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Entre as Mãos

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Conduzido com precisão e movido por uma poderosa força que impulsiona todo o relato, Entre as mãos gira em torno de Magdalena, uma tecelã que, depois de um grave acidente, precisa retomar seus dias, reaprender a falar e levar consigo dolorosas cicatrizes — não apenas no corpo. Com personagens e tempos narrativos que se atravessam como fios trançados, este romance tem a marca de peça única, debruçando-se sobre questões como sobrevivência e ancestralidade, mas também amor e mistério a partir do corpo, do trabalho e dos gestos da protagonista, em duas fases de sua vida.

244 pages, Paperback

Published October 1, 2018

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About the author

Juliana Leite

2 books40 followers

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Displaying 1 - 12 of 12 reviews
Profile Image for Tiago Germano.
Author 21 books124 followers
December 28, 2018
A estrutura fragmentária do romance, seu componente mais perceptível num primeiro olhar, não é gratuita: ela tem uma intenção isomórfica, a trama literária dialogando com a fábula - a história de uma costureira que, logo às primeiras páginas, encontramos desacordada numa maca de hospital, sendo socorrida após um acidente do qual não temos muitos dados narrativos. As cenas iniciais são poderosas, bem como as primeiras costuras dadas nessa estrutura de vaivém temporal, que nos enreda na relação afetiva da personagem com um funcionário de uma agência de câmbio, um pequeno grupo de amigos e as tias distantes da protagonista. O acidente, cujos detalhes só conheceremos na segunda seção do romance (ele é dividido em três: "Trama", "Avesso" e "Linhas soltas") é um dos elementos de tensão que regem a leitura, que a mim pareceu de início esta tarefa quase compulsiva de ir cruzando e descruzando linhas, atando e desatando nós, para aos poucos nos depararmos com a estampa desta tela de crochê, se formando diante de nós. Nesse sentido, a estrutura me pareceu bastante atraente e eficaz na primeira seção do romance, mas foi se fragilizando ao longo das demais, enquanto fui notando que o acidente não guardava tantas relações concretas com o que é, a meu ver, o grande evento narrativo, talvez o clímax da primeira seção: guardando a descrição de spoilers, a cena ocorrida no banco de trás do carro. Depois, a estrutura talvez turve muito mais que revele as histórias de abandono e as pequenas tragédias que subjazem à trajetória da protagonista, tentando se recuperar em sua vida pós-trauma, num cotidiano essencialmente solitário e desamparado apesar da ajuda das tias e de um dos seus amigos. Solidão e desamparo. As palavras que, ao final, talvez se deixem entrever, quando movimentamos as agulhas afiadas da prosa de Juliana Leite na composição desta tela de crochê que ela gentilmente nos coloca no colo.
Profile Image for Alysson Oliveira.
386 reviews47 followers
August 10, 2021
Entre as mãos, ganhador de diversos prêmios, é um romance que, conforme a narrativa avança, se torna sobre as condições de possibilidade de se escrever um romance numa contemporaneidade fragmentada e incapaz de dar conta de um todo. Juliana Leite constrói um livro de experimentações, tornando-o cada vez mais etéreo e pulverizado. Gosto mais da primeira parte, na qual um rapaz aguarda nervosamente o que acontecerá com sua namorada que sofreu um acidente e está hospitalizada. No segundo segmento, a maneira de narrar se transforma, e é como se ele e ela fossem, ao mesmo tempo, os narradores. Na última seção, tudo se esfacela, as vozes narrativas se multiplicam.

