Embora muito frequentado pela ressonância dos títulos que deu aos livros juvenis (um pai porreiro ganha muito dinheiro), que nunca li, tenho andado longe do autor, sobretudo por estimar que isso compreendesse dedicar-me à obra conjunta com Manuel da Silva Ramos (recentemente reeditada), para a qual, confesso, ainda não ganhei coragem. Mas estes contos (ou algo assim) têm a entusiasta inventividade que a ficção portuguesa poucas vezes soube extrair do surrealismo e ao mesmo tempo o jeito para manter juntos os fios da narrativa, impedindo a balbúrdia pastosa em que por vezes vemos transformadas certas experiências exclusivamente linguísticas. A capacidade de juntar variações em pouco espaço, sem perder a graça, atinge níveis históricos sobretudo nos primeiros contos, de que se deveria destacar o antológico Edelweiss, que faz centrar uma distopia nas voltas de um confessionário. Dos contos muito breves, mais para o final, fiquei menos cliente e arriscaria ser injusto dizendo que denotam alguma desistência. O prefácio desta edição usa da liberdade e do apuro do livro e fica-lhe muito bem. Sim senhores.