A educação pela noite deve o título ao ensaio inicial, que trata do teatro e da ficção de Álvares de Azevedo, poeta ao qual Antonio Candido sempre dedicou muita atenção e é apresentado aqui como singular experimentador que levou bem longe a ruptura romântica com os gêneros literários, ao soldar uma novela a um drama. O ensaio seguinte, Os primeiros baudelaireano, procura mostrar como os jovens do “realismo poético” dos anos de 1870, censurados por Machado de Assis por exagerarem a dimensão sexual ao imitarem Baudelaire, estavam assim ajustando a obra deste às suas próprias tendências de rebeldia. Depois vem Os olhos, a barca e o espelho sobre os escritos pessoais de Lima Barreto, autor irregular que talvez tenha podido, neles, manifestar melhor o seu desejo de sinceridade e a sua consciência dos problemas sociais. Poesia e ficção na autobiografia analisa obras de cunho pessoal de Carlos Drummond, Murilo Mendes e sobretudo Pedro Nava, que publicara os dois primeiros volumes de memórias quando o ensaio foi redigido e Antonio Candido apresenta como grande escritor
Antonio Candido de Mello e Souza é um sociólogo, literato e professor universitário brasileiro. Estudioso da literatura brasileira e estrangeira, possui uma obra crítica extensa, respeitada nas principais universidades do Brasil. À atividade de crítico literário soma-se a atividade acadêmica, como professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É professor-emérito da USP e da UNESP, e doutor honoris causa da Unicamp.