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Em busca do desenvolvimento perdido: um projeto novo-desenvolvimentista para o Brasil

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A economia brasileira cresceu de forma extraordinária até 1980. Depois, cresceu a uma taxa quatro vezes menor até 2014, quando entrou em grave recessão. Desde 2017, voltou a crescer, mas muito lentamente, enquanto uma direita liberal e uma esquerda desorientada nada têm a oferecer ao país. Quando o Brasil voltará a ter um projeto de nação e desenvolvimento? As elites liberais dizem que isso não é necessário - que basta disciplina fiscal, o resto o mercado resolve. A esquerda populista diz que basta aumentar a despesa pública e os salários. Para Bresser-Pereira, esses dois caminhos estão equivocados. Ele concorda com os pós-keynesianos, que é preciso manter a demanda agregada, e com os desenvolvimentistas, que é preciso reindustrializar o Brasil, mas é preciso mais do que isso.

168 pages, Paperback

Published January 1, 2018

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Luiz Carlos Bresser-Pereira

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Profile Image for Mariana.
136 reviews2 followers
June 30, 2023
Em busca do desenvolvimento perdido é uma obra síntese muito completa das ideias novo desenvolvimentistas pela ótica do Bresser-Pereira, um dos grandes nomes na economia da atualidade. Li como forma de estudo para a matéria de Desenvolvimento Econômico I da faculdade e valeu muito para entender melhor esse modelo econômico e as ideias do Bresser em si. Sinto que ele é muito sóbrio em vários momentos, ao mesmo tempo que acaba sendo um pouco idealista. Em suma, valeu muito a leitura por ser muito explicativa e fácil de ler, sem contar que são menos de 200 páginas. Em duas sentadas você consegue ler a obra. Recomendo.

"O populismo liberal se expressa na política de crescimento com endividamento externo e na consequente defesa de déficits em conta-corrente crônicos e elevados que apreciam a moeda nacional e aumentam o consumo dos rentistas ao invés do investimento, e na defesa de taxas de juros injustificáveis que, além de apreciar a moeda nacional, representam uma captura do patrimônio público pelos rentistas e financistas." (Posição 147)

"Os governos desenvolvimentistas são tentados tanto pelo populismo fiscal como pelo populismo cambial, e com certa frequência caem nos dois erros. Já os governos liberais incorrem necessariamente no populismo cambial, e, no caso do Brasil, também no populismo fiscal." (Posição 369)

"Nos períodos em que o regime de política econômica foi liberal não ocorreu crescimento acelerado, porque o liberalismo econômico não é compatível com um projeto de desenvolvimento; porque, nos países em desenvolvimento, defende taxas de juros elevadas e déficits em conta-corrente que implicam apreciação cambial de longo prazo e inviabilizam o desenvolvimento industrial; porque os ajustamentos que pratica são “ajustamentos internos”, que envolvem apenas ajuste fiscal e pesam fortemente apenas sobre os trabalhadores, ao invés de promoverem também a depreciação cambial e, assim, pesarem também sobre os rentistas— inclusive a classe média rentista. O liberalismo econômico é incapaz de promover o alcançamento, mas isso não impede que uns poucos economistas neoclássicos façam a crítica competente das políticas liberais e proponham políticas econômicas que, afinal, são desenvolvimentistas, porque envolvem limitada, mas efetiva, intervenção do Estado." (Posição 422)

"A macroeconomia novo-desenvolvimentista parte de um princípio contraintuitivo: países de renda média como o Brasil não precisam de capitais externos para se desenvolver. Ainda que lhes faltem capitais e divisas estrangeiras, o déficit em conta-corrente com que pretendem “resolver” essa falta deprime os investimentos e dificulta o desenvolvimento econômico em vez de promovê-lo. O argumento a favor do endividamento externo é o de que déficit em conta-corrente é poupança externa, e que a poupança externa e a poupança interna são iguais à poupança total, que sempre é igual ao investimento." (Posição 563)

"Já a proposta novo-desenvolvimentista é mais completa: realiza o ajuste fiscal, mas, ao mesmo tempo, reduz a taxa de juros de forma determinada e, por meio da política cambial anteriormente referida, deprecia a moeda. O resultado dessa segunda forma desenvolvimentista de ajuste será duplo: um ajuste mais completo tanto da conta fiscal como da conta externa do país, e uma distribuição mais equitativa do custo do ajuste entre trabalhadores e rentistas. No ajuste liberal, caracterizado pela austeridade, os custos do ajuste recaem apenas sobre os assalariados; no ajuste novo-desenvolvimentista, a quota é distribuída entre assalariados e rentistas." (Posição 749)

"Como explicar esse descaso pela educação do povo brasileiro? Eu vejo uma explicação geral para isso: o preconceito social e racial da elite branca ou branqueada contra a massa da população brasileira que é negra ou mestiça; o desprezo com o qual a elite branca olha para seus concidadãos. Esse desprezo está assinalado de maneira clara e incisiva pelo sociólogo Jessé Souza em suas pesquisas e análise da sociedade brasileira (Souza, 2017). As elites brancas de classe alta e de classe média tradicional mal escondem seu desapreço pelo terço mais pobre e excluído da população, pela massa de negros e mestiços que ainda não lograram superar a condição de escravos não obstante a abolição da escravidão de 1888, pelos brasileiros que Jessé chama provocativamente de “ralé” porque assim eles são tratados. O recente interesse das elites brasileiras pela educação fundamental não decorreu da mudança de sua atitude em relação às classes populares, mas decorreu da conquista por elas do sufrágio universal em 1986. Desde então o “povão” tem o poder de eleger o presidente da República, viu em Lula o líder carismático capaz de defendê-lo, surgiu o fenômeno que André Singer chamou de “lulismo”, e a elite percebeu que não pode continuar a ignorá-lo." (Posição 1103)

"O Brasil deixou de crescer satisfatoriamente quando os brasileiros e particularmente suas elites econômicas, políticas e intelectuais perderam sua ideia de nação. Eu sou radicalmente crítico do nacionalismo étnico, mas acredito que o nacionalismo econômico é uma condição para o desenvolvimento e o alcançamento do Brasil." (Posição 1531)

"A palavra câmbio aparece muito raramente nos seus artigos e entrevistas. Como eles são intelectuais orgânicos dos rentistas e financistas, além de não falar em câmbio, eles não falam no saldo em conta-corrente; seu interesse é apenas pelos déficits fiscais que consideram em princípio elevados e exigindo ajuste. São, assim, curiosamente contraditórios. Aceitam déficits em conta-corrente que são sinal de populismo cambial, enquanto rejeitam déficits públicos que são sintoma de populismo fiscal. Deveriam ser contra os dois tipos de déficit, e reconhecer a correspondência entre o saldo em conta-corrente e a taxa de câmbio." (Posição 2122)
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