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A Senhora Rattazzi

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Excerpt from A Senhora Rattazzi

Mulher escriptora, por via de regra pouco exceptuada, � um homem por dentro. O cora��o, que devia, ser uma, de suav�ssimas lagrimas, faz - se-lhe boti ja, de tinta; e as d�ces penas da alma metallisam-se - lhe agu�adas em pennas de ago. 0 fuso de Lucrecia, e da rainha, Bertha desfez-se em canetas. Em vez de tecerem 0 seu braga], urdem intr� gas. Suspiram publicamente em 8.� por tuguez, 250 paginas; e, quando n�o suspiram, bufam coletas represadas, di zem que tem �d�as, que se querem emancipar, muito aziumadas, naturalis tas, com um grande ar de pimponas que entraram no segredo dos processos.

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56 pages, Hardcover

First published January 1, 1880

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About the author

Camilo Castelo Branco

721 books307 followers
«Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825-1890) foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa contemporânea tendo sido romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente do que escrevia. Durante quase 40 anos, entre 1851 e 1890, escreveu à pena, logo sem qualquer ajuda mecânica, mais de duzentas e sessenta obras, com a média superior a 6 por ano. Prolífico e fecundo escritor, deixou obras de referência na literatura lusitana. Apesar de toda essa fecundidade, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco não permitiu que a intensa produção prejudicasse a sua beleza idiomática ou mesmo a dimensão do seu vernáculo, transformando-o numa das maiores expressões artísticas e a sua figura num mestre da língua portuguesa.»
Fonte; http://www.luso-livros.net/biografia/...


Camilo Ferreira Botelho Castelo-Branco (1st Viscount de Correia Botelho), was born out of wedlock and orphaned in infancy. He spent his early years in a village in Trás-os-Montes. He fell in love with the poetry of Luís de Camões and Manuel Maria Barbosa de Bocage, while Fernão Mendes Pinto gave him a lust for adventure, but Camilo was a distracted student and grew up to be undisciplined and proud.

He intermittently studied medicine and theology in Oporto and Coimbra and eventually chose to become a writer. After a spell of journalistic work in Oporto and Lisbon he proceeded to the episcopal seminary in Oporto in order to study for the priesthood. During this period Camilo wrote a number of religious works and translated the work of François-René de Chateaubriand. Camilo actually took minor holy orders, but his restless nature drew him away from the priesthood and he devoted himself to literature for the rest of his life. He was arrested twice, the second time due to his adulterous affair with Ana Plácido, who was married at the time. During his incarceration he wrote his most famous work "Amor de Perdição" and later it inspired his "Memórias do Cárcere" (literally "Memories of Prison"). Camilo was made a viscount (Visconde de Correia Botelho) in 1885 in recognition of his contributions to literature, and when his health deteriorated and he could no longer write, Parliament gave him a pension for life. Going blind (because of syphilis) and suffering from chronic nervous disease, Castelo Branco committed suicide in 1890.

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Tania Cunha.
176 reviews14 followers
April 30, 2017
Li enquanto estou a ler Portugal de Relance, de Maria Rattazzi.
Nunca tendo sido apreciadora de CCB, achei que era oportuno ler o texto, pois seria um registo de resposta à obra de Rattazzi.
O texto é fraco. Aponta algumas imprecisões ao texto de Rattazzi, após fazer um discurso sobre o que são mulheres escritoras absolutamente machista, apesar de se dar o desconto em virtude da época em que foi escrito.
A maioria das críticas que aponta não são críticas, são só ofensas gratuitas. Aproveita para acertar contas com quem não aprecia no panorama nacional.
As maiores observações que Rattazzi faz, ou pelo menos as que a mim mais me têm marcado, até pela sua atualidade, nem são abordadas por CCB.
Trata-se não de uma crítica, mas de um escrito na sua maioria insultuoso. O livro de Rattazzi tem os seus exageros e até justificaria resposta, mas o registo de baixo nível não faz disto resposta à altura.
Profile Image for Sara Portela.
281 reviews46 followers
December 19, 2016
1 star

This book only made me realize how misogyny was a real thing powerful thing against women who dared speak their minds. Camilo Castelo Branco is, quite frankly, an old asshole. Hate this guy and his writing.

