Este livro é fruto de um trabalho de pesquisa sobre as raízes do garantismo penal e de sua estreita conexão com a política criminal adotada pelo Estado brasileiro, suas aporias e resultados sociológicos. A abordagem do tema é polêmica, embora feita cirurgicamente, atacando os postulados centrais da política criminal vigente em nossas instituições ao opor as soluções teoréticas comumente conhecidas às exigências da práxis social. Buscam os autores desvelar um sentido normalmente despercebido, oculto nas narrativas sociológicas com as quais lidamos no dia-a-dia.
Baita livro. Um verdadeiro tratado de uma vertente política que não se contenta com as explicações dos supostos especialistas da criminologia e do direito criminal. Os promotores, em alta classe e refino gramatical abordam os grandes problemas que aterrorizam o povo brasileiro e identificam os agentes políticos que capitaneiam este movimento nefasto que, como projeto de poder, criam um ambiente intelectual, moral e político onde o crime é a nova virtude e o combate ao mal é tido como obsessão "inculta" com o punir.
O Dr Diego Pessi é muito claro e fácil de ler, ele apresenta de forma muita direta as contradições do discurso do superencarceramento no sistema Brasileiro, com dados na sua cara ele acaba retirando qualquer ideia que foi colocada na sua mente sobre o tema. Ótima a parte da atomização social decorrente da insegurança social que evidentemente é resultado da leniência com o crime e como isso derrete as instituições basilares de qualquer sociedade (isto é, família, comunidade, amigos, qualquer forma de coesão em grupo); ainda, como tal situação é programada e almejada por aqueles no poder.
Ressalto aqui que é muito daora como os promotores misturam o uso da linguagem como forma de domínio político e como técnica de alterar a realidade. Por várias vezes os autores são muito claros ao mostrar o uso de um discurso utilizador de palavras que ressaltam emoções que, a priori, são razoáveis e virtuosas, mas angariadas tão somente para justificar uma ideologia que, na prática, destrói a vida das pessoas.
Ainda, lembrei agora, os autores são diretos no ponto que acho dificílimo de ver em qualquer debate, quem prática o crime, fez porque DECIDIU QUE IRIA FAZER AQUILO!!!
Sobretudo o Promotor Leonardo Gardin, é ótimo em apontar as raízes do garantismo penal no direito brasileiro e como essa ideologia se infiltrou nos espaços acadêmicos no Brasil (a tal inteligentsia brasileira) e, consequentemente, em todas as esferas do poder judiciário, notadamente na sua mais alta corte. Estes capítulos se destacam muuuito no livro, o autor deixa claro onde se iniciou essa ideologia, quando, por quem, e como se infiltrou no nosso país e os efeitos desta ideologia na realidade da segurança pública no Brasil.
Destaco o último anexo, no qual Dr Leandro fez um texto em honra à Olavo, onde ele explicitou como o filósofo conseguiu expressar algo que na sua mente ele já sentia mas não tinha capacidade para expressar. Após terminar esse texto, sinto exatamente a mesma sensação, algo que me incomodava e conseguia observar, a qual sabia que representava algo mal, finalmente foi representado em um texto.
De fato, é de se pensar a infiltração do garantismo penal de Ferrajoli no ideário jurista do nosso país e como certos grupos políticos utilizam da linguagem para alterar a realidade política nacional, criando um mundo falso seguido por nossos intelectuais e que acabam atuando na destruição das nossas fracas mas resilientes instituições.
"Abusando do direito de sermos pusilânimes, estimulamos a agressividade dos delinquentes. Agimos como o sujeito que alimento um crocodilo na esperança de não ser por ele devorado.
Textos primorosos na exposição do fenômeno bandidólatra e garantista. Em especial os capítulos 7 em diante da segunda parte, prazerosíssimos de ler (sem desprezar capítulo algum!). As razões ideológicas são muito bem explicitadas pelo Pessi, assim como as origens históricas e ideológicas a partir do positivismo e marxismo pelo Giardin. O apêndice sobre a filosofia kantiana e o cientificismo totalitarista foi a cereja do bolo desse livro ímpar. Uma exposição muito abrangente e muito fecunda a qualquer leitor.