E Lêdo Ivo escreve poemas longos mas são os aforismos curtos e vigorosos que predominam em sua obra. Suas palavras têm a confiança de alguém que se tornou clássico no seu próprio tempo um homem que pode escrever odes para terrenos baldios e pássaros mortos e sonetos para caranguejos - sonetos cuja fragrância pode ser uma recordação mas cujo cheiro é ainda de açúcar e carne a finisterra de sal e água que atravessa os potões de sua sensibilidade e que quase sempre foi o assunto de sua poesia e de sua imagunação selvagem.
Lêdo Ivo[1] (Maceió, 18 de fevereiro de 1924 - Sevilha, 23 de dezembro de 2012), filho de Floriano Ivo e Eurídice Plácido de Araújo Ivo foi um jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta brasileiro. Seu primeiro livro foi As Imaginações. Fez jornalismo e tradução. Da sua vasta obra, destacam-se títulos como Ninho de Cobras, A Noite Misteriosa, As Alianças, Ode ao Crepúsculo, A Ética da Aventura ou Confissões de um Poeta. Era membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 13 de novembro de 1986 para a cadeira 10, sucedendo a Orígenes Lessa.