Sem dúvida a maior dádiva deste livro é fornecer ao leitor uma bibliografia vasta e diversa para se aprofundar no tema e discussões correlatas. É nítido a convicção do autor e a clareza que o mesmo possui quanto aos contornos, e a urgência, e a relevância, do que crê ser uma cosmovisão sexual cristã (CSC) saudável. Se gasta muito tempo, porém, esboçando uma cosmovisão desnecessariamente negativa e antagonistica: como se o importante é apontar o que os demais fazem de errado. Aliás, apresentar uma CSC logo se encontra num patamar secundário enquanto o autor se debate desconstruindo a (re)definição do casamento pelo Estado, esquerdistas, a "agenda gay", e uma teologia pobremente apresentada, no qual a homossexualidade aparece como não só um pecado diferenciado, mas o pecado superlativo, o grande mal do século, o ápice da apostasia e idolatria, uma abominação sem igual. Falta sabedória, embasamento e acima de tudo, compaixão. O autor não apresenta caminhos para que cristãos homossexuais (ou com atração pelo mesmo sexo) lidem com esta questão - aliás, apenas concede que a igreja precisa se resolver e cultivar uma sexualidade saudável nos lares em meio a uma dissertação maior sobre os erros/desvios percebidos de outro autor (ao meu ver, muito mais equilibrado). Se aborda a masturbação em um único rodapé, ambíguo por sinal, e questões como a pornografia, vício sexual, adultério, fornicação, pedofilia, incesto, etc, são ao todo ignoradas ou citadas apenas de passagem. Enquanto se visita o tema do casamento gay várias vezes de começo ao fim nesse livro, não é de fato apresentado uma CSC relevante, saudável, prática, aplicável, para além do "óbvio" (um homem, uma mulher, casamento monogâmico). Não tem muito proveito ou instrução aqui. Apenas uma reiteração do que um cristão conservador de meia idade vê de errado no mundo ocidental de hoje. Não há soluções, não há apresentação do que deveria ou poderia ser, apenas a insistência que a igreja trave uma guerra cultural e imponha valores cristãos sobre a sociedade ao seu redor, por mais plural que seja. Se fomenta o desejo por poder e controle político e não uma CSC que sirva de exemplo, inspiração e amparo para o mundo que carece e padece justamente por isso - por não saber ou entender melhor. A falta de empatia que permeia o livro de começo ao fim macula muito dos argumentos, e deixa o livro não só inútil em boa parte, como descartável: não é uma leitura que se pode (ou, em minha opinião) se deve recomendar para qualquer pessoa, a não ser que ela já partilhe das opiniões teológicas do autor.