Read this for an essay I had to write por contemporary portuguese history of the XIXth Century and lord oh LOOOOORD would I have beaten this old bastard in his day.

Do not advise any of his books.
Profile Image for Raquel Curvacheiro.
263 reviews3 followers
April 2, 2012
Sou queirosiana! Admito, desde já, essa minha preferência pelo autor d' "A Relíquia" sobre o autor d' "A queda de um anjo". Mas, quem me conhece, já está familiarizado com essa minha característica. Achava o Camilo algo hipócrita (devido ao contraste da sua ideia literária de amor puro e perfeito em relacção à sua vida pessoal), mas, ainda assim, aceitava-o e tolerava-o como um dos grandes nomes da literatura "clássica" portuguesa (infelizmente tão esquecida e tantas vezes vítima de escárnio pela parte dos ditos "intelectuais"). Assim, decidi pegar neste folheto (pois o livro mais não é do que isso) para me tentar redimir por qualquer injustiça praticada por mim em relação a Camilo Castelo Branco. Grande Erro!!! Não só não aumentei a minha estima pela sua escrita como ganhei alguma aversão ao próprio homem! Tenho consciência que o que estou a afirmar é quase blasfemo, mas fiquei com raiva ao Camilo!
A razão pela qual escolhi este livro foi por conhecer, de antemão, a visada da pena literária do mestre de São Miguel de Seide (e sim, antes que me chamem a atenção por uma suposta gaffe literária, sei bem que Camilo nasceu em Lisboa, mas não é essa a terra que associamos ao seu nome). Tendo trabalhado no Palácio Nacional da Pena tive de estudar a história de Portugal do século XIX (período de que data o palácio) e, obviamente, o nome da Princesa Rattazzi surgiu nos meus estudos. Mulher de diplomata, foram variadas as vindas de Maria Rattazzi ao nosso país (a primeira por volta de 1876), tendo-lhe sido abertas as portas dos mais variados salões, mansões, festas e soirées. Dotada de um espírito observador e crítico (onde não faltava, certamente, uma boa dose dessas características tão frequentemente associadas ao sexo feminino - curiosidade e um prazer em opinar sobre tudo e todos), decidiu, em 1879, editar um livro cuja polémica lhe traria a fama nacional: "Portugal de Relance" (Edições Antígona, ISBN 9789726080909). Infelizmente com a fama chegou a polémica. O povo luso não gostou da maneira como a "estrangeira" os descrevia e várias vozes se levantaram para se lhe opor. Camilo fez questão de que a sua voz se ouvisse alto e em bom som.
No entanto, não foi o seu rancor pelas palavras da Sra. Rattazzi que mais me enfureceram... Afinal, todos têm o direito a ter a sua opinião acerca do que lêem. Foi, isso sim, a sua tendência para ofender e para generalizar a todas as mulheres escritoras as falhas que encontrou numa específica autora. A saber:

(sic)
"Mulher escriptora, por via de regra pouco exceptuada, é um homem por dentro. O coração, que devia ser urna de suavissimas lagrimas, faz-se-lhe botija de tinta; e as dôces penas da alma metallisam-se-lhe aguçadas em pennas de aço. O fuso de Lucrecia e da rainha Bertha desfez-se em canetas. Em vez de tecerem o seu bragal, urdem intrigas. (...) e, quando não suspiram, bufam coleras represadas, dizem que têm idéias, que se querem emancipar, muito aziumadas, naturalistas, com um grande ar de pimponas que entraram no segredo dos processos; e, se não batem nos homens não é porque elles não o mereçam. (...) O Dom Francisco Manoel de Mello tinha razão; Mulheres doutoras, authoras e compositoras dava-as ao diabo. (...) Não ha feminilidades que se respeitem desde que a mulher se masculinisa, e, como escriptora de virago, salta as fronteiras do decoro, sofraldando as espumas das rendas até à altura da liga azul-ferrête."
É este tipo de incoerência que me aborrece em Camilo. Da mesma maneira que a sua visão romântica de amor puro nada tinha a ver com a sua vida pessoal, também esta sua opinião sobre o lugar da mulher da litaratura só pode ser ou uma ironia (de péssimo gosto) ou a falta de discernimento total por parte de um homem que foi preso pelo seu amor por uma mulher casada, Ana Plácido, ela própria... uma escritora.
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