Por que motivo, ao contrário do que aconteceu noutros países da Europa Ocidental a partir de 1989, uma soluções do tipo governo de esquerdas só chegou a Portugal em 2015? Que fatores explicam o surgimento desta solução governativa - pejorativamente designada de «Geringonça»? E, finalmente, que consequências terá para o funcionamento dos sistemas políticos democráticos a inclusão da chamada esquerda radical na esfera governativa, quer em Portugal, quer na Europa? Estas são algumas das questões fundamentais a que este livro procura dar resposta - explicando o processo que levou à criação da «Geringonça» e o modo como ela pode, no fim de contas, funcionar.
André Freire was a Portuguese academic who was Full Professor of Political Science at ISCTE-IUL, Lisbon University Institute, and a senior researcher at CIES-IUL.
A Geringonça trouxe a novidade de uma solução de governo que resultou de um compromisso à esquerda e em que o partido vencedor das eleições não participou nesse processo. Essa solução não representou o fim da austeridade mas acabou com o seu carater assimétrico, devolvendo poder de compra às pessoas e revertendo algumas políticas de cariz mais liberal, com comprovados resultados no crescimento económico e controlo do défice. A geringonça demonstrou que, dentro do quadro democrático e dos compromissos políticos, sempre existiu uma outra alternativa que não passava pela sujeição cega à vontade dos mercados.
André Freire deixa-nos aqui uma análise detalhadas dos acontecimentos, seus condicionalismos, avanços e recuos. Suporta as suas conclusões com dados apresentados em tabelas de fácil apreensão por parte de um leigo em ciências sociais, tornando a leitura do livro apelativa sem sacrificar o rigor. Num país que tem a tendência para esquecer os ensinamentos da história é importante ler e guardar este documento.