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Juros, Moeda e Ortodoxia

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Neste conjunto de ensaios, André Lara Resende reflete sobre as origens e o desenvolvimento da teoria monetária e suas implicações no contexto brasileiro. Juros, inflação e política fiscal recebem do autor um enfoque inovador, ancorado nas melhores investigações da atualidade, que põem em questão algumas convicções estabelecidas. Da teoria à história, os ensaios discutem as políticas comumente receitadas para a inflação crônica, a recessão e o desemprego. Antes de buscar a polêmica fácil ou propor uma “nova heterodoxia”, este livro pretende estimular o debate ao abrir uma janela de oportunidade para a reflexão sobre políticas públicas da mais alta relevância.

186 pages, Paperback

First published January 1, 2017

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About the author

André Lara Resende

12 books17 followers
André Pinheiro de Lara Resende nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 1951, filho do jornalista e escritor Oto Lara Resende e de Helena Pinheiro Guimarães. Seu avô materno, Israel Pinheiro, foi revolucionário de 1930, constituinte de 1946, deputado federal por Minas Gerais entre 1946 e 1956, prefeito do Distrito Federal de 1960 a 1961, e governador de Minas Gerais de 1966-1971. Seu tio materno, Israel Pinheiro Filho, foi deputado federal por Minas Gerais entre 1967 e 1971.
Formado em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) em 1973, fez o mestrado em economia na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, concluindo o curso em 1975. Posteriormente, em 1979, obteve o título de Phd em economia pelo Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos.
De volta ao Brasil, ainda em 1979 passou a lecionar no Departamento de Economia da PUC-Rio, instituição à qual ficaria ligado até 1988. Paralelamente às suas atividades docentes, em 1980 tornou-se sócio e diretor administrativo do Banco de Investimentos Garantia, aí permanecendo até 1985. De 1984 a 1985, foi também diretor externo da Companhia Ferro Brasileiro, cargo que voltaria a ocupar entre 1987 e 1990.
Nos primeiros anos da década de 1980, juntamente com o seu colega de graduação na PUC-Rio, Pérsio Arida, interveio na discussão do processo de transição do regime militar para a democracia, em um momento em que ganhava espaço a proposta de pacto social do governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, que viria a ser o candidato da oposição à presidência da República, por eleições indiretas, na suecessão do general João Batista Figueiredo. Preocupado com a superação da crise econômico-financeira que o país atravessava, divulgou, em conjunto com Arida, ideias que viriam a configurar o eixo do artigo “Inertial inflation and monetary reform in Brazil”, publicado pelos dois economistas em 1985 na coletânea organizada por J. Williamson, Inflation and indexation: Argentina, Brazil and Israel (Boston, MIT Press).
Indo contra a tradição liberal-monetarista, Lara Resende e Arida explicavam a crise como resultado de uma inflação de tipo inercial. Nessa perspectiva, os êxitos obtidos no combate à inflação eram neutralizados por uma “memória inflacionária” responsável pela incorporação, quando da revisão dos contratos, das taxas mais elevadas observadas no período anterior. Para sustar esse ciclo, eles conceberam um plano, conhecido por “Larida”, que previa a adoção de uma moeda indexada — a OTN (Obrigação do Tesouro Nacional) —, que circularia em paralelo ao cruzeiro e, por ser uma moeda forte, acabaria se sobrepondo à moeda oficial, eliminando-se, assim, o fator de propagação inflacionária. A indexação total da economia conduziria, portanto, à sua desindexação definitiva
Integrante do Conselho de Administração do Banco Central em 1985 e 1986, respondendo pelas questões relativas à dívida pública e ao mercado aberto, André Lara Resende foi um dos responsáveis – ao lado de Arida, Edmar Bacha, e dos ministros do Planejamento, João Sayad, e da Fazenda, Dilson Funaro, entre outros – pela elaboração do Plano Cruzado, durante o governo do presidente José Sarney (1985-1990). Esse plano de estabilização econômica anunciado por Sarney em 28 de fevereiro de 1986, inspirava-se na tese de Lara Resende e Arida da inflação inercial, combinada à proposta de “choque heterodoxo”, de autoria do economista Francisco Lopes. Sua meta principal era interromper um processo inflacionário galopante, que havia atingido, naquele mês, a taxa anual de 250%. O plano previa a criação de um novo padrão monetário, o cruzado, de valor mil vezes maior que o do cruzeiro, então abolido, a extinção da correção monetária, a estabilização cambial e o congelamento de preços e salários. Inicialmente bem-sucedido, uma vez que os índices inflacionários caíram consideravelmente, o Plano Cruzado acabou se

