Beto leva uma vida normal, dividida entre um emprego no escritório de advocacia da mãe, almoços com os colegas de trabalho e os discos das suas bandas de rock preferidas. Até que seu mundo vira de cabeça para baixo quando depara com Helena, pessoa de quem foi melhor amigo na adolescência e que hoje é uma mulher trans. Se em um primeiro momento Beto fica obcecado em compreender a transição que ela enfrentou, logo passa a questionar outra realidade: a sua própria. Revendo privilégios e preconceitos, ele descobre que precisa escolher um lado. O preço disso, porém, pode ser mais alto do que imagina.
"Supernormal não é exatamente um livro sobre nós, pessoas trans, mas sobre uma personagem que, ao estranhar nossa existência, passa a estranhar a sua própria e os motivos que tornariam temerária nossa tão característica ousadia de lutar pelo que somos e pelo que dá sentido à nossa vida." — Amara Moira, travesti, doutora pela Unicamp e autora de E se eu fosse puta
O que eu mais gostei desse livro foi como todos os comentários/pensamentos preconceituoso, as microagressoes foram tratadas e rebatidas como ERRADAS ao longo do livro. Gostei de ver como o Beto foi se desconstruindo ao pouco, gostei como ele mesmo pisou feio na bola com a Helena (mesmo ele se considerando um Nice Guy(TM)). Gostei que o autor como homem cis não tentou contar a história de uma mulher trans, mas sim de um homem cis que tem uma amiga trans e aprende a superar suas crenças limitantes/preconceituosas.
Dito tudo isso, só fica um gostinho amargo porque é um livro com temática lgbt mas protagonizado por um homem cis e hétero. Quero ver e ler histórias lgbt protagonizadas por personagens lgbt, escritas por autores lgbt, quero ouvir as vozes vindo de dentro da comunidade, mas sei que isso não vai acontecer de um dia pro outro e que esse livro é importante pra ajudar muita gente a abrir os olhos e a mente. Acredito que o autor fez um bom papel como aliado a causa LGBT e fico feliz por isso.
Agora quero livros com a Helena e a Lara como protagonistas, por favor e obrigada.
Sobre a escrita, achei fluida, e leve, mas não me marcou em nenhum momento.
Ok, eu não sei se eu tinha uma expectativa diferente sobre o rumo que a história tomaria, mas ao terminar esse livro eu tô sentindo como se tivesse faltado alguma coisa. Reconheço que ele tratou de temas muito importantes, e apesar de incomodar, sei que era essa a intenção do autor ao colocar falas preconceituosas vindo do Beto, porque era pra retratar seu processo de desconstrução. Mas eu não sei se um livro cujo protagonismo está no homem cheio de privilégios que de repente descobre que *surpresa* nem todo mundo tem as mesmas oportunidades que ele é a melhor representação da luta que a comunidade LGBTQ+ trava. Se essa não foi a intenção do autor é compreensível. Parecia que todos os personagens orbitavam ao redor de Beto, sem desenvolver narrativas próprias. Até a Helena, que ele tentou construir como uma mulher forte e independente, acabou sem personalidade, e parecendo um guia para o homem hétero de como lidar com as desigualdades do mundo. Gosto que o Beto estava completamente disposto a rever todos os seus conceitos ao ponto de até desistir de uma carreira construída por anos, mas queria que o livro fosse mais que a crise do retorno de saturno dele. Acho que o problema pra mim foi que ele tentou abordar a temática LGBTQ+ a partir de uma perspectiva cis-hetero, e isso querendo ou não mina a profundidade que a história poderia ter.
com a simples premissa de "desmistificar a diversidade", supernormal apresenta beto, um homem tomando consciência dos privilégios que o cercam no meio da sociedade ao reencontrar um amigo de infância transicionado em uma mulher adulta, helena. ele se vê numa espécie de jornada para se tornar um "cara legal". o resultado é uma representatividade torta.
as mudanças ocorridas na vida de beto se dão em função da presença cada vez mais constante de helena, que se torna uma espécie de coach queer, tornando o livro uma (não tão) grande aula de representatividade. uma aula, contudo, para um público muito específico. quase um Representatividade para leigos™. o problema é que a comunidade LGBTQ+ não precisa mais —se é que realmente já precisou — ser explicada, principalmente para ela mesma. é como explicar o feminismo para uma mulher.
dentro de uma escrita bastante crua, impaciente até (de uma forma boa, acredite), sem intenções de se demorar muito com floreios, é possível ver a boa intenção do autor. é claro que esse livro tem seu mérito, como todo guia básico. é só que as formas mais plurais de vida, as vidas marginalizadas e dadas como invisíveis, não são dobráveis, diminuíveis, a ponto de adaptarem-se a guias básicos. a "anormalidade" não tem nada de básico. lhe falta substância para ser realmente supernormal, ou pelo menos o nosso normal.
