“Dama de Paus” conta a história de um crime em Minas Gerais. Ao retornar do velório da neta, Damiana, a narradora, intercala sua história e a das filhas com a conversa que ouve, pela porta entreaberta do seu quarto. Na conversa em volta de uma mesa de buraco quatro mulheres comentam um crime ocorrido três anos antes. Ao mesmo tempo, Damiana descobre segredos ao ler o testamento deixado pela neta que se suicidou. O poder personalista e o provincianismo se combinam no seio da família influente na cidade de Pedra Bonita do Paracatu, mas a narrativa coloca as relações pessoais e as emoções em primeiro plano. A princípio parece que estamos falando de um crime de honra à moda antiga até perto do final quando segredos são revelados. O romance, que se passa em único dia, se encerra com um capítulo escrito dez anos mais tarde, quando a narradora reflete sobre o passado.
Vou começar a resenha com um "disclaimer": Decidi que, por um tempo, só irei ler livros nacionais. Não sei por quanto tempo farei isso, mas o que não falta são autores/autoras e obras incríveis escritas nesse brasilzão. Sem contar os preços super acessíveis para comprar no kindle ou acessar pelo programa Unlimited.
Enfim, depois de ler alguns contos, decidi pegar esse livro da Eliana Cardoso. Não conhecia a autora, mas o fato da obra ter sido vencedora do Prêmio Kindle de Literatura de 2018 foi um grande incentivo.
Posso falar, sem dúvidas, que foi uma das melhores leituras do ano. QUE LIVRO! Uma história curta, cerca de 150 páginas, mas profunda, relacionável e muitíssimo bem escrita. Inclusive, é um livro com carga emocional bem forte.
Não costumo ler sinopse, mas dessa vez havia lido e me surpreendi por achar que seria uma história bem diferente. Por se passar na década de 70, a autora consegue encaixar críticas pontuais e excelentes sobre certos costumes da época. Um livro recomendadíssimo, de verdade.
É uma merda que eu sempre dê preferência, mesmo que inconscientemente, à livros gringos quando tem tanto livro brasileiro foda para ler. Porém, estou tentando mudar isso e "correndo atrás do prejuízo"!
Esse é um caso raro em que eu acho que faltaram páginas. A história de fato é bem interessante, e de todos os vencedores/indicados ao prêmio kindle, esse foi o meu favorito até agora. Amo a ideia de aristocratas cheios de segredos e ressentimentos entre si, mas existem personagens e momentos que poderiam ser melhor desenvolvidos; um final um pouco menos em aberto ajudaria.
Misogonia, conservadorismo, varrer os problemas para debaixo do tapete, relações familiares supérficiais: daria para passar horas avaliando e pensando em tudo que acontece neste curto livro.
Dama de paus não é uma história ruim, mas infelizmente eu achei que faltou mais desenvolvimento e um aprofundamento ainda maior. Uma história de família aristocrata permeada por violência, segredos, fachados e mortes. É um enredo que renderia uma ótima novela das seis.
Acredito que tenha sido a intenção da autora deixar um final dúbio e para assim como Damiana, a personagem que narra a histórias, os leitores não tivessem certeza do que aconteceu. Infelizmente, eu gostaria que tivesse um final mais certeiro. Mas estórias narradas em primeira pessoa sempre tem dessa desconfiança.
Entretive-me, mas não me apeguei. Se fosse um pouco mais profundo e um história contada ao longo dos anos como Éramos seis provavelmente eu teria gostado mais.
Dama de paus é um romance que se passa em um único dia e que, coincidentemente, pode (deve?) ser lido em um único dia.
Em suas 139 páginas, a autora consegue criar personagens cativantes, que não soam "forçados", e situações palpáveis, onde cada detalhe é importante para a construção da trama principal.
A escolha pela narrativa em primeira pessoa e um texto com poucos floreios são, para mim, a chave do sucesso deste romance, pois conferem um ar intimista, mas às vezes duvidoso ao enredo; isso faz com que o leitor crie opiniões próprias a respeito de certas situações-chave.
Obs: se alguém tiver entendido o título me explica por favor huahua.
Fiquei na dúvida de quantas estrelas conceder a Dama de paus. Um dos critérios para 4 ou 5 estrelas é: ler tudo de uma vez só ao mesmo tempo que não me incomodo com personagens e nem me sinto enganada.
Um assassinato que se mantém misterioso até o último minuto e um suicídio ligado a esse mesmo evento é o fio narrativo de Dama de paus. As personagens que falam no romance são todas mulheres. Apenas em segundo plano temos vozes masculinas.
O romance revela episódios de machismo descarados, e isso torna o assassinato de Flora um enigma. Foi morta por que pediu o divórcio? Por que teve um amante? Estamos na MG do final dos 60, início dos 70. O cenário é ainda mais complexo...
Recomendo. Não é algo que me apaixonei e vou reler, mas vale a adrenalina.
Livro com temática interessante, mas que peca por algumas questões em relação ao tom (em alguns momentos é panfletagem e em outros, um novelão) e ao desenvolvimento narrativo (que foca em narrar os fatos ao invés de desenvolvê-los em cena). Um punhado de erros de revisão também incomodou a leitura, que pelo menos se mostrou rápida.
"A violência rotineira é o terceiro membro de uma dupla para completar o inevitável triângulo amoroso. Depois do abraço que machuca vem o que consola, no círculo vicioso da artimanha que devora suas vítimas até o osso".
Quando li, achei o livro genial; hoje, vejo que é apenas mais do mesmo, cheio de inconsistências — mas ainda assim, uma leitura que vale a experiência.
O enredo é interessante e o suspense bem construído. Tem ali um Q de drama familiar bem novelesco com segredos, intrigas e toca em pontos importantes como moralismo, machismo, etc... Coisa bem cotidiana e comum, principalmente em cidades do interior. Ao mesmo tempo, é um pouco arrastado, eu queria desvendar o suspense, mas não estava realmente ligando para os personagens e seus dramas em si, se o livro e os personagens tivessem mais páginas pra se desenvolver, talvez eu fosse mais tocada pela estória. Pra resumir: bom livro, mas considero esquecível.
Achei muito arrastado e não consegui me envolver na história. Apesar da escrita ser boa, demorei quase duas semanas pra terminar esse livro que beira 130 páginas
Uma história tão, mas tão mineira... quem já morou no interior de Minas reconhece bem todo moralismo, hipocrisia e os segredos escabrosos típicos da Família Tradicional Mineira.