Depois que as bombas caíram. Depois que as cidades ruíram. Depois que os céus se escureceram. Quando os tiranos governavam impunemente e todas as esperanças pareciam perdidas. Testemunhe o nascimento de uma lenda. Um homem teimoso demais para morrer e um bruxo misterioso embarcam em uma movimentada jornada de vingança e justiça capaz de mudar a face do mundo onde vivem. Venha conhecer o sertão pós-apocalíptico de Peixeira & Macumba, onde faroeste e fantasia se misturam de forma explosiva e surpreendente! Do mesmo autor de Os Lugares do Meio e Deserto dos Desejos.
O livro conseguiu construir uma história de fantasia, com castelo, dragão e sobrenatural no meio do sertão. As motivações dos personagens são simples e claras, o que faz a história ter um ar de urgência. O problema, que me fez dar 4 estrelas, é o arco dos jornalistas que não passa de uma enorme barriga que não avança ou constrói nada para a trama. O cenário pós-apocalíptico é indiferente, em muitos momentos eu considerei estar lendo um western de época.
João dos Mistérios é um bruxo que vive no nordeste, em um cenário pós-apocalíptico que transformou as grandes cidades em cemitérios radioativos e tudo o que sobrou foi um enorme deserto. Após seguir o rastro de detruição de um misterioso combatente chamado Tião Peixeira, João o resgata dos mortos e propõe uma aliança pois está convencido de que o caminho dos dois tem algo em comum. O cenário é muito inventivo, com ares de Mad Max e O Livro de Eli, reúne elementos das clássicas histórias de espada e feitiçaria com uma roupagem brasileira e um belo toque de faroeste. O resultado é um livro sombrio, personagens cativantes e uma trama divertida. Foi uma ótima leitura.
Peixeira e Macumba é uma boa história de vingança que se passa no sertão - um sertão imaginário, se assim podemos dizer. Um povo à mingua, dominado pelo coronel Olho de Cobra e seus capangas militarizados, vive em meio ao medo e à desinformação. Verônica (filha de um cara influente) é editora do único jornal do interior e com seu parceiro jornalista, Leandro, tentará desvendar os mistérios envolvendo o surgimento de Tião Peixeira naquela região e os motivos que o levaram a assassinar muitos dos soldadinhos de Olho de Cobra.
A história é interessante, consistente. Mas às vezes a coisa se perde - em boa parte do livro Verônica e Leandro simplesmente somem.
E um erro bem crasso me decepcionou: em um dos capítulos, aparece o nome de Vanessa - com certeza alguém confundiu no lugar de Verônica. Isso é muito sério! Significa que nem o autor nem o revisor do texto deram atenção para uma das personagens principais do livro! Socorro!
Ainda, tem alguma coisa na linguagem que me incomodou. Algumas gírias, sabe? Algumas gírias meio paulistas, de repente, nada a ver com o contexto sertanejo. Mas ok. O enredo é bom, a gente fica curioso para saber como terminará a saga dessa dupla e, no fim das contas, rende um bom comentário sobre um livro do gênero terror adaptado ao sertão.
"História de vingança ambientada num faroeste semi norte-americano, semi-brasileiro, onde também elementos de fantasia se fazem presentes. Encontramos a repetição em ponto pequeno da economia injusta da ostentação bela e dispendiosa dentro de muros, restrita a poucos, mantida pelo sacrifício e pobreza de muitos. Os nomes acompanham a noção de identidade das personagens, indo além dos protagonistas. As descrições tanto directas quanto indirectas conseguem uma boa ambientação, e a narrativa mantém um bom fluxo, alternando com frases curtas ou mais compostas conforme o objectivo, sendo também o uso vocabular bem equilibrado. O facto de os capítulos se encontrarem subdivididos também facilita a leitura. (...)"
O que mais me atraiu a atenção nesse livro foi o título. Espada e magia dentro da cultura brasileira? Será possível? Sim, é possível. E não só é possível como é divertido demais. Uma história muito bem escrita, personagens fascinantes e tramas sensacionais contando histórias nossas, com nossos seres fantásticos e as formas nossas de derrotá-los que não deixa nada a dever a nenhuma fantasia de lugar nenhum do mundo. Veja, não é que eu não goste de um cavaleiro de full plate, portando uma viper e destroçando um minotauro. Acho bastante divertido. Mas um cangaceiro, com um par de peixeiras e acompanhado de uma mistura de Pai de Santo, com herbalista e ator teatral é tão delicioso que nada no mundo pode se igualar. É olhar um mundo fantástico e poder se enxergar ali. Mal comparando é como ver um ator brasileiro fazendo um herói do Brasil nesses filmes arrasa quarteirões repletos de efeitos especiais. É se enxergar num universo que encanta o mundo inteiro. Tudo nessa história é Brasil em todos os aspectos. Tem um pezinho na ficção científica, por se tratar de um futuro distópico, mas que te joga pra um mundo tão medieval que você embarca só na fantasia mesmo. E não tem nada de paternalista. É livro pra pessoas que querem ter sua inteligência respeitada. Tudo é muito bem encaixado e tratado de forma verdadeira em sua essência. É um termo clichê, mas não vou me furtar a usar: é um livro que tem o coração e a razão nos lugares certos. E a história está fechadinha, mas deixa espaço para outras aventuras e ampliação desse universo riquíssimo. Só posso terminar de um jeito: Tião Peixeira e João Macumba, quero muito encontrar vocês de novo.
Peixeira e Macumba (P&M) conta uma história de vingança situada no Sertão brasileiro em um cenário pós-apocalíptico. Como o próprio autor Paulo Rebello descreve: espada e magia no Brasil.
Eu sou suspeito para falar; adoro histórias pós-apocalípticas. Contudo, sempre que pensamos nesse gênero, as imagens que vêm a nossa mente são de um Estados Unidos devastado por algo. Mas o mundo não se resume a um único país; como seria o pós-Apocalipse em outros lugares? Este livro nos dá um gostinho sobre isso.
A história em si é regrada a bastante folclore e cultura nordestina. Muito bem feito.
O ritmo da história é bom. Eu queria ler tudo o mais rápido possível para saber o que aconteceria.
As críticas sociais do livro também são sutis e bem estruturadas. Gostei de saber um pouco sobre o autor e entender sua paixão em certos pontos da história. Isso abriu meus olhos para muitas das frases que ele usa no livro.
A leitura é leve, divertida em certos pontos, tensa em outros. Como disse, um bom ritmo.
Não fiquei muito contente em não saber muito sobre o que levou ao cenário pós-apocalíptico. O livro nos dá apenas algumas informações superficiais.
O final é bacana, mas eu particularmente preferiria um desfecho completo. Todavia, entendo a estratégia do autor. Espero sucesso sempre em sua jornada (se ler este review um dia).
O livro possui muita substância, como o setting distópico com diversas situações análogas ao Brasil atual, o coronelismo, o sertão… apresentando os personagens aos poucos, o autor consegue estabelecer uma situação que te informa ao mesmo tempo que prepara para o grande clímax no final.
Só me incomodou o retrato de algumas personagens femininas, a comparação ao bestialismo com personagens que possuem cicatrizes ou portam deficiências e o próprio dialeto do autor ao se referir e conduzir as histórias dos personagens não-brancos. Fica meio difícil acreditar que até num futuro nao informado temporalmente tenhamos como protagonistas homens brancos de olhos azuis, etc. esses são meus únicos pontos negativos na leitura, que foi bem positiva em geral.