O ponto de partida é um acidente grave, e, a partir disso, a recuperação da vítima, primeiro sob o ponto de vista de seu namorado, e, depois, dela mesma. Se e como é possível narrar é uma questão urgente a muitas autoras e autores contemporâneos, e, por isso, às vezes, soa um tanto exaustiva. Já se sabe de antemão que não é possível a existência de uma narrativa, nesse momento histórico, que dê conta de uma completude, por isso a indagação, nem sempre, soa tão frutífera quanto pode parecer. Quando começou a segunda parte, eu ainda queria saber sobre as pessoas e situações da primeira, mas o foco mudou, e, para mim, o romance foi se dispersando. Longe de ser um livro ruim – pelo contrário –, mas me interessaria muito mais acompanhar as trajetórias dos personagens centrais do que saber se eles conseguem contar essas trajetórias.
Profile Image for Rodrigo de Oliveira.
27 reviews
May 3, 2021
"Entre as Mãos" tem uma personagem central partida ao meio, e assim a narrativa se constrói, em duas partes, tendo como ponto em comum o atropelamento sofrido por Magdalena e todo o processo de sua recuperação. O primeiro capítulo, "Trama", se narra a partir da voz do namorado de Magdalena, desde o momento que se conhecem até o momento em que acontece o acidente (cuja recuperação, anunciando seu caráter de pós-escrito, surge em itálicos). Quando o segundo capítulo surge, "Avesso", percebemos que trata-se de um livro de narrador auto-consciente, e que ambos foram escritos por Magdalena. A diferença destas personalidades está simbolizada numa sequela deixada pelo acidente, as mãos deformadas que transformam a vida desta costureira, e que também transformam o modo como escreve. Primeiro, como o namorado, imaginando seu lado da história que fatalmente termina em abandono, supondo um encontro do namorado com seu "pai velho" que a criou (e que traz o momento de maior fôlego do livro, um monólogo deste pai velho que destrincha toda a genealogia de Magdalena). Segundo, como si própria, sempre às escondidas, até que finalmente confessa autora de si.

É curioso como "Entre as Mãos" é mais um destes livros brasileiros contemporâneos que leio onde o ato de escrever é narrativizado, é parte do enredo; onde o próprio objeto em que se escreve, as condições materiais deste ato estão narrativizadas, como se não fosse mais possível simplesmente narrar sem esta origem comum no real. Esta característica não faz com que a narração em si mude - Magdalena não fala diferente quando se esconde por trás da voz do namorado, e certamente é mais madura como autora do que como figura, dados os inúmeros episódios onde sugere-se algum nível de instabilidade mental nela. Essa auto-consciência joga contra o que é um relato duplo bem pungente, com momentos de brilho (a descrição de um aborto e de um estupro vêm a mente, mas mesmo quando é mínimo ao narrar cotidianidades como o pegar de um ônibus ou uma aula de costura, o livro vai muito bem). E isso tudo se torna indesculpável num terceiro capítulo desnecessário, chamado "Linhas Soltas", onde o que vêm à tona é justamente o reforço da auto-consciência com a reiteração de histórias já fechadas e uma camada extra de confusão que não serve à trama.

Nem todo romance precisa ser sobre a escritura do próprio romance. A maioria deles, inclusive, não deveria ser.

Um trecho memorável:

"Não contar aquilo para as tias", a frase dela repassando na minha cabeça.

A instrução para não comentar nada, não entrar no assunto, não mencionar diante das tias palavras como ultrassom ou tinha duas semanas ou ainda aquela explicação, "Está vendo este ponto branco aqui na imagem?, o ponto branco é ele", não diga para as tias que sente muito, assim como disse o doutor antes de carimbar o receituário: Tomar um comprimido agora e outro mais tarde, o doutor solícito, Ligar em caso de dor insuportável, mas antes de ligar, você sabe, suportar pelo menos um pouco, evite, evite dizer coisas como perdeu, você perdeu, ou mencionar detalhes como a porta do banheiro trancada, água quente na bacia, vapor ajudando na dilatação, toda aquela demora para esperar descer, esperar mais um pouco, esperar bastante e então sentir descendo, sentir o volume passando pelo tubo, o seu tubo dilatado pelo comprimido prescrito, vai sangrar?, um pouco, um pouco não, muito, fazer força, mais força, sentir o momento exato da expulsão e, nesse momento, resistir, resistir a amparar com os dedos, não faça isso, não ponha a mão, não olhe para ele, para o volume, não repare se há braços, pescoço, testa, uma pequena veia na testa, e olhos, uma membrana cobrindo os olhos, não repare, não ponha a mão, deixar cair na privada, isso, dar a descarga antes de se erguer, dar a descarga por tempo suficiente para que algo grande passe pelo cano, e depois, há depois?, absorvente noturno fluxo intenso, aquele outro comprimido prescrito, o que faz dormir, o que faz não sentir o sangue, o sangue descendo pela passagem agora menos dilatada, e na manhã seguinte também, outro absorvente fluxo intenso, outro e mais outro até que nada saia pelo tubo, até que nada mais desça e o corpo volte a ser um corpo sem resíduos, sem mancha na calcinha, sem nada a revelar para as tias - eu repetindo a frase dela na minha cabeça, "Não contar nada disso".

