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Baudelaire e a Modernidade - Cole‹o Fil™

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"A modernidade é em Baudelaire uma conquista", eis aqui a definição de Benjamin. Já no primeiro poema de As flores do mal, Baudelaire convoca o leitor à ruptura da apatia. Benjamin aponta o método da aventura, a captura do presente, a intenção do poeta de revidar os atordoantes choques na grande cidade. Para não se tornar receptor inanimado ou ator automatizado, Baudelaire troca o gabinete pelas ruas, a duras penas, físicas e espirituais, e transita entre duas instâncias, flânerie e esgrima. Ao levar a vivência aos âmbitos do coletivo e do voluntário, imiscui-se no hiato da distribuição entre consciente e inconsciente. Conjura os perigos da absorção pela profundeza obscura ou da reflexão pela superfície ofuscante. Antes de o estímulo se queimar como resposta imediata, a vivência, ou se perder como memória de difícil acesso, insere poemas, contragolpes, no espaço intervalar. O modus fica em verso: "tropeçando em palavras como na calçada". É total exposição ao presente, com mente e corpo alertas, e plena compreensão de não se tratar de processo natural: "É essa a natureza da vivência a que Baudelaire atribuiu a importância de uma experiência. Fixou o preço pelo qual se pode adquirir a sensação da modernidade: a destruição da aura na vivência do choque".

380 pages, Paperback

Published January 1, 1900

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About the author

Walter Benjamin

845 books2,073 followers
Walter Bendix Schönflies Benjamin was a German Jewish philosopher, cultural critic, media theorist, and essayist. An eclectic thinker who combined elements of German idealism, Romanticism, Western Marxism, Jewish mysticism, and neo-Kantianism, Benjamin made influential contributions to aesthetic theory, literary criticism, and historical materialism. He was associated with the Frankfurt School and also maintained formative friendships with thinkers such as playwright Bertolt Brecht and Kabbalah scholar Gershom Scholem. He was related to German political theorist and philosopher Hannah Arendt through her first marriage to Benjamin's cousin Günther Anders, though the friendship between Arendt and Benjamin outlasted her marriage to Anders. Both Arendt and Anders were students of Martin Heidegger, whom Benjamin considered a nemesis.
Among Benjamin's best known works are the essays "The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction" (1935) and "Theses on the Philosophy of History" (1940). His major work as a literary critic included essays on Charles Baudelaire, Johann Wolfgang von Goethe, Franz Kafka, Karl Kraus, Nikolai Leskov, Marcel Proust, Robert Walser, Trauerspiel and translation theory. He also made major translations into German of the Tableaux Parisiens section of Baudelaire's Les Fleurs du mal and parts of Proust's À la recherche du temps perdu.
Of the hidden principle organizing Walter Benjamin's thought Scholem wrote unequivocally that "Benjamin was a philosopher", while his younger colleagues Arendt and Theodor W. Adorno contend that he was "not a philosopher". Scholem remarked "The peculiar aura of authority emanating from his work tended to incite contradiction". Benjamin himself considered his research to be theological, though he eschewed all recourse to traditionally metaphysical sources of transcendentally revealed authority.
In 1940, at the age of 48, Benjamin died by suicide at Portbou on the French Spanish border while attempting to escape the advance of the Third Reich. Though popular acclaim eluded him during his life, the decades following his death won his work posthumous renown.

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Pedro.
61 reviews23 followers
February 8, 2023
li o “alguns motivos na obra de Baudelaire”, muito foda
Profile Image for Matheus Fernandes.
4 reviews3 followers
Read
February 11, 2021
Os ensaios de Walter Benjamin sobre Baudelaire fazem parte de um dos programas filosóficos do autor, o de uma educação estética de seus leitores. Este programa, contudo, não visa ao refinamento do gosto ou à apresentação dos conceitos fundamentais da filosofia da arte. O sentido da aisthesis no pensamento benjaminiano aproxima-se daquele de uma ciência das faculdades sensíveis. Mais especificamente, o projeto benjaminiano almeja abalar a concepção de que o uso da sensorialidade humana é ahistórico e ideologicamente neutro. Ao contrário, o filósofo postula que a sensibilidade se transforma no percorrer da história junto com a alteração das condições materiais de vida. Além disso, o filósofo alega que a percepção e a memória, os dois núcleos de sua reflexão sobre as faculdades sensíveis, não são politicamente imparciais, mas forças constitutivas da percepção ideológica da realidade.

