Do muito que aqui nos contam todas estas vozes que surgem da cidade, dos seus varios tempos, acaba por se desprender uma homenagem a todas as mães.
Às mães que sempre encheram de esperança os caminhos dos musseques e da baixa de Luanda, das que sempre ampararam os sonhos dos filhos perdidos, das que perderam os filhos e continuam a lutar, das que lutaram para não perderem os filhos para a guerra que determinava e encaminhava os passos do destino e do futuro, ou a ausência de qualquer destino e qualquer futuro. Vozes que são também fruto das dores de um tempo que deixou marcas profundas. Num certo sentido, a própria guerra acabou por ser também a mãe de uma história-realidade onde tudo, o mundo, a vida, os sonhos, era volúvel e intermitente como a areai de uma praia varrida pelo mar.