Transformações radicais afetam globalmente a Terra e transformam o trajeto entre uma pequena comunidade de sobreviventes em Santa Catarina e a antiga, megalópole de São Paulo em uma terra devastada e violenta. Duas expedições com destino a São Paulo já pereceram. Uma terceira é montada. Este romance de Daniel Fresnot narra, pela voz de um dos participantes da terceira expedição, o caminho trilhado e os esforços empreendidos para se alcançar esse último símbolo da civilização perdida, num romance que transforma nossa visão da paisagem brasileira. Esta edição de A Terceira Expedição conta com, arte de capa do artista plástico nipo-brasileiro de repercussão internacional, Claudio Takita.
Nota: 2.5. Conceito interessante — principalmente para o ano da primeira publicação, 1987 —, mas execução prejudicada por uma série de coisinhas. A terceira expedição conta a história da recuperação de um grupo de brasileiros em um cenário pós-apocalíptico, depois de uma guerra nuclear — na época do lançamento, acredito que a ameaça da Guerra Fria ainda estivesse bem forte. A história é contada por relatos de um sobrevivente intercalado com cartas e registros de outros personagens, e isso acaba sendo tanto um trunfo quanto um problema para a história. Explico: o relato do protagonista, por assim dizer, o Mané, é feito de forma bem verossímil, parece mesmo que é alguém contando uma história, mas, ao mesmo tempo, parece que é alguém contando uma história desinteressante... não existe uma identificação. As coisas acontecem, elas são descritas, a gente segue em frente, acaba o livro, pronto, feijoada. Além disso, fiquei profundamente incomodado com a falta de mulheres nesse livro. As poucas existentes são esposas, namoradas, filhas, interesses românticos. Nenhuma delas — nenhuma! — participa das três expedições descritas ou mesmo de, sei lá, UM DIÁLOGO.