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Esta democracia filofascista

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«Neste ano de comemorações do 25.º aniversário da Revolução de Abril de 1974, várias foram as obras publicadas, os depoimentos, as evocações, os balanços. No conjunto, os lapsos de memória, em aberto no último quarto de século, não foram preenchidos. Predominaram as perspectivas individualistas, facciosas, de partidos ou de classe. A timidez analítica roçou a cobardia intelectual.

Da História vão sendo apagadas evidências cuja natureza parecia indelével: a contra-revolução e a ingerência imperialista; a essência filifascista do actual regime democrático; o papel determinante dos militares no derrubamento do fascismo.

Vejo-me na inesperada contingência (para mim próprio) de ter que lembrar que o 25 de Abril se deve, em primeiro lugar, à iniciativa e acção dos militares; que anteriormente muitos deles se tinham sacrificado na resistência antifascista; que foram militares que, até ao último minuto da contra-ofensiva reaccionária de 1975, se mantiveram fiéis ao espírito libertador de Abril; e por isso pagaram com prisões, exílios e represálias múltiplas. Entre esses, muitos houve que estavam dispostos a dar a vida pela Revolução. Por mim falo.»

da contra-capa do livro.

225 pages, Paperback

Published December 1, 1999

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About the author

João Maria Paulo Varela Gomes foi um militar e revolucionário português.

Destacado resistente anti-fascista, participou ativamente na candidatura presidencial de Humberto Delgado (1958) e também no assalto ao quartel de Beja (1962), pelo qual foi condenado a 6 anos de prisão pela ditadura fascista do Estado Novo.

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, foi reintegrado no Exército com o posto de coronel e começou por dirigir a comissão para o desmantelamento da PIDE e da Legião Portuguesa, sendo posteriormente integrado na 5ª Divisão do Estado Maior, encarregada de organizar as campanhas de dinamização cultural.

Durante o ano de 1975 participa em visita oficial a Cuba (onde se reúne com Fidel e Raúl Castro), e envolve-se quer no 11 de Março (do lado dos vencedores), quer no 25 de Novembro (do lado dos derrotados).

Exilado durante 4 anos pela participação no 25 de Novembro, regressa a Portugal em 1979.

Casado com Maria Eugénia de Bilnstein Sequeira Varela Gomes, também ela resistente anti-fascista, e pai do autor Paulo Varela Gomes

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