O livro tem uma escrita simples e é de fácil leitura sendo, a maior parte do tempo, narrado pela voz de um menino judeu que conta a história pela qual a sua família e as pessoas com as quais se cruza passaram. A sua família tinha uma vida desafogada, por assim dizer. O seu pai era um médico respeitado e a sua mãe era enfermeira. Não obstante as suas profissões e os feitos que realizaram ao longo da sua vida, eram judeus e, no regime hitleriano, passaram a ser tratados como tal.
A narrativa decorre entre 1930 a 1058 e passa por diversos países e diversos continentes. Cruza várias personagens e várias histórias. A meu ver, demasiadas. Uma das coisas que não gostei, tem a ver com o facto de ter sentido uma falta de ligação entre os diversos capítulos e as diferentes personagens.
Não sendo eu uma pessoa que já tenha lido muito sobre o tema, senti que a autora quis abordar vários factos ocorridos, fazendo-o de forma muito subtil e, por vezes, pouco estruturada. Fala por exemplo, do Dr. Mengele e dos seus experimentos. Efectivamente, este é um assunto sobre o qual gostaria de saber mais mas, não foi com este livro que essa minha vontade ficou satisfeita.
Não obstante as coisas que não apreciei, não deixa de ser um bom livro. Recorda-nos factos da nossa história que continua a ser difícil de acreditar que ocorreram sendo também muito difíceis de narrar. Factos que nos avivam a memória relativamente à má índole e crueldade que o ser humano pode ter para com os da sua própria espécie. Fala-nos de discriminação, crueldade e tortura. De factos que não podem ser abordados de ânimo leve. Fala de deixar de ter a nossa própria identidade para, devido às nossas crenças religiosas, sermos marcados e tratados como objectos.