Em um diálogo crítico com a historiografia mais recente, Laura de Mello e Souza repensa o papel da centralização monárquica na administração da América portuguesa. A autora defende a idéia de que a unidade brasileira foi vista primeiro por Portugal, antes mesmo que os próprios habitantes da terra cogitassem essa possibilidade. Para Portugal, o século XVIII inaugurou uma nova concepção de império. Dom João V, Dom José I e Dona Maria - avô, filho e neta - quase que só olharam para o Atlântico Sul e, nele, mais para o Brasil que para a África. O sol e a sombra trata das estruturas e dos acontecimentos que possibilitaram o controle português sobre o Atlântico Sul setecentista. Ao enfatizar a ruptura entre a monarquia e as elites mais antigas da América portuguesa, a autora mostra como, por um lado, acirraram-se os sentimentos regionais e, por outro, a necessidade, a partir do centro de poder, de repensar o governo dos povos das conquistas. O sol e a sombra trata também dos protagonistas da administração portuguesa na Amé quem eram, por que deixavam a pátria, atraídos pelas possibilidades de enriquecimento e honrarias, mas acabavam muitas vezes por sacrificar parte considerável do próprio patrimônio. Laura de Mello e Souza defende a idéia de que a unidade brasileira foi vista primeiro por Portugal, antes mesmo que os próprios habitantes da terra cogitassem essa possibilidade. Mas deixa claro que as relações entre o governo e os governados são, como na metáfora do título, variá dependem da distância que os separa, e mudam conforme o lugar a partir do qual os fenômenos são observados.
Laura de Mello e Souza é professor titular em História Moderna do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo. Fez seu mestrado e seu doutorado no Programa de História Social do referido DH-FFLCH-USP, sob orientação de Fernando Novais. É autora dos seguintes livros: Opulência e miséria de Minas Gerais (Brasiliense, 1982); Desclassificados do ouro (Graal, 1982); O Diabo e a Terra de Santa Cruz (Companhia das Letras, 1986); Feitiçaria na Europa Moderna (Ática, 1987); Inferno Atlântico (Companhia das Letras, 1993); Norma e Conflito (Editora da UFMG, 1999); O sol e a sombra (Companhia das Letras, 2006). É co-autora, com Maria Fernanda Baptista Bicalho, de 1680-1720: o império deste mundo (Companhia das Letras, 2000). É organizadora e co-autora do primeiro volume da História da Vida Privada no Brasil denominado Cotidiano e Vida Privada na América Portuguesa (Companhia das Letras, 1997).