(Editora Record/2019, p.32-33)
Profile Image for Alexandre Alliatti.
7 reviews2 followers
November 8, 2018
"Vai ficar tudo bem", nos diz o livro.
E mesmo que não fique, enquanto existirem escritoras como a Juliana, sobreviveremos.
Author 10 books13 followers
August 15, 2019



Existem livros que aguçam o nosso olhar para a realidade cotidiana e "Entre as mãos" é um deles. Escrito de modo bastante experimental, mesclando vozes e tempos diferentes, é uma leitura cuja compreensão não se dá de imediato, leva um tempo para que possamos nos situar. É preciso que o leitor trabalhe juntando os fios para poder ver o tapete pronto, ou seja, o tapete não se mostra todo de uma só vez, ele é construído pelas diversas vozes/personagens do romance.

Em certo momento, surge essa frase: "Sim, você respondeu, eram muitos metros, ia precisar de três tramas, no mínimo." p.172. Da mesma forma, esse livro acontece em três partes. Interessante poder o leitor descobrir essa trama por ambos os lados, vimos a tecitura, o avesso e as linhas soltas.

Penso ainda sobre a autonomia do trabalho da artesã e em quanto isso nos remete ao trabalho do escritor. Esse ofício que também lida com tramas. Gosto, em especial, da cena em que Magdalena pega um ônibus para se encontrar com sua aluna violinista. Acho que isso se deve à habilidade descritiva da autora.

Uma personagem que me cativou foi a tia doida.

Esse romance demanda uma participação/ parceria do leitor e uma calma de fruição. Se o leitor aceitar suportar essa sensação frente ao desconhecido, poderá, depois, perceber o quanto os fios se entrelaçam e fazem sentidos.
Profile Image for Leonardo Tonus.
Author 10 books6 followers
July 16, 2020
Excelente livro com estrutura narrativa impactante. Recomendo a todos e a todas.
Profile Image for Klissia.
854 reviews12 followers
February 14, 2022
Sinto que algumas obras da literatura brasileira contemporânea são apenas exercícios de escrita criativa,não tem " verdade" ,nem agudeza em estória e personagens...
Profile Image for Ana Catharina.
5 reviews
August 1, 2025
Primeiro capítulo fez meu coração pular. Mas acho que não entendi o livro da forma como deveria
Profile Image for Alejandro.
54 reviews
June 3, 2019
Obra confusa, difícil de acompanhar e de se apegar. As múltiplas vozes foram uma escolha de estilo incorreta, já que impossibilita por inúmeras vezes que assimilemos o que a autora pretende contar. É como se fossem recortes que não fazem sentido em conjunto. Sendo um vencedor do Sesc Literatura, esperava muito mais.
Profile Image for Alan Henrique.
135 reviews2 followers
Read
May 24, 2019
Ainda tô digerindo esse livro, preciso pensar um pouco antes de falar sobre ele. Mas, a princípio, gostei bastante.
Displaying 1 - 12 of 12 reviews

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