O livro parte de um estudo feito pelas organizadoras sobre a negritude em São Paulo, objetivando captar os efeitos psicológicos do legado do branqueamento sobre o processo de construção da identidade negra. Através dos resultados desta pesquisa, as autoras organizaram esta obra como um tributo capaz de desencadear um debate e uma reflexão conscientizadores sobre os efeitos psicológicos provocados pelo racismo na sociedade brasileira.
Acredito que este livro deveria ser lido nos cursos de graduação em psicologia no Brasil. Ao longo dos artigos, traça um panorama histórico adequado para a compreensão da temática (o necessário para não dissociar a historicidade da prática da psicologia, aprofundando tanto quanto se propõe a fazer), bem como consegue sair da análise meramente sociológica do racismo para pensar aspectos intra e interpsíquicos, sem esgotar a temática. Alguns artigos foram especialmente interessantes para mim, como os da Maria Aparecida Silva Bento, e todos deixam uma lista de referências bibliográficas diversas pra quem deseja se aprofundar na compreensão do assunto (no contexto brasileiro ou mundial). Pelo fato da primeira edição ser bastante antiga, penso como seria a publicação de um novo livro no atual cenário, podendo traçar um panorama comparativo. Considerando o todo do livro, acho ótimo pra quem busca introduzir-se teoricamente na temática da branquitude, e a cegueira da psicologia (mesmo a que se propõe enquanto social) em relação a este tema se evidencia.