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Displaying 1 - 14 of 14 reviews
Profile Image for Gabriel.
10 reviews1 follower
September 13, 2020
“Sem transparência e confiança na razão não há progresso.”

A economia não tem laboratório como em outras ciências exatas, sua base teórica vem de uma longa construção histórica e testes empíricos. O dogma é uma característica forte presente dentro da ciência econômica, que acaba impossibilitando avanços, contudo, romper com a ortodoxia não é a principal solução ao meu ver, a abertura para experimentalismos tem impactos reais na sociedade que podem desregular toda uma dinâmica econômica. A economia é instável e quando as situações mudam, as formas de lidar com o problema também mudam, e nesse sentido, o dogma atrapalha. O livro traz questionamentos importantes para o futuro da ciência econômica e a sociedade, entretanto, seu rompimento com a ortodoxia é muito mais idealizador do que concreto.
Profile Image for Ricardo Viana.
Author 5 books2 followers
December 3, 2017
O livro é para leitores com nível mais avançado em discussões sobre a teoria econômica. O debate sobre política monetária e fiscal no caso brasileiro merece profunda análise e revisão (ou ajustes) sobre instrumental comumente utilizado pelos nossos gestores públicos.
Lara Resende tem dado uma contribuição ímpar para o debate econômico no Brasil e seus textos são primorosos. Considero essa publicação de relevante importância não só para os economistas, mas para todos aqueles que, profissionais ou não, querem melhorar seu entendimento sobre o nosso ambiente econômico.
Vale a leitura!
Profile Image for Anderson De castro.
45 reviews
February 9, 2021
Para economistas e estudiosos das questões de política monetária e macroeconomia é um livro sensacional. Primeiro por sua linguagem acessível e por ir direto ao ponto na critica da política monetária e fiscal atual e depois por redefinir anos de teoria economia baseadas na TQM com um visão critica e embasada empiricamente.

Ao ler o livro, primeiro encontramos uma revisão necessária de conceitos de política monetária e fiscal pra depois de forma muito embasada e reflexiva, entendermos as questões mais atuais de uma nova abordagem monetária e fiscal.

Apesar de ainda ser um tanto estranhas por aqui, não há como negar que os escritos trazem uma atualização mais que necessária na forma de condução das políticas econômicas. O livro é praticamente um curso intensivo e rápido das evoluções na teoria monetária nos últimos anos.

Vale dizer ainda que o mesmo só se figura como incompreensível ou questionável àqueles presos e inertes na ortodoxia da TQM, seja por medo do novo ou por insegurança tola em reconhecer que a TQM não mais serve como base teórica.
Profile Image for caio.
40 reviews
July 7, 2021
Muito desse livro é revisão literária. E essa revisão é muito informativa e me deixou numa posição confortável pra entender e discutir as problemáticas macroeconômicas propostas. Mas ela também é bem repetitiva, eu li várias vezes que o Fed aumentou a oferta de moeda em mais de 6x durante a crise de 2008 através de QE. Alguns pontos e observações são feitos várias vezes no mesmo capítulo, do mesmo jeito, às vezes com as mesmas palavras.

