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A Um Passo

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Uma obra pode ser medida, como já mostrou Paul Valéry, pela soma ou pelo rigor de suas recusas. E a palavra “recusa”, aqui, não designa apenas o ato de “não aceitar” ou “rejeitar” alguma coisa, mas também o de “não se subjugar”, de “não fazer concessões”. Em um tempo em que o exercício do óbvio, a repetição de fórmulas e a sujeição às conveniências do mercado tornaram-se os dispositivos por excelência de boa parte da narrativa contemporânea, A um passo, de Elvira Vigna, destaca-se como um dos raros livros de hoje a fazer da recusa nos vários sentidos e rigores da palavra uma de suas linhas de força. Mesmo ao privilegiar como matéria-prima o prosaico e o banal, enfocando o aqui-agora do mundo e da realidade brasileira, a violência do cotidiano e a hipocrisia das relações sociais, o romance mina (recusa), através dos “ácidos, gumes e ângulos agudos” da linguagem, toda a previsibilidade que subjaz a essa mesma matéria. Sem deixar de contar uma história (no caso, uma história de vingança), recusase às facilidades da lógica linear e da referencialidade, optando por um enfoque elíptico e fragmentário das coisas; e sem se furtar ao coloquialismo, não se presta à mera reprodução espontânea do falar diário, mas deste ousa extrair, pelo trabalho da escrita, uma sintaxe inusitada, uma dicção babélica, uma articulação de viés experimental. A um passo recusa-se, ainda, ao que comumente se espera de um romance: ele pode ser lido tanto como uma narrativa seqüencial, composta de capítulos curtos e concentrados, quanto como um conjunto de contos avulsos que se articulam num jogo entre o sucessivo e o simultâneo, onde cada peça se basta e se encadeia às demais, abrindo várias entradas e saídas no texto. Para não mencionar o poema do final que, a título de posfácio, faz uma espécie de “desleitura” do próprio livro.

192 pages, Paperback

First published January 1, 2004

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About the author

Elvira Vigna

43 books60 followers
Nascida no Rio de Janeiro em 1947, é diplomada em literatura pela Universidade de Nancy, França, e mestre em comunicação pela UFRJ. Escreve sobre arte contemporânea no site Aguarrás.

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for Bruna Duarte.
9 reviews1 follower
August 8, 2019
Fiquei impressionada por nunca ter escutado falar em Elvira Vigna antes.
Não é um livro simples de ler, tem uma estrutura narrativa diferente, com cortes no tempo, narrativas misturadas em 1ª e 3ª pessoa, mas que livro bom!
Profile Image for Daniel KML.
124 reviews36 followers
April 28, 2023
Um dos melhores romances da literatura brasileira contemporânea, escrito por Elvira, que prova ter sido uma das melhores escritoras recentes de nossa ficção.
A fluidez narrativa é divertida, o estilo é próprio, daquele jeito dela mesmo, e a trama é bem resolvida, cheia de metáforas e referências estimulantes. Alguns dirão que a leitura é difícil, e realmente não é um livro óbvio, mas de obviedades estamos todos fartos.
Profile Image for Solange Cunha.
298 reviews55 followers
December 16, 2022
Amo a Elvira Vigna e sei que ela considerava este livro o seu preferido, mas não bateu bem em mim. Eu achei dificílima a leitura - estrutura em recortes, com uma dinâmica de jogo (de xadrez), com versões distintas sobre um mesmo fato/ou uma ideia, tudo com um crime no meio. Cheio de ironias, claro.

A nota não tão alta eu atribuo à minha limitação rs para acompanhar a gigante Elvira.
Profile Image for Yuri Deliberalli.
47 reviews
April 20, 2024
Uma vingança contada sob alegorias, subjetividades e (não) fatos, sem seguir uma lógica de linearidade, que confude, encanta e desafia o leitor a solucionar a narrativa, como o xadrez que é peça elementar do livro.
Profile Image for Rômulo Candal.
6 reviews
June 26, 2024
meu romance menos favorito de Elvira. publicado em 89, dá pistas de que ela seria brilhante — mas é, ainda, excessivamente hermético e desnecessariamente intrincado.

longe de ser ruim, mas ainda mais longe de ser um Como se estivéssemos em palimpsesto de putas.
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