Médico cancerologista há quarenta anos, Drauzio Varella convive com a morte todos os dias. A experiência ao lado de pacientes terminais está contada no livro Por um fio, uma série de relatos em que o autor de Estação Carandiru mostra como a proximidade da morte afeta o doente, seus familiares e até os profissionais responsáveis pelo tratamento. A ligação estreita com o tema, no entanto, não o preparou totalmente para viver a situação inversa, do outro lado do balcão. Em 2004, ao voltar de uma viagem à floresta amazônica local que ele já visitara mais de cinqüenta vezes por conta do trabalho de pesquisa em que atua no rio Negro , Drauzio sentiu-se mal, teve febre e, após alguns dias de teimosia obstinada, aceitou interromper o atendimento no consultório e repousar. Pouco depois, foi internado. Conforme aumentavam a febre e o mal-estar, aumentavam também as incertezas quanto ao diagnóstico.Acompanhando de perto a angústia dos colegas, o doente viu-se na desconfortável posição de entender melhor do que um paciente comum a gravidade de seu caso. Nem mesmo a descoberta de que se tratava de febre amarela trouxe alento: a enfermidade não tem cura, é preciso deixá-la seguir seu curso e torcer para que o corpo resista e se recupere.
After graduation, he specialized in infectious diseases with Prof. Vicente Amato Neto at the University of São Paulo and at the Hospital do Servidor Público de São Paulo. This work led him to develop an interest in immunology and over the following 20 years he worked at the Hospital do Câncer in São Paulo, specializing in oncology. He works as a medical professor at Universidade Paulista, but has taught also in several other institutions in Brazil and abroad, such as the New York Memorial Hospital, Cleveland Clinic, Karolinska Institute, University of Hiroshima and the National Cancer Institute of Japan. One of his main fields of works has been AIDS, especially the treatment of Kaposi's sarcoma. He has had an active role in prevention and educational campaigns about AIDS, being the first one to have a radio program on the subject. From 1989 to 2001 he volunteered to work as an unpaid physician in one of the largest jails of Brazil, Carandiru, in order to tackle the horrific AIDS epidemic raging among male inmates. As a result of this experience, he wrote a best-selling book describing the harrowing life of the inmates, which later became a motion picture (Carandiru, directed by Hector Babenco), winning accolades from both the public and specialized national and international critics. As the chairman of a cancer research institute at UNIP, Dr. Varella presently heads a research program on the potential of Brazilian Amazon medicinal plants for treating neoplasms and antibiotic-resistant bacteria. This research is supported by the São Paulo Research Support Foundation.
(Português) Descendente de galegos e portugueses, Drauzio estudou medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. No início dos anos 70, já como médico, ele começou a trabalhar com o professor Vicente Amato Neto na área de moléstias infecciosas do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Durante 20 anos, dirigiu também o serviço de imunologia do Hospital do Câncer (São Paulo) e de 1990 a 1992, o serviço de câncer do Hospital do Ipiranga. Deu aulas em várias faculdades do Brasil e em instituições em outros países, como o Memorial Hospital de Nova Iorque, a Cleveland Clinic (também nos Estados Unidos), o Instituto Karolinska de Estocolmo, a Universidade de Hiroshima e o National Cancer Institute, em Tóquio. Além do câncer, Drauzio Varella dedicou seu trabalho também ao estudo da AIDS. Foi um dos pioneiros no estudo dessa doença no Brasil, especialmente do sarcoma de Kaposi. Em 1989, iniciou um trabalho no Carandiru (nome popular da "Casa de Detenção de São Paulo"), investigando a prevalência do vírus HIV nos detentos. Até 2002, ano em que o presídio foi desativado, trabalhou como médico voluntário no local. O dr. Varella chegou a idealizar uma revista em quadrinhos, O Vira-Lata, como parte do plano de prevenção da AIDS na cadeia. Atualmente, apoiado pela Universidade Paulista e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), dirige no Rio Negro um projeto de análise de plantas brasileiras, buscando obter extratos para testar experimentalmente no combate à bactérias resistentes a antibióticos e ao câncer.
Eu amo entrar na cabeça do Drauzio! Ele tem uma fluência descritiva de quem reflete, rascunha e escreve tudo o que lhe acontece, e um humor fino adorável, além de uma virtuosa intelectualidade, o que me fazem admirá-lo mais e mais, como médico e pessoa. Mas é como médico que esse livro te oferece a experiência de se deliciar com essa cabeça inteligente, elucidando diversos aspectos da doença, do morrer e da convalescença. Foi divertidíssimo ler a perspectiva de um médico como doente no hospital, como também sensibilizante. Como sempre, um mestre de sentimentos e palavras! Toda a sua obra está na minha lista de leituras.
Assim como qualquer livro deste simpático oncologista famoso no imaginário cultural e midiático brasileiro, O Médico Doente me prendeu do início ao fim.
Dr auzio Varella (como muitos brincam na internet) te agarra e puxa com as palavras e parágrafos que escreve, envolvendo você na sua trama pessoal de ter pegado febre amarela no Rio Negro. É uma história curta e que pode parecer desinteressante, mas como médico, Drauzio é um excelente escritor. Um dos melhores livros que já li sobre a vida, morte e reflexões sobre esses aspectos.
É claro que esse review é tendencioso. Já li cerca de 5-6 livros dele e sou fã declarada deste senhorzinho desde que o “conheci” através dos especiais que ele apresenta na Globo. Considero ele o maior escritor brasileiro que temos atualmente, o Machado de Assis moderno, mas que vai além na escrita “machadiana”: sua leitura flui ainda melhor com o olhar da contemporaneidade que seus 80 e tantos anos (acho) construíram. Junto com Saramago, ele é meu favorito da vida.
