Em A invenção do direito: As lições de Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes., José Roberto de Castro Neves nos convida a conhecer o direito a partir de uma viagem às origens da nossa civilização. Em um texto leve e, no entanto, de reflexão sofisticada, o autor nos conduz às tragédias gregas – como Prometeu, Antígona e Medeia – que originaram diversos dos dilemas que impulsionaram a invenção do direito. Os capítulos, construídos a partir da visão inovadora de José Roberto, são entremeados por essas belas histórias que tornam a leitura e o conhecimento do direito muito mais prazerosos. Um texto cativante traz para os dias de hoje alguns dos mais importantes registros históricos que atravessaram séculos e moldaram o mundo.
José Roberto de Castro Neves percorre as obras de Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes para nos mostrar as fontes míticas e históricas da instituição do direito. Ele é muito bem sucedido em seu empreendimento, conduzindo de maneira clara e não cansativa o leitor por uma trilha que se revela não apenas rica de conhecimento e saber, mas também prazerosa.
O autor sublinha e nos deixa ver como as tragédias, escritas entre 500 e 405 a.C. (e as comédias), permitem identificar a invenção do direito como instituição. O livro também se faz pelo diálogo com outras obras clássicas como a Ilíada e a Odisseia, com a presença da mitologia e da etimologia, assim como com a circunscrição histórica dos acontecimentos narrados.
Neves sinaliza o que tem sobrevivido no direito desde suas experiências primeiras. No mesmo movimento, deixa ver o que não mais permanece naquela instituição. Seria interessante, e resta por ser feito, contudo, apontar se algo de fundamental perdeu-se na noite dos tempos e o que, eventualmente, essa perda tem a dizer sobre a prática do direito hoje e seu lugar na sociedade atual.