Josué de Sousa Montello foi um jornalista, professor, teatrólogo e escritor brasileiro. Entre suas obras destacam-se Os tambores de São Luís, de 1965, a trilogia composta pelas novelas Duas vezes perdida, de 1966, e Glorinha, de 1977, e pelo romance Perto da meia-noite, de 1985. Trabalhou como diretor da Biblioteca Nacional e do Serviço Nacional de Teatro, escreveu para a revista Manchete e o Jornal do Brasil, além de trabalhar no governo do presidente Juscelino Kubitschek. Obras de Josué Montello foram traduzidas para o inglês, francês, espanhol, alemão e sueco. Algumas de suas novelas foram roteirizadas para o cinema; em 1976, Uma tarde, outra tarde recebeu o título de O amor aos 40; e, em 1978, O monstro, foi filmado como O monstro de Santa Teresa. Morreu em março de 2006, vítima de insuficiência cardíaca. Encontrava-se internado na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, há mais de um ano, para tratamento de problemas respiratórios. O corpo foi velado na Academia Brasileira de Letras e sepultado no fim da tarde no Cemitério São João Batista.
Uma viagem suave e conturbada. O escritor Josué Montello neste livro torna-se nosso guia na passagem do ano de 1957 até pouco mais da metade de 1967. Muitos afirmam que aqui há o protagonismo de Juscelino, o que discordo completamente. Mesmo Juscelino, que muito aparece, nos é a apresentado pela ótica do imortal, que torna evidente ao longo dos dias, meses e capítulos que sua percepção sobre a realidade é capaz de captar coisas sobre o construtor de Brasília que nem mesmo ele percebia.
O protagonista, de modo indubitável, é Montello, é a sua percepção artística e de homem um tanto prático sobre a realidade. Josué é digno ao omitir o nome dos desafetos e grandioso ao citar todas as suas referências. Em suas memórias mesmo os pequenos atos se tornam grandes e belos.
Do homem prático fica a certeza da coragem. Josué, o amigo dos seus, não arreda o pé na defesa do que acredita ser certo, nem se omite perante os atos cruéis de sua época; mas também não se omite em servir eminentemente à nação brasileira.
Josué Montello não foi apenas um grande romancista, foi um grande Homem.
Montello é um cara muito generoso e escreve mais sobre os outros do que de si, mesmo no próprio diário. Por isso, a grande estrela aqui é, sem dúvida, Juscelino Kubitscheck, que foi retratado com a devida grandeza que ele não recebeu em vida.