Marcial tinha "língua afiada". Os seus epigramas satíricos não poupavam conhecidos e desconhecidos. E faziam caricaturas de personagens da sociedade romana do Séc. I d.C..
São vários os seus temas: a relação entre patrão e cliente, os parasitas (por ex. que se faziam convidados para jantar), a importância da aparência e, portanto, tudo o que se fazia para a melhorar, a ostentação dos ricos, os famosos banquetes, a vaidade, a ambição, a desonestidade, a devassidão de uns e outros. Pelo meio alguns epigramas sobre amizade, nomeadamente em forma de homenagem a escravos amigos de Marcial que morreram. E epigramas sobre a vida no campo, e o desejo de Marcial de a ela regressar.
"És bela, já sabemos, e donzela, é verdade, E rica, quem é que o pode negar? Mas, Fabula, quando te louvas demais, Nem és rica, nem bela, nem donzela." (p. 75)
"- Quinto ama Taís. - Qual Taís? - Taís, a zarolha. - Taís não tem um olho, ele não tem os dois." (p. 132)
Ler estes epigramas também é uma forma de conhecer um pouco da cultura romana, das atividades do quotidiano e dos vários "esquemas" (alguns de sobrevivência) presentes numa sociedade com extremas desigualdades sociais.