Então, esse livro teria sido bem legal se o Beto não fosse tão detestável.
Gostei bastante da escrita do Pedro mas acho que esse livro só seria realmente efetivo para pessoas que provavelmente não o pegariam para ler?? Nesse caso, pessoas parecidas com o protagonista. O que não é o meu caso. Eu basicamente detestei o Beto durante grande parte do livro pois ele é um branco rico muito chato, sem consciência de tudo e sem noção... Achei que ao final do livro o Beto seria uma pessoa diferente, mais consciente e efetivamente faria alguma mudança em seu contexto e, tendo em vista como ele era no início, ele de fato evoluiu mas não evoluiu tanto assim também. As ações que o Beto tomou no final do livro apenas sedimentaram o egoísmo do personagem. Quando eu achei que ele faria uso de seus privilégios para transformar o escritório e causar alguma mudança positiva (seja contratando mais mulheres, pessoas não brancas, lgbtqiap+ e etc, começando um projeto social, direcionando o escritório para defender vítimas de violência doméstica etc etc) ele simplesmente olha pro próprio umbigo, joga tudo pro alto e vai atrás de uma melhora pessoal e não de uma coletiva...
A Helena foi praticamente uma anja e, a meu ver, só sedimentou a falsa crença de que toda pessoa de alguma minoria tem a obrigação de ficar ensinando tudo para todos (quando pessoas como o Beto poderiam muito bem sair da sua zona de conforto e tentar entender mais sobre as realidades de outras pessoas). Tudo bem que a Helena pode não se importar em explicar e tirar dúvidas mas o jeito que ela perdoou completamente e super facilmente o Beto depois do que ele fez no final e aceitou ele novamente como amigo, como se nada tivesse acontecido, me pareceu um tanto inverosímil.
Enfim, não sejam como o Beto. Se você é uma pessoa privilegiada como ele, após se educar, tente educar outras pessoas como você. Ser aliado não significa apenas enxergar e combater o seu próprio preconceito mas sim apontar e combater o preconceito de outras pessoas como você.
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Preguiça demais desse livro. Pareceu super sem coerência o fato de que o protagonista hétero cis que teve uma adolescência livre e descolada, tenha se tornado um cara travado que não conhecesse nem o significado de digital influencier. E a amiga trans ter que ficar o tempo todo sendo validada por ele? Ah pq ela fala alguma coisa e ele analisou que não era pretensiosa. Ah pq fez uma coisa e ele observou que não era forçada. Só descobrir depois da amiga trans que os amigos de antes são preconceituosos. Gente? Como assim? Ate quando esses personagens salvadores de hétero que era babaca é é só retratado como bocó é ingênuo. Não curti mesmo. O conhecimento do cara sobre cultura pop é muito contraditório com as surpresas que ele vivência enquanto curte a vida ao lado da amiga e se renova como ser descolado. Bem ruim esse livro, sopa de clichês sobre ser livre e como é fácil ter sexualidade fluida. Pouca coisa faz sentido, a não ser o fato de que é escrito por um hétero cis branco rico que se acha desconstruído. ¯\_(ツ)_/¯
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Gostei da linguagem simples e direta. As personagens tratam de temas atuais e necessários de forma leve e sem didatismo. Quando parecia cair na pieguice, a história tomava outro rumo. Aprendi no romance algumas definições que escuto há algum tempo, mas que ainda não tinham sido bem entendidas.
