Decerto nenhum aspecto da realidade, incluindo obviamente a arte, sobrevive ou tem sentido em si mesmo quando isolado de sua coerência mútua com os demais aspectos; porém, cabe-nos então a pergunta: é necessário que a arte, e em especial a arte cristã (que não necessariamente é arte sacra), submeta-se a algum projeto moralizante ou doutrinário a fim de que o artista cristão cumpra sua vocação e propósito? A resposta, talvez surpreendente para aqueles não familiarizados com o pensamento de Rookmaaker, é uma negação impetuosa. De fato, habituamo-nos com a afirmação: a arte não precisa de justificativa; isto, contudo, não significa – para valermo-nos do vocabulário de Herman Dooyeweerd, tão caro à análise estética presente nesta obra – numa pretensa autonomia da arte, como se fosse possível olharmos para um quadro ou lermos um poema sem que nossa sensibilidade e juízo não se “contaminassem” com os valores que nos são mais caros.
Excelente obra de Rookmaaker em que analisa o aspecto modal da estética a partir da filosofia de Dooyeweerd. Indispensável para todos que se preocupam com arte, beleza e significado a partir de uma visão cristã.
Rookmaaker é conhecido tanto por sua erudição quanto por sua capacidade de se comunicar e explicar claramente aos leitores “leigos”. Seus livros “A arte moderna e a morte de uma cultura” e “A arte não precisa de justificativa” o demonstram. E neste livro vemos também essas duas facetas. Alguns artigos são bem tranquilos de acompanhar. Outros nem tanto e demandam maior reflexão.
O 5º capítulo, a meu ver o centro do livro e um dos artigos mais famosos de H.R.R., é o mais denso (originalmente publicado numa revista filosófica), pois pressupõe certa familiarização com alguns conceitos da filosofia da ideia cosmonômica (encapse, desvelamento, retrocipação etc.) como o próprio autor afirma no final do artigo. Certamente é um capítulo que voltarei várias vezes para lê-lo.
Para usar as palavras do autor ao resenhar uma obra de seu amigo Seerveld (cap. 13), este é um livro que “podemos recomendá-lo, ainda que não seja fácil de ler”.