“As Benevolentes” tem a estrutura de uma tragédia grega: reúnem-se nelas praticamente todas as personagens dos volumes Sandman, Lyta Hall e o seu filho Daniel, que foi reclamado por Morfeu, o deus nórdico Loki, Rose Walker, Lúcifer e inclusive as Fúrias, no papel de um verdadeiro coro grego.
Os seguidores de Sandman sabem o quanto Gaiman gosta de mitologia clássica, e em “As Benevolentes”, são as Fúrias, personificações da vingança, que se encarregavam de criar nas almas pecadoras remorso e necessidade de vingança, segundo a mitologia antiga, que têm um papel importante ao longo da história, levando mesmo ao seu desfecho.
É Lyta Hall, e o seu filho Daniel, que Morfeu em tempos tinha reclamado para si, que estará no centro desta tragédia, jurando vingança contra o Senhor dos Sonhos. Transtornada, Lyta vagueia pelos mundos sem plena consciência do que faz, e acabará por pedir ajuda às Fúrias.
Wow! We've got to love Neil Gaiman. Some of the (apparently) random stories from previous volumes are coming back in this book to be a part of a bigger story. In this book, these stories are unveiling themselves and showing the readers how they are tiny (but important) gears that make the entire plot works perfectly - just like pieces of a puzzle that Neil Gaiman is allowing us to put together with him. This saga is a masterpiece and Gaiman a freaking genius!
Interessante, mas confuso. Temos o retorno de muitas personagens, a continuação de muitas histórias paralelas e a intenção do Senhor dos Sonhos foi-me incompreensível. Passarei para a leitura imediata da parte dois.
As peças do puzzle finalmente começam a encaixar. Em As Benevolentes – Parte 1, Neil Gaiman coloca quase todas as peças no tabuleiro e as ações passadas começam a fazer sentido. O efeito borboleta está bastante presente neste volume de Sandman: Mestre dos Sonhos, que poderia talvez ser o meu álbum preferido da coleção, se não fosse tão arrastado e abstrato.
Ainda que os apreciadores deste tipo de enredo possam adorar todos os diálogos pejados de significados, sinto que eles apenas fazem dar corpo aos personagens e enriquecem a densidade narrativa. Os diálogos banais – que vimos a descobrir ser essenciais para dar sentido aos remates finais e fazer-nos suspirar “que génio”, acabam por parecer um pouco forçados e, até chegarmos a essas conclusões onde a lâmpada se acende e estremece toda na nossa cabeça, sofremos durante o processo. Pessoalmente, acho sofrível ter de engolir personagens e histórias novas em todos os volumes só para que eles se interliguem uma vez ou outra. Não tiro mérito a Neil Gaiman, mas fica realmente a sensação que a obra no seu todo não teve um esqueleto, e que as ligações estabelecidas são rasgos pontuais, “feitos a martelo”. Muito provavelmente, implicação minha.
As lições de moral, as simbologias, o fazer pensar na brevidade da vida e nas consequências das nossas atitudes, assim como toda a abordagem social, são pontos muito positivos na obra. Aliás, não consigo ver muito mais do que isso de positivo. A forma como Gaiman brinca com as mitologias é algo banal e sem humor, embora sinta que fazer rir seja, em alguns momentos, o propósito do autor. Falando em humor, o cabeça de abóbora Mervyn e o imprevisível Loki acabaram por ser os mais engraçados neste volume. A arte de Hempel foi, em geral, melhor que a dos seus antecessores, mas a nível de expressões faciais deixou muito a desejar.
Mais uma vez, e tal como a grande maioria dos livros anteriores, achei o argumento deste fraco... Nem sei por que razão continuo a ler esta série... Talvez para, quando terminar, poder dizer as razões pelas quais ela não me agradou... algumas pontas soltas nos livros anteriores são reatadas, mas sinceramente... Quem é que ainda se lembra quem é Rose Walker? Ou Hob Gadling? Ou Hippolyta Hall? Já há tanto tempo que não se falava neles que eu, sinceramente, já me tinha esquecido deles... Em todo o caso, dou 3 estrelas ao livro porque gostei dos desenhos dos artistas gráficos. As linhas são muito mais simples e estilizadas do que os livros iniciais, pelo que se tornam bem mais "legíveis" e "perceptíveis". Enfim, ainda me faltam o segundo volume de "As Benevolentes" e o volume final... Hei-de chegar ao fim, mais por carolice do que por gosto sincero pela série...
Ainda faltam mais dois volumes de Sandman para terminar a série, mas neste volume 9 a tragicidade é palpável, bem como o peso de milénios nos ombros de Sonho. Pesa, sobre ele, a morte do filho, bem como os vários relacionamentos amorosos (frustrados que teve). Sonho revela-se quase apático ao que vai ocorrendo em seu torno e são vários os indícios de que estaremos a chegar ao final de uma época.
Uma mãe pede vingança pelo filho desaparecido. Caindo na demência por conta do desaparecimento (e consequente morte sem que se conheçam as circunstâncias) acabará por pedir ajuda às Benevolentes (ou Fúrias, como não gostam de ser chamadas) que, lentamente, se encarregam de tecer as circunstâncias para que seja feita justiça.
Por sua vez, no reino de Sonho nota-se que está cada vez mais ausente, pouco preocupado com quem habita o seu reino. Ausente, fechado sobre si próprio, Sonho mostra-se neste volume como uma personagem cansada e distante, questionando os acontecimentos recentes e exercendo pouca autoridade.
Visualmente este volume remete para a loucura, mostrando a mãe demente envolta em cores alucinantes e cores exageradas. Por sua vez, os episódios com Sonho são soturnos, mostrando uma perspectiva ainda mais sombria do que é habitual.