Vida longa a esse grande médico e escritor, para que ele possa continuar presenteando a nós com seus escritos.
Uma aventura fantástica pelos meandros da narrativa de doença de um médico, e como a profissão pode afetar, de forma objetiva e subjetiva, o decorrer da doença.
Tal e como é descrito no prefácio, pela professora Teresa Paiva: "O Dr. Drauzio Varella leva-nos da plena saúde à iminência da morte numa descrição viva e detalhada, descrevendo aspectos clínicos que interessam a qualquer médico, facetas do quotidiano evidentes para qualquer leitor leigo em assuntos de medicina, detalhes literários precisos e estritamente apropriados."
A morte é uma certeza. A incerteza do quase-morte, contudo, é experiência que não é dada a todos. Assim estando, há aqueles que se converterão. Há aqueles que permanecerão firmes na descrença. Alguns mudarão radicalmente de vida; outros, limitar-se-ão a trocar o horário do trabalho. Mas, de tantos que passam por experiência tão singular, poucos conseguiriam descrever os ocorridos de forma tão vivaz (por ironia do destino) como faz Drauzio Varella.
Que bela surpresa este livro. Li de forma despretensiosa, e devagar ele me ganhou. No livro a doença chega rápido e o contraste do atual lírico, seu passado e o receio do futuro é avassalador. Consegui "sentir" o amor, gratidão e medo nas páginas. Ter um relato da morte chegando enquanto o corpo e mente se desfiguram é de doer... e o fim... A "lição" foi linda, faz lembrar da poesia de Amado Nervo: "Vida, nada me deves. Vida, estamos em paz!".
Gosto de livros cuja leitura me deixa angustiado, neste livro sofri com a febre amarela, julgo que houve segundos em que tive alguns sintomas 😂😂. A escrita de Drauzio Varella é escorreita e simples e o tema do livro interessante. É um livro que vale a pena!!!!
Esse livro não tinha como dar errado. É um paciente, que também é médico, contando os detalhes de uma saga em busca da recuperação e da própria sobrevivência. Um olhar clínico, pessoal e clínico-pessoal, como eu disse, não dava pra ser ruim. Muito, muito bom!
A cada novo livro do Drauzio que leio, sinto que estou reencontrando um grande amigo, sempre um privilégio parar para ler suas histórias e ver o mundo através de seus olhos. Esse livro, assim como os demais do autor, desnuda a verdadeira face da vida.
Vindo de uma semana internado na UTI, esse livro foi a leitura perfeita para ter outra perspectiva do que vivi. Dessa vez, do outro lado: um médico que tanto admiro relatando as memórias de sua quase-morte.
É um livro curto e a prosa do Drauzio ajuda a terminar ainda mais rápido.
É um mergulho na mente de um médico doente, exatamente o que eu procurava em um livro: Como funciona consciência da sua situação além do sentir dos sintomas, mas também da parte técnica medicinal que ele possui
É muito interessante ver a perspectiva do profissional de saúde no lugar de seus pacientes. Talvez uma simples, mas ótima forma de se ver e entender a tal da empatia
Um dos grandes brasileiros ainda vivos, o Dr. Dráuzio Varella transmite a sua visão dos fatos quando esteve à beira da morte após contrair febre amarela, relembra com detalhes seus pensamentos, devaneios, visitas e a evolução implacável da doença, usando linguagem direta, nos passa a sua percepção racionalista, ateia e, até certo ponto, conformista dos momentos derradeiros.
Gosto das narrativas do Drazio Varella, além de admirá-lo como médico e educador em saúde. Neste livro, ele se desloca do papel de médico e ganha status de paciente, quando, após uma visita à Amazônia, acaba contraindo febre amarela - naquela época, em 2004, doença relativamente rara no país. A narrativa é interessante, sobretudo porque Drauzio compartilha a experiência do adoecimento, o que me fez perceber, em diversos momentos, como as falas e postura do profissional de saúde influenciam na compreensão do doente sobre sua doença. Acredito que ele poderia ter aprofundado um pouco em algumas análises e deixado o texto mais ágil em certos momentos. Para além disso, também é uma boa leitura para quem tem interesse na descrição do adoecimento específico causado pela febre amarela, uma vez que, como educador em saúde, Drauzio recheia o livro com dados e descrições sobre a doença também.
Most doctors never think about their own death. The oncologist Drauzio Varella caught yellow fever due to a trip to Amazon with a vaccine more than 10yr old. He describes the thoughts he had while contemplating his own possible death. Good read.
Gosto dos livros do Drauzio e esse não me decepcionou. Apesar de ser curtinho, a escrita do Drauzio é muito gostosa e vale a pena a leitura. Ele conta a visão dele sendo paciente e isso é interessante vindo de um médico.
Li pois fui obrigada pela disciplina de ASRF e confesso que preferi outras leituras do divo. Gosto muito do jeito que ele escreve e conta a história, só que o fato de ser um relato dele doente k pode ter atrapalhado a leitura !
Com uma linguagem fácil, rápido, divertida e instrutiva, o Drauzio consegue passar para o leitor a reação que ele teve ao ser acometido por uma grave doença e sentir na pele o que seus pacientes sentem ao receber um diagnóstico complicado e ao mesmo tempo delicado. Mais uma vez o Dr. Drauzio fez eu viajar nas suas palavras e entrar de cabeça nessa experiência.