Após mais de quarenta anos de evolução é hoje possível avaliar a história da Internet e dos novos media assentes nessa rede de redes de computadores. É sobretudo possível contrastar os novos media com os meios de comunicação clássicos. A partir da caracterização dos meios de comunicação clássicos, são identificadas as linhas de ruptura e de continuidade que os meios digitais em rede introduziram no campo da comunicação de massas. Considerando a dimensão tecnológica e o papel das dinâmicas económicas, bem como a ação do poder regulador e a presença de uma estrutura social cada vez mais igualitária, a obra começa por traçar a emergência e o percurso histórico da imprensa até ao século XIX, após o que analisa a maneira como a rádio se constituiu como o paradigma da comunicação de massas durante o século XX. É esse paradigma associado ao broadcasting tradicional que os novos media alteraram profundamente. Assentes no computador enquanto tecnologia de base, constituindo efetivamente redes, mostra-se como os novos media contribuem de forma determinante para a lenta erosão das instituições tradicionais e para a instauração definitiva de um regime de comunicação cada vez mais imanente a si próprio.
O início do livro deixou-me expectante para a segunda parte, mas deparei-me então com uma série de considerações computacionais sobre a forma de trabalhar dos novos média que não foram muito do meu agrado. Acabei por decidir dar 2 estrelas ao livro no todo, mas existe uma secção na página 257 da minha edição que é completamente magistral e que me fez subir, de um sopro, a avaliação do livro. Reproduzo-a aqui:
"Na origem das distribuições em forma de lei de potência das novas plataformas de comunicação encontra-se o desejo: o contribuidor produz porque deseja o desejo do outro (a sua atenção), onde 'desejar o desejo do outro' é um único desejo. É definitivamente em termos do desejo que os novos meios de comunicação de exibição pública devem ser caracterizados. Os novos meios são espaços de uma troca generalizada que exibe os desejos individuais recíprocos. Esse movimentos pode ser pensado - sempre na modalidade de uma norma de juízo e não como uma realidade empírica plena - enquanto autonomia e diferenciação universal de cada um; todos aspiram idêntica ou indiferenciadamente à diferença manifesta na singularidade tornada pública de cada um. As diferenças oscilam cada vez mais e caminham para a indiferenciação visto cada um poder ocupar, cada vez mais simultaneamente, a posição central da diferença que reside em ser o objeto de atenção. Todos são - potencialmente, tendo em consideração a assimetria na atenção que as distribuições em forma de lei em potência revelam - indiferentemente objeto e sujeito da atenção presente na conversa generalizada. Imitando o tornar-se público de cada um, cada indivíduo torna-se simultaneamente o modelo e o imitador de cada outro."