A LOBA E O ROUXINOL es del autor Cabral, Pires y trata de O romance A Loba e o Rouxinol tem por cenário o mundo fechado de uma pequena vila transmontana, nos anos 60 do século passado. A história é contada na primeira pessoa por um filho da personagem central, após a morte deste. Trata-se de um comerciante à moda antiga, hirto numa certa concepção de dignidade profissional e incapaz de se modernizar, o que leva a loja a uma progressiva decadência. Para além disso, desenvolveu um processo psicopático de identificação com a casa onde vivia com a família e da qual foi forçado a mudar-se. Repercutem, nesta história e neste cenário, diversas referências fundamentais que fizeram a história dos anos 60 em Portugal, como a emigração, a guerra colonial, a ditadura e a consequente dialéctica situação/oposição, filtrado tudo pela visão conservadora e provinciana da vilória, que o narrador, estudante em Coimbra durante a crise académica de 62, procura pôr a nu.
ANTÓNIO MANUEL PIRES CABRAL nasceu em Chacim, Macedo de Cavaleiros, a 13 de agosto de 1941. Licenciado em Filologia Germânica pela Universidade de Coimbra, além da atividade docente no ensino secundário, foi responsável pelo pelouro da Cultura na Câmara Municipal de Vila Real. A sua produção literária abrange os domínios do drama e da ficção, com especial destaque para a poesia que, ressentindo-se inicialmente da sua implantação transmontana, tem uma acentuada tendência para o diálogo intertextual nas últimas publicações. Autor de numerosos textos teatrais e antologias, sobretudo escolares, interessa-se principalmente pela problemática do Nordeste português, quer na vertente humana quer na paisagística, evocando por vezes motivos ou ambientes neo-realistas.
Uma história que mostra o profundo apego às raízes, à casa de família, ao intricado jogo de veleidades numa família. Com a soberba escrita de Pires Cabral.
É totalmente diferente do outro livro que eu conhecia do autor - O Diabo Veio ao Enterro - e apesar de ter gostado mais dos contos (pelo humor e pela utilização de uma forma de escrever que traduz o sotaque transmontano), soube-me muito bem ler este livro. É uma história bonita e retrata as transformações - sociais e paisagísticas - sofridas por estas terras nas últimas décadas.