Os dois textos de Benjamin sobre Baudelaire, “A Paris do Segundo Império na poesia de Baudelaire” e “Sobre alguns motivos da poesia de Baudelaire”, são frutos de um livro inacabado sobre o poeta francês, remontando em última instância às extensivas pesquisas sobre a Paris do século XIX que formariam o, também inacabado, projeto das Passagens, ou Passagen-Werk. O projeto das Passagens foi concebido como uma ousada tentativa de escrever um livro de filosofia a partir quase que exclusivamente da montagem de citações, muitas vezes oriundas de fontes mundanas como panfletos e crônicas de revista, e da descrição fenomenológica de eventos comuns à vida metropolitana, como as experiências de consumo e de passeio no interior da multidão urbana. O propósito do livro, no entanto, era eminentemente crítico da ordem econômica capitalista, pois deveria habituar o leitor a desassociar a noção de progresso social das imagens ilusórias de inovação e abundância geradas pela circulação de mercadorias. Tal desassociação não seria provocada pelo método tradicional de exposição dos “bastidores da produção”, da realidade de opressão proletária, mas sim por um treino de “dialética do olhar”, que reforça no leitor a aptidão de reconhecer as contradições e limitações inerentes às próprias imagens de progresso capitalista.

Os trabalhos de Benjamin sobre Baudelaire partem do paradigma teórico do projeto das Passagens. Os ensaios aqui contidos não julgam o valor artístico da obra de Baudelaire, mas perfazem uma reflexão acerca da experiência sócio-histórico na origem de sua poesia. O que Benjamin pretende é evidenciar “a estreita relação que existe em Baudelaire entre a figura do choque e o contato com as massas da grande cidade”. A noção de choque, que denota uma relação de intertextualidade entre os ensaios e a psicanálise, aponta para as ameaças de perigo e desorientação provenientes da vida na metrópole. Os choques forçam a atenção consciente a concentrar-se no momento presente: são exemplos a vivência do operário na fábrica, que precisa estar atento aos segmentos da linha de produção; mas também a do participante de jogos de azar, que decidem a fortuna ou a bancarrota do jogador em único lance de dados; a do passante que subitamente se vê paralisado pela tensão erótica de uma troca de olhares e a do manuseio de instrumentos mecânicos, como a câmera fotográfica, que resumem uma longa série de processos a um único click da máquina.

Os ensaios deste livro nos levam a questionar os impactos de uma sensibilidade constantemente direcionada ao instante presente, ao ponto de encarar a experiência temporal como uma série de instantes desconectados. O resultado, o filósofo alega, é a fragmentação da rede temporal que unia a vida presente, a rememoração do passado e a expectativa do futuro em um fluxo contínuo. Alguns marcos da vida pré-moderna, como a comemoração dos feriados religiosos e o ritos de passagem geracionais, proporcionam ainda hoje ocasiões para uma rememoração que conecta a existência individual com o passado coletivo. Este senso de pertencimento em uma comunidade humana, que inclui em si o reconhecimento do sofrimento dos oprimidos, é também a condição de possibilidade da imaginação que prevê um futuro utópico, liberto das coerções do presente.

Em contraponto a esta experiência temporal fluída, a era moderna apresenta-se como um “presente ampliado”, valendo-nos aqui da expressão de outro autor, Hans Gumbrecht. Segundo a concepção benjaminiana, o moderno não representa simplesmente o novo, no sentido de uma nova etapa da humanidade, destinada a alcançar eventualmente o equilíbrio e a homeostase. Ao contrário, a peculiaridade da capitalismo tardio está na submissão da humanidade a um processo de modernização incessante, motivado pela necessidade constante de renovação da circulação de mercadorias. No entanto, as constantes transformações na infraestrutura da sociedade humana não culminam no aprimoramento das relações sociais de miséria e desigualdade. A incessante emergência do novo, portanto, acaba ocultando a permanência de uma opressão social que permanece intacta, quando não é aprofundada pelos mecanismos do capital. Esta estrutura temporal lembra aquela dos castigos míticos, como o de Sísifo, nos quais o homem é obrigado a repetir a mesma tarefa eternamente, sem nenhuma indicação de propósito ou perspectiva de alívio. A estrutura da temporalidade típica do modernidade capitalista, conclui Benjamin, deve ser caracterizada como uma temporalidade infernal.
Profile Image for Pedro.
61 reviews4 followers
May 1, 2024
Very difficult and somewhat incomprehensible sometimes.
Displaying 1 - 3 of 3 reviews

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