Até quando pode uma mulher aguentar a injustiça sem erguer a voz? Após as Guerras Liberais que assolaram Portugal durante o século XIX, as decisões do governo de Costa Cabral não são bem recebidas. Os impostos aumentam, as liberdades do povo são atacadas e a Igreja é o próximo alvo. Atenta aos gritos de revolta do seu povo, que também são os seus, e às ideias miguelistas dos seus senhores, está a jovem Maria Angelina. Despedida por se ter deixado apaixonar, Maria regressa à sua aldeia da freguesia de Fontarcada, na Póvoa de Lanhoso, jurando viver por si, sem ninguém a cortar-lhe as asas. Os ideais, no entanto, não desaparecem, e, quando o governo proíbe o povo de enterrar os mortos nas igrejas, Maria decide tomar medidas. Lideradas por ela e munidas das armas possíveis, como as ferramentas de trabalhar a terra, as mulheres do Minho fazem justiça pelas próprias mãos. Maria de Fontarcada torna-se Maria da Fonte e ganha os contornos de uma líder popular. Conforme a revolta vai grassando pelo país, forçando o governo a ser demitido e o exército a entrar em cena, Maria da Fonte transforma-se num mito, surpreendendo até aqueles que com ela privavam. Esta é a história desse mito. E da mulher que está na sua origem.
Maria João Fialho Gouveia é filha dos anos 60 e do Estoril. Cursou Comunicação Social, Línguas e agora História. Jornalista há quase 40 anos, passou pelas várias áreas da imprensa.
Hoje abraça a literatura, definindo a aventura da escrita como uma doce e viciante solidão que lhe completa a alma. Mulher de causas, mantém ainda afincada a militância pelos direitos humanos e dos animais.
Tem doze livros publicados: Fialho Gouveia – Biografia sentimental, Dona Francisca de Bragança – A princesa boémia, As Lágrimas da Princesa, Sob os Céus do Estoril, Maria da Fonte – Rainha do povo, Os Távoras – Entre a virtude e o pecado, Dona Filipa e Dom João I – Unidos pelo reino e pelo amor, O Primeiro Amor de Dom Carlos, A Templária, Inês, As Asas de Ritam, e ainda o imperdível A Última Imperatriz – Zita de Bragança, a princesa que enfrentou Hitler.
Maria da Fonte, ficou registada na memória colectiva do país, como o símbolo de um levantamento popular que acabou por desenvolver um amplo combate pela liberdade e pela justiça social. Tornou-se um mito popular que pode identificar todas as mulheres que lutaram ou lutam por uma causa. Maria João Fialho Gouveia, resgatou da História esta personagem, de uma forma soberba e apaixonada, num romance delicioso que nos prende desde a primeira frase.
Maria da Fonte é uma personagem da História de Portugal bastante conhecida, mas será que conhecemos verdadeiramente os seus feitos? Eu, confesso, desconhecia-os totalmente! No entanto, depois da leitura do novo livro de Maria João Fialho Gouveia fiquei muito mais esclarecida e interessada no tema. Sou uma grande apreciadora de História, já não tanto de política, mas este livro doseia muito bem os dois universos de forma a dar a conhecer ao leitor parte da história da época do Miguelismo.
Este livro foi-me oferecido por um actual amigo... será que me queria dizer que eu era uma Maria da Fonte? Espero que sim... Escrito com uma mestria muito grande... Obrigada Maria João por nos mostrar quem foi a Maria da Fonte
A estória de uma mulher da nossa História que lutou por uma causa e por isso foi apelidada por Rainha do Povo. Uma leitura fácil e rápida que doseia magistralmente a História e a Política da época
A estória de uma mulher da nossa História que lutou por uma causa e por isso foi apelidada por Rainha do Povo. Uma leitura fácil e rápida que doseia magistralmente a História e a Política da época
Já tinha ouvido falar sobre Maria da Fonte mas, confesso, desconhecia a sua história e este livro foi fantástico. Primeiro porque me deu a conheceu a história incrível de Maria Angelina, da aldeia de Fontarcada na Póvoa de Lanhoso e que ficou conhecida por lidar uma revolução popular. E depois, por todo o contexto político e social que a autora nos apresenta. Detalhado mas não tão exaustivo que nos possa maçar. Costa Cabral, presidente do Conselho, durante o reinado de D. Maria II, tem decisões muito duras. Impostos pesados, mas também decisões sobre os mortos e os funerais. E que acabam por fazer com que um grupo de mulheres, lideradas por Maria da Fonte, reclamam justiça pelas próprias mãos. Adorei conhecer a história de vida desta mulher fantástica. Uma mulher, que nasceu pobre, mas com um sentimento de justiça e sede de aprendizagem, que a tornam uma mulher especial e à frente do seu tempo. Com uma boa contextualização da sociedade, através de conversas entre várias personagens, tornando a nossa aprendizagem mais natural.
Tal como o nome insinua, Maria da Fonte é sobre aquela valente mulher de Póvoa de Lanhoso que liderou uma insurreição contra o poder de Costa Cabral quando este ousou acabar com a tradição de enterrar os mortos nos adros da Igreja… e este pequeno movimento acabou por arrastar o País inteiro, dividido entre os que apoiavam a rainha D. Maria e os que ainda suspiravam pelo regresso do absolutista D. Miguel.
Enquanto acompanhamos a vida de Maria da Fonte, da infância aos dias da revolução, vamos também seguindo a evolução política do País após as Guerras Liberais, que deixaram profundas fissuras na população. A autora contextualiza bem o período histórico, mas a forma como o faz nem sempre me agradou. Ela tem o hábito de explicar o contexto politico e social através do diálogo entre as personagens. E eu tive alguma dificuldade em acreditar que camponesas semianalfabetas falassem daquela forma… Mas, uma boa lição de História, de qualquer forma.
Maria da Fonte é um livro cuja história faz tudo o sentido contar. Ainda bem que Maria João Fialho Gouveia o fez. É um livro que prova o quão capazes são as mulheres. Só tenho pena que a intriga esfriasse no fim. No geral, gostei mesmo muito.