No mais, o livro encanta quando prioriza a criação e opinião ao invés da revisão e resumo. O apelo pra não deixar que a macroeconomia seja sequestrada por técnicos, elitistas e formalização matemática desnecessária me pegou. Virei fã do André Lara Resende e eu diria que esse trabalho (junto com A Valsa Brasileira) me fizeram gostar de macro.
26 reviews
March 20, 2021
Leitura interessante sobre MMT, mas o autor repete o mesmo ponto várias vezes (é mais uma coletânea de artigos que um livro). A base é a hipótese neo-fischeriana (a taxa de juros balizaria a expecativa de inflação) e a teoria fiscal do nível de preços (a percepção sobre a sustentabilidade da dívida afeta a inflação). Esses conceitos parecem se aplicar melhor a países desenvolvidos num contexto global de aversão ao risco, e teria cuidado ao generalizar sua aplicação a economias emergentes.
Profile Image for João Gross.
27 reviews2 followers
January 17, 2023
Um livro bem denso no que se refere às reflexões sobre política monetária, com apresentação de diversas teorias monetárias apresentadas ao longo dos últimos 3 séculos, contendo discussão sobre sua aplicabilidade ao longo do tempo, bem como nos dias atuais.

Para um leitor iniciante, apenas parte do livro pode ser bem aproveitada. No início do livro é apresentada uma discussão sobre as primeiras políticas desenvolvimentistas apresentadas à sociedade brasileiro na década de 1940. Havia um embate entre um modelo mais liberal, focado no investimento via capital privado, enquanto o outro modelo balizado no investimento conduzido pelo Estado, com capital público. Desta parte posso afirmar que o leitor terá aprendizado importante e sentirá que a leitura valeu a pena.

Porém, mais a frente, muitas teorias monetárias são apresentadas, inclusive com detalhamento matemático, que não é bem absorvido. O leitor iniciante acaba apenas compreendendo de forma genérica o objetivo de cada teoria monetária, sem conseguir se aprofundar adequadamente.

Em todo o caso, as conclusões sobre cada teoria e as discussões apresentadas, abres os olhos quanto à condução da política monetária e fiscal dos dias atuais, inclusive devido ao fato de, historicamente, o Brasil apresentar taxas de juros muito elevadas. O autor argumenta que a teoria monetária indica que no longo prazo a inflação tende a seguir a magnitude da taxa de juros, isto é, uma taxa de juros elevada, tende a criar inflações elevadas, no longo prazo, muito embora no curto prazo possa haver certo arrefecimento da economia e as taxas de juros reduzirem. Além disso, o autor discorre que as altas taxas de juros criam efeitos adversos nas economias emergentes e endividadas, como é o caso do Brasil, visto que uma taxa de juros elevada compromete ainda mais orçamento federal para pagamento de juros da dívida.

Assim, dentre os pontos que se pode aproveitar desta leitura, destaco a discussão sobre teorias monetárias que pregam a elevação da taxa de juros para controle da inflação. Nela o leitor tende a concordar com o autor que taxas de juros elevadas não necessariamente auxiliam na queda da inflação, podendo inclusive ser muito mais danosas ao país devido aos custos mais elevados da dívida pública, sem apresentar o benefício esperado da queda da inflação.

No geral, o livro apresenta informações e discussões interessantes, porém vejo que o detalhamento (matemático) das diferentes políticas monetárias não seja útil ao leitor médio, a não ser para estudantes da área, entusiastas ou pesquisadores.
Profile Image for Kellyton Blasio.
28 reviews5 followers
April 16, 2022
Juros, moeda e ortodoxia junta alguns ensaios, começando pelas teses de Simonsen e Gudin, e a mudança da perspectiva keynesiana para a neokeynesiana. O André Lara Resende, avança com alguns tópicos mais técnicos, como, a possibilidade de economia sem moeda-papel.

O juros, moeda também conversa sobre inflação, e o por quê de países como Japão e Inglaterra terem aumentado oferta de moeda, e a inflação se manter baixa. Ou quando o FED aumenta as reservas bancárias. Essa possibilidade de que os juros altos, agravem o desequilíbrio fiscal, parte do Olivier Blanchard e é recente.

