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Punhais Misteriosos

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Aventurosa, romântica e com um toque de exotismo e mistério, esta história é protagonizada por um jovem oficial do exército espanhol (Carlos Insúa) que se perde de amores por uma mourita encantada (Zami) no icónico Palace Hotel do Buçaco, pondo em marcha várias peripécias que transportam o leitor até Madrid, Barcelona e aos confins de Marrocos.

Escrita em Espanha, foi publicada em Portugal entre agosto e novembro de 1924, nas páginas do matutino Correio da Manhã, com o título Punhais Misteriosos e a assinatura de Edgar Duque, outro dos pseudónimos de Reinaldo Ferreira, antes de adotar o definitivo Repórter X. A trama foi adaptada ao cinema pelo próprio Reinaldo, mas o filme fracassou comercialmente e acabou por se desaparecer quase sem deixar rasto.

O folhetim ainda ressurgiu em forma de livro, em 1926, numa edição em três volumes de bolso, mas não voltou a ser publicado. Até agora. Passados mais de 90 anos, a segunda grande narrativa do pioneiro português do romance policial regressa ao convívio dos leitores nesta edição aumentada, com um texto introdutório de Joel Lima e uma panóplia de recortes de imprensa, incluindo fotografias e apontamentos sobre a rodagem da adaptação cinematográfica.

448 pages, Paperback

Published March 1, 2018

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About the author

Reinaldo Ferreira

21 books7 followers

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Profile Image for Gigli.
294 reviews4 followers
February 14, 2022
»»» A compra:
Uma capa mais próxima das da banda desenhada deixou-me em dúvida e por isso não comprei logo, mas o que o título, a capa e a sinopse deixavam antever sempre ficou comigo e na última feira do livro não falhou, veio para casa.

»»» A aventura:
No início do século passado, no fabuloso Palace Hotel do Buçaco, um reputado militar de alta patente apaixona-se por uma bela e misteriosa hóspede, uma moura que a todo o tempo é controlada pelo seu tio e pelos capangas deste.
A fuga dos dois apaixonados e a sua posterior separação cruel, com o súbito desaparecimento da bela moura, bem como a morte de outro hóspede, ligado ao nosso militar, envolta em mistério pela presença de uns punhais que, diz-se, uma vez nas mãos de alguém acabam por ditar a sua morte, deixam para sempre abalado o militar.
Vários anos mais tarde, ao serviço do reino de Portugal em Espanha o mesmo acaba por se deparar com uma conspiração que ameaça o seu país e ao mesmo tempo com possíveis respostas para tudo o que aconteceu anos antes.
A aventura entra em velocidade cruzeiro, com o nosso herói a tentar salvar a pátria e a descobrir o destino da sua amada, a verdadeira influência do tio daquela e o segredo dos punhais aterrorizantes – tudo isto passando dos salões de baile e hotéis de charme aos quartéis militares e a palácios de sultões escondidos no deserto.

»»» Sentimento final:
Excelente.
Uma ótima representação da época, dos seus locais e do tipo de sociedade, que aliada aos momentos de aventura, mistério e de espionagem, bem como de algum romance, fazem deste livro uma muito boa leitura, sem grandes complicações e com uma escrita simples e despretensiosa.
É como se Hercule Poirot e Blake and Mortimer estivessem canalizados numa aventura com laivos portugueses.
Só não leva 5* porque acho que algumas relações das personagens precisavam de mais desenvolvimento, mas isso não afetou o prazer desta aventura e a afeição às personagens.
Fiz imediatamente marcação com os restantes livros deste escritor.

»»» Nota final (capa e outras considerações):
[O apelo da capa] - A capa mais próxima das da banda desenhada não me inspirava a comprar o livro, porque me apontava para algo demasiado a gozar com aquilo que me parecia uma boa história, mas nada disso, o livro dá-nos uma aventura bem-disposta. Uma capa mais estilizada talvez atraísse mais o público-alvo deste livro.
[A composição da capa] – Fora disso (de ser uma capa desenhada e do estilo do desenho e das cores), a composição da capa é muito boa, não só nos elementos escolhidos, como a transmitir o espírito de aventura exótica e de romance que o livro encerra.
[Os complementos históricos] - Agradecimentos aos pequenos pedaços de história, incluindo várias fotografias, sobre o nosso autor e sobre a primeira publicação desta aventura nos jornais do século passado com que nos presenteiam (só é pena que a letra utilizada nos títulos desta parte do livro, tal como no índice, seja demasiado genérica, quase parecendo de um livro técnico!).
[Sonhos aos quadradinhos] - Por último, ao escrever este comentário penso que esta obra merecia, efetivamente, uma versão em banda-desenhada, à semelhança do que tem ocorrido para as obras da Agatha Christie e o seu Hercule Poirot, e que o ilustrador até poderia ser o mesmo que desenhou a capa, de traço agradável e bem conseguido (mas peço um pouco mais de desenvolvimento na colorização - não tenho interesse numa BD toda em preto, branco e amarelo torrado, ok!).
Profile Image for Artur Coelho.
2,606 reviews74 followers
April 29, 2022
Se não tivemos pulp fiction à portuguesa... tivemos a literatura de folhetins. Histórias serializadas nos jornais, que posteriormente poderiam ter edições em livro de baixo custo. Histórias, como se dizia antigamente, de faca e alguidar, entre o dramalhão e a aventura. Não são portentos literários, eram criados por puro entretenimento, tendo sido uma forma de ficção popular.

E se houve um grande mestre desta literatura a metro por cá, dificilmente será outro do que Reinaldo Ferreira, bem mais conhecido pelo pseudónimo Repórter X. Escritor prolífico, jornalista especialista no choque e algo afamado por apimentar as suas reportagens, este foi talvez uma das mais visíveis figuras do Portugal dos anos 20. Escritor popular, assinou obras sob vários pseudónimos, geralmente aventuras policiais frenéticas, quase um pulp à portuguesa.

Escrito sob o pseudónimo de Eduardo Duque, originalmente serializado no jornal Correio da Manhã em 1924, este Punhais Misteriosos é um mergulho na ficção popular da época. Uma história de amores impossíveis, vida de alta sociedade, aventuras entre a guerra e o policial, exotismo orientalista. Quando, nas suas tradicionais férias no Buçaco com um banqueiro português e a sua filha, amigos de longa data, um oficial espanhol vislumbra o rosto de uma marroquina hospedada no luxuoso hotel, longe está de saber que ser verá mergulhado num amor impossível que lhe mudará a vida. O romance é uma sucessão de peripécias, sempre pensadas pelo seu lado mais melodramático, levando as situações ao limite para manter o interesse do leitor.

Uma fórmula de leitura popular, que ainda hoje se lê com prazer. Sabendo, claro, que não estamos perante alta literatura, apenas um bom contador de histórias, que apesar de escrever a metro, o fazia com estilo, assumindo o lado de diversão.
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