Em determinados períodos, ser gordo era sinônimo de saúde e prosperidade. No início do século XX, por exemplo, alimentos ricos em gordura, como banha de porco e manteiga, eram símbolos de status e abundância, enquanto a magreza era associada à doença e à pobreza. No entanto, com a industrialização e o avanço da ciência da nutrição nas décadas de 1930 e 1940, esse panorama se transformou, e a obesidade passou a ser vista como um problema de saúde e um obstáculo à produtividade.
Os estereótipos relacionados ao corpo são amplamente influenciados pelos meios de comunicação, que frequentemente ridicularizam pessoas gordas, mesmo com a presença de conteúdos audiovisuais que procuram enaltecer pessoas com a forma corporal que fogem de padrões. Curiosamente, na literatura erótica de tempos passados, corpos volumosos eram valorizados, enquanto mulheres magras recorriam a enchimentos para aparentar curvas mais pronunciadas.
A obra propõe uma reflexão sobre a fluidez dos padrões de beleza e saúde, demonstrando que esses conceitos não são fixos, mas sim determinados pelo contexto histórico e cultural. Para aqueles interessados em história social, corpo e alimentação, o livro oferece uma análise aprofundada e bem fundamentada.
É uma obra com um bom repertório bibliográfico e que também está presente uma outra obra intitulada “A história da beleza no Brasil’’ pela mesma autora, no qual conhecemos as influências estrangeiras que a população brasileira tem há gerações sobre padrão de beleza e usos de dermocosméticos.
Ambas as obras possuem uma estrutura bem organizada, com capítulos que exploram os temas de forma aprofundada, embasados em estudos pré-existentes que reforçam a autoridade da autora em sua área. Além disso, a diagramação, aliada ao uso de fotografias e imagens, contribui para a qualidade do conteúdo e a força dos argumentos apresentados.