Mais um dos livros de filosofia de avião do Pondé. Já gostei mais dele e, para dizer a verdade, acho que ele se sai muito bem em vídeos – Youtube – e em artigos breves de jornal. De qualquer modo, estou aproveitando esses dias da marmota para ler alguns livros dele que tinha em casa.
Mas voltemos ao Pondé. De certa maneira essa virtude da brevidade, acabou por atrapalhá-lo quando se trata de textos que exigiram maior fôlego. Mais uma vez me parece o caso aqui.
Não que o livro seja ruim. Tem uma tese interessante – a ausência de significado inerente ao Homem é preenchida nas sociedades pós-modernas pelo consumo incessante de produtos – que podem ser coisas, experiências, pessoas ou ainda sentidos não materiais – que podem ser criados de modo contínuo, permanente e sem fim ou limites, a não ser, é claro, os do cartão de crédito.
A tudo isso ele chama de marketing existencial, isto é, a capacidade de criação desses produtos que precisam ter sempre a ideia de que significam alguma coisa de mais profundo do que realmente são.
A parte mais legal do livro é justamente aquela em que faz apanhado das ideias do existencialismo, a começar por Kierkegaard e dá umas pinceladas no pessoal que veio no século XX – franceses e alemães em sua maioria. Mas gostei bastante da síntese que ele faz do autor dinamarquês.
O existencialismo enquanto teoria foi – de acordo com o Pondé – diluído até se transformar em uma coisa meio tutti frutti. As nossas angústias diante das grandes perguntas permanecem. Nós ainda queremos saber se há algo por traz disso tudo que nós chamamos de Vida. No entanto, a pós-modernidade nos oferece uma resposta adocicada em que a verdade experiência da Vida é substituída por algo em que a experimentação de produtos – que podem até ser pessoas – se tornou a nossa única constante.
Não sei, por fim, se ele, Pondé, tem uma resposta para a armadilha do marketing existencial, já que em certa medida ele também é alguém que faz parte da grande-máquina-de-produção-de-significados-de-consumos-que-diminuam-a-dor-de-estar-vivo.