Gostei bastante! Achei o livro bem divertido e esclarecedor, no sentido de nos mostrar uma realidade que não existe apenas na ficção, ela existe no mundo real e infelizmente ainda é tratada como foi abordada na trama, com preconceitos, julgamentos e asco do diferente, que na hora nem é diferente, mas por ser fora do que consideram "normal", é um ponto fora da curva. Adorei conhecer a Helena, como ela é tão bem resolvida com sua transexualidade e como fez o Beto ver o mundo fora da bolha dele, fazendo-o ver como há muitas possibilidades e diferenças no mundo, e que é preciso respeitar tudo e todos, além de se impor quando o errado tenta predominar.
As partes preconceituosas me incomodaram, mas sei que a realidade é assim, infelizmente, então achei que foram bem descritas. Gostaria que o livro fosse maior, é uma leitura tão gostosa, uma hora você está conhecendo os personagens, em outra você está rindo discretamente, em outras quer ser amigo dos personagens. Me identifiquei com as músicas, as referências e acima de tudo, que fez o personagem principal mudar suas opiniões que até então eram bem rasas e preconceituosas. Queria muito uma versão da Helena em outro livro, ia ser massa!
primeiro livro que não sei como avaliar com estrelas aqui nesse site e na verdade não sei nem como avaliar com palavras. eu gostei dessa leitura, gostei mesmo, achei os personagens muito cativantes, bem construídos e tridimensionais. a história também é muito boa, escrita de modo superbem, não tenho do que reclamar das questões técnicas.
o que me pega mesmo é como a narrativa é conduzida. aquele estilo 'quem é você, alasca?’, onde a protagonista livro é narrada por outro personagem. isso é muito maluco, porque se o livro fosse narrado pela própria helena seria muito melhor, muito mais grandioso, ainda que eu entenda a escolha do autor de dar foco a ela sem ela ser realmente o foco. os pensamentos do beto às vezes me incomodava demais, e ainda bem que ele sabe que estava errado e foi atrás de mudar, por isso cuidado aos possíveis gatilhos de transfobia.
enfim. é um livro lgbtqia+ sem ser narrado por um personagem lgbtqia+. serviu para eu aprender muita coisa, porque além de tudo é um livro muito didático também. o autor soube pesquisar e foi muito responsável com a sua proposta.
leiam e tirem suas próprias conclusões (e avaliações, rs)
No início - na verdade, até o meio -, o Beto me irritou um bocado. Achei que aquilo tudo era um show desnecessário de um homem cis, hétero, branco e de classe média alta. Entretanto, depois começa-se a ter um pouco mais de sensibilidade e entender que este livro é importante. Importante para o processo de desconstrução de pessoas que não tiverem ou não têm acesso à teorias mais elaboradas de gênero; importante para o senso comum; importante para atingir quem precisamos atingir.
No fim, diria que eu dou um 3,5(5), mas por minha bagagem individual. Se fosse avaliar somente o nível de importância da obra para a sociedade em geral, daria um 4,5(5). Obrigada por se propor a escrever esta história e por disponibilizá-la gratuitamente, Pedro!
(a versão digital do livro está grátis na Amazon durante a quarentena).
ROMANCEEEE este livro tem muito muito romance!!! Esta leitura é muito agradável já que. em mim pelo menos, fez lembrar aquele primeiro namorado, essas primeiras aventuras, e para as pessoas LGBT+, é um livro de primeiro romance. Fazem falta mais livros assim, romantizando as situações, normalizando o amor, este aqui cumpre com isso. Eu tivesse gostado se explorasse um pouco mais o lado da família, solução de conflitos e outros, mas. não e o caso. Recomendo!
Leí el libro sin fijarme en el año de publicación. Me sorprendía lo actual que era hasta que ahora al finalizar descubrí que era del 2018. Todos necesitamos ser Beto en algún momento de nuestras vidas: descubrir realmente qué es lo que queremos en nuestras vidas para ser "um cara legal".
Gostei muito, simples, direto, super acessível pra qualquer pessoa que quiser entender um pouco sobre Transgênero ou tbm pra entender o processo de pessoas fora da bolha ao tentarem se adaptar as desconstruções.
Acho que o livro contém AULAS que deveriam estar na grade escolar, por exemplo. Explica assuntos delicados, dos quais muitos de nós desconhecemos (mas nao deveríamos), de forma leve. Vale a pena a leitura em qualquer idade.
li porque adoro o autor como pessoa. foi o livro que me fez tornar leitora de verdade, li em uma madrugada, do nada, em 2020 e depois disso, tudo mudou. sou grata a ele.