Desde os anos de 1950, com Gudin, tentam estabilizar a economia com contração de crédito, causando desemprego e recessão. Mas o Brasil continua com uma inflação crônica, e pouco sensível a taxa de juros.

"Por absurdo que pareça, a opção por negar a realidade foi mais longe do que se poderia imaginar. A tese de que não haveria realmente desemprego, de que todo desemprego seria voluntário — sem nenhuma ironia —, foi sustentada durante algum tempo por expoentes acadêmicos em defesa dos modelos teóricos."

"Sobretudo desde o regime militar, jovens macroeconomistas bem formados, ainda que sem qualquer experiência de vida pública, tiveram oportunidades excepcionais para participar do governo brasileiro em posições destacadas. Bolívar Lamounier se pergunta por que os economistas não substituíram os advogados nos quadros da política representativa, por que os economistas não se interessaram em ocupar o espaço deixado pelos advogados como principal profissão de acesso à vida pública. A resposta é que, para os economistas, o acesso ao poder pela via tecnocrática tem sido incomparavelmente mais rápido e mais eficaz."
Profile Image for batatairan1.
16 reviews
December 2, 2021
Uma coleção de artigos do André Lara. Já tinha visto em outras entrevistas e artigos muito do que se fala no livro, mas de forma menos aprofundada, claro. E esta é a melhor parte do livro, ele se aprofunda em noções intuitivas e dominantes na cabeça de muitos entusiastas do estudo econômico, dando a elas uma reviravolta heterodoxa.

A teoria quantitativa da moeda, por exemplo, praticamente um dogma atual de muitos iliteratos liberais, é destrinchada desde seus fundamentos. Ainda, a falsa intuição de dinheiro como mera mercadoria (meio de pagamento). Ou a forma anódina que os juros do BC tratam a inflação.

Em suma, um pequeno livro pra quem é simpático à heterodoxia e quer ir um pouco além dos jargões ortodoxos que inundam o debate econômico, atualmente extremamente ideologizado.
Profile Image for Rafael.
32 reviews2 followers
June 24, 2020
Andre Lara Resende traz um debate precioso sobre a Teoria Monetária. Em tempos de selic a 2,25% e inflação bem controlada, juros negativos em diversos países europeus, questionar os bases em que a política monetária se deu nos últimos duzentos anos e principalmente após a crise de 1930, em que supervaloriza o poder da moeda como principal política monetária se faz urgente. Apesar da formulação matemática em alguns dos ensaios, creio que a leitura é válida para um público de pessoas não tão íntimas da economia monetária.
Profile Image for Arthur.
3 reviews2 followers
January 21, 2022
André Lara Resende escreve muito bem e é bastante persuasivo. Quando li, aproximadamente na metade do meu curso de economia, deu uma chacoalhada no então alicerce libertário da minha formação econômica: a pulga ficou atrás da orelha.
Concorde-se ou não com a moderna teoria monetária, o grande ensinamento do livro - como do discurso recente de Lara Resende - é não fechar-se ao dogmatismo, e é isso que levarei sempre.

Novos eventos e conjunturas político-econômicas sempre jogarão por terra um modelo econômico e darão glória temporária a outro, mas as ideias vêm e voltam.
1 review
May 28, 2025
Great approach to non-obvious macroeconomics. Resende is an author compromised with science and thinking evolution. The easy-to-understand narrative used here is very provocative against what neoclassical economics set as true during the past century, showing how economic dogmas can fall apart just by looking at the world around us.
8 reviews
June 22, 2021
Livro muito interessante principalmente para quem já tem uma base em macroeconomia, pode parecer um pouco cansativo em alguns momentos mas a conclusão ao apresentar sobre a visão do autor sobre o que foi abordado no livro faz a leitura valer apena.
Profile Image for Cesar Albuquerque.
22 reviews1 follower
June 22, 2021
Livro muito interessante principalmente para quem já tem uma base em macroeconomia, pode parecer um pouco cansativo em alguns momentos mas a conclusão ao apresentar sobre a visão do autor sobre o que foi abordado no livro faz a leitura valer apena.
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