantes, com tantas reminiscências saramaguianas e que terminam de forma tão abrupta e sem respostas... Sim, reina por aqui muita frustração...

Desculpa mais uma vez, Rute, mas queria MUITO mais!!! Era só desenvolver, terminar aquilo que tão bem inicia...

Tinha que deixar a minha opinião, valha ela o que vale.

NOTA - 06/10
Profile Image for Os Livros da Lena.
321 reviews325 followers
August 16, 2021
Opinião
O Escritor e o Prisioneiro, de Rute Simões Ribeiro

“-Como lhe digo, é elevada a probabilidade de estar louco. Não será a coerência o garante da sanidade?”

O que é a lucidez? Quem a dita? Quem define quando somos capazes de discernir, se a própria realidade é somente uma perspectiva da existência?

“Até para pertencer a algum sítio, é preciso sair dele por vezes, não acha. Eu pedi para sair. Para que pertencesse ali.”

São estas as perguntas que um prisioneiro faz ao seu psiquiatra - ou a si mesmo - numa tentativa de se perceber a si mesmo e ao mundo que o rodeia. Aos outros, aos externos a si.

“- Porque dizes não conhecer bem a pena?
- Bom, a pena cabe aos que têm a sorte de lhe ser superior. Julgo que só se verá de cima, de fora. Quem viva uma situação de pena, não se identifica com ela. Quem a viva verdadeiramente, digo. Não há pena sobre quem se autocomisera.
(…)
- Quem é miserável não sabe que é miserável?
- Sabe, mas escolhe não ser, enquanto o for. Se um dia deixar de ser miserável, passará a ter pena dos que veja iguais ao que foi um dia.”

Num quasi-monólogo, podemos perceber o conflito de Tom, consigo e com o mundo, com um foco (obsessão?) com um outro prisioneiro em particular, escritor além de prisioneiro, Otto de seu nome. Mas serão os dois prisioneiros? E sendo, qual será a maior prisão de cada um?

“Acho que se alimentavam de nós pequenos, quanto menos fôssemos, maiores eram eles e mais tinham para nos tirar.”

Este é um livro que nos traz um(a) narrador(a) quase ausente. Apenas presente em pequenas didascálias que nos querem situar na acção. Foi fácil imaginar este texto da Rute num palco, em forma de teatro. E só confirmou o que já sabia: que quero ler tudo o que ela escreve.

Deixo-vos playlist em @spotify com o título do livro. 🎼

Profile Image for Bárbara Tomé.
Author 1 book101 followers
November 24, 2018
Depois de ter lido e adorado o Ensaio sobre o Dever (Ou a Manifestação da Vontade), de Rute Simões Ribeiro, fiquei com imensa vontade de ler tudo o que esta autora viesse a escrever. E a verdade é que estou em falta para com a Rute, que amavelmente me enviou a sua segunda obra, A Alegria de Ser Miserável, e que eu ainda não tive oportunidade de ler.

Mas deu-se o acaso de O Escritor e o Prisioneiro, a sua mais recente criação, ter ficado disponível na Amazon no formato de ebook num dia em que eu precisava de me entreter e só tinha disponível o meu pouco-smart phone.

O Escritor e o Prisioneiro apresenta-se-nos como uma espécie de pitoresco conto e leva-nos numa intimista conversa entre enigmáticas personagens. Um prisioneiro chamado Tom procura um psiquiatra por acreditar estar louco ou na eminência de perder a pouca lucidez que lhe resta, e vai partilhando com o seu médico eventos que tiveram lugar no seu tempo de clausura. Destaca-se nos seus relatos uma presença, Otto, um escritor, que ele desconfia ser o principal motivo da sua alienação.

Rute torna-nos a nós, leitores, espectadores atentos de um estranho diálogo, e que pela sua estranheza nos prende numa leitura que é rápida e interessante, mas que, na minha perspectiva, se perde num final deixado demasiado em aberto. O Escritor e o Prisioneiro parece-me uma ideia (brilhante!) inacabada, queria saber mais destes personagens, mais do que se passou no cárcere.

E ainda que o mistério em absoluto possa ser o propósito da autora e eu consiga interpretar e encontrar razões para isso gostava genuinamente de poder ler mais uns quantos capítulos. Acredito que Rute Simões Ribeiro levanta ao de leve questões sobre a reabilitação após os erros, sobre os recomeços, faz-nos pensar como por vezes somos a nossa própria prisão, como são tantas as versões de nós mesmos que vamos experimentando consoante as vicissitudes da vida, como quem muda de casaco ao virar da estação.

A escrita de Rute mantém-se cuidada e de exemplar perfeição, coberta ainda das influências saramagueanas, porém dispensava por completo uma espécies de didascálias que foram introduzidas pelo texto e que a meu ver em nada o enriqueceram.

O Escritor e o Prisioneiro não deixa de ser uma boa companhia para uma café, ainda que não alcançando a genialidade do primogénito de Rute Simões Ribeiro.
Profile Image for Maria Homem de Mello (Maria By The Book).
19 reviews15 followers
August 25, 2021
No meu imaginário, O Escritor e o Prisioneiro montou-se, desde logo, como uma peça de teatro, um diálogo entre um prisioneiro e o seu psiquiatra, conseguimos vê-los perfeitamente no ambiente criado nesse consultório, uma conversa que é quase um monólogo do prisioneiro, intercalado esporadicamente pelo médico. “Era preciso saber se não estou louco”. E por isso ali estão.
Nesse quase-monólogo, Tom, o prisioneiro, conversa sobre o seu encontro na prisão com Otto, um escritor que dorme paredes-meias com a sua cela, “a parede que tanto nos juntava como separava” e há até uma certa premonição quando Tom explica que “Havia menos espaço entre mim e ele do que aquele que me distanciava do meu próprio companheiro” (de cela).
Otto confessa a Tom que está preso por ter cometido o crime de plágio, “mais especificamente, o crime de copiar um homem. A arma a literatura”. Chega, inclusive, a mostrar-lhe as cartas que lhe enviara o homem copiado, “Um homem desesperado por presença indubitável, por não ser confundido com a cópia, por não desaparecer na confusão da coexistência”.
A partir deste momento, Tom entra numa espiral filosófica, questionando a sua própria sanidade mental e nós com ele inevitavelmente arrastados: quem pisou a mão de Otto no chão, após ser espancado? Tom ou outro que não ele? Se por um lado se vê de fora a ver alguém pisá-lo, vê-se também no lugar daquele que o pisa. E quem incendiou a cela de Otto? E afinal, quem escreveu as cartas do homem copiado que apenas reclama: “Dê-me o meu nome e eu existirei tranquilo”.
Um enredo profundamente filosófico, uma grande metáfora sobre escritor e criação, autor e personagem, realidade e ficção. Achei o livro incrível, posso lê-lo e relê-lo e nunca acabo de o entender, mas levanto sempre mais um véu.
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