Da popularidade das charges políticas nos primórdios da imprensa brasileira à conquista do público infantil, com as tiras publicadas semanalmente nos jornais de grande circulação, a indústria dos quadrinhos no Brasil tomou impulso na primeira metade do século XX a partir da energia empreendedora de editores brasileiros da época. Os suplementos semanais dedicados à criança abriam caminho para que o leitor brasileiro não apenas recebesse a influência poderosa da indústria americana, mas também conhecesse as criações nacionais – personagens e histórias com a cor e os hábitos locais. Esta trajetória, muito bem sintetizada por um dos maiores pesquisadores no tema da América Latina, ganhou nesta edição a companhia de uma entrevista concedida pelo autor a Érico Assis e uma linha do tempo que relembra sua vida e obra. Escrito originalmente em espanhol para apresentar à América Latina o cenário brasileiro, um dos grandes mercados produtores e consumidores de quadrinhos do mundo, a versão em português ganha o tom de homenagem a Waldomiro Vergueiro, professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e um dos pioneiros nos estudos acadêmicos sobre os quadrinhos.
Waldomiro Vergueiro é, atualmente, o mais importante pesquisador brasileiro dos quadrinhos que continua vivo. Este livro foi uma homenagem preparada pelos amigos em honra de sua aposentadoria como professor da Universidade de São Paulo, muito embora ele continue atuante. O livro é um resgate e uma ampliação de outro que Waldomiro havia escrito para uma coletânea sobre o panorama das histórias em quadrinhos na América Latina. O livro é muito interessante, principalmente quando fala das primeiras décadas dos quadrinhos no Brasil e dos vários gêneros que aqui floresceram seja com reimpressões de material importado ou seja pela produção própria em terras tupiniquins. Contudo, a parte da contemporaneidade, a meu ver deixou um pouco a desejar e poderia ter ido mais a fundo. Principalmente quando o autor diz que a Abril escolheu deixar de publicar a Marvel no Brasil. Na verdade essa foi uma exigência da Panini, que era responsável pela representação da Marvel neste país. Isso aconteceu após a má decisão editorial de se criar a linha de Super-Heróis Premium, que acabou tirando a DC Comics, um ano depois, das mãos da Abril. De toda a forma é um lindo livro, que presta uma bela homenagem ao autor, contando ainda com uma entrevista realizada por Érico Assis e uma linha do tempo da vida de Waldomiro Vergueiro.
Ótima leitura, especialmente para alguém que como eu tem interesse por quadrinhos mas nunca foi um leitor voraz. Muitas boas referências de obras e artistas.