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Gramática do Medo

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Uma história de amizade e mistério escrita a quatro mãos por duas vozes marcantes da literatura portuguesa contemporânea.

Amigas inseparáveis, Mariana e Sara partilham tudo desde que se conhecem (um curso de teatro e cinema, uma carreira difícil, amigos, ex-namorados, dinheiro e um quotidiano nem sempre fácil), até ao dia em que uma delas desaparece, misteriosamente, durante um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Poucas são as pistas que deixa atrás de si mas, numa demanda que a irá levar a correr mais de metade da Europa, Sara tenta encontrá-la. O que vai descobrindo leva-a a perceber que, afinal, há muita coisa na vida da amiga que desconhece. Porque desapareceu Mariana, que fantasmas a perseguiam, do que quis fugir?
Numa viagem simultaneamente interior e geográfica, esta é também a história do desaparecimento do sujeito na civilização actual, da dissociação da vida comum, da fragmentação da memória e da ténue fronteira entre ficção e realidade.

176 pages, Paperback

Published April 6, 2016

81 people want to read

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Maria Manuel Viana

12 books1 follower

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1 star
2 (4%)
Displaying 1 - 21 of 21 reviews
Profile Image for João Carlos.
670 reviews316 followers
May 15, 2017


A capa do romance "Gramática do Medo" - num trabalho de composição de Maria Manuel Lacerda - com base numa pintura a óleo sobre madeira do artista espanhol Dino Walls intitulada Limbus (2009) retrata assombrosamente a obra escrita a duas mãos por Maria Manuel Viana (n. 1955) e por Patrícia Reis (n. 1970).
Não há nada mais a acrescentar.
Duas mulheres - Sara Santiago e Mariana Sampedro - à procura do amor...
Profile Image for Célia | Estante de Livros.
1,192 reviews278 followers
December 3, 2017
Estou há alguns dias a tentar perceber o que hei-de escrever em relação a este livro e, sinceramente, continuo um bocado no escuro. Há livros assim, que não se prestam a análises rápidas e inequívocas. Comecemos, talvez, pelo óbvio: a capa de Gramática do Medo é fantástica e foi, muito provavelmente, o que me fez adquiri-lo (às vezes sou assim, muito fácil). Trata-se de uma pintura do artista espanhol Dino Valls, de 2009, entitulada Limbus .

Relativamente à história, trata-se de uma narrativa contada a duas vozes – Mariana e Sara – por duas autoras portuguesas (de Patrícia Reis, já tinha lido, neste ano A Construção do Vazio e Maria Manuel Viana foi uma estreia para mim). No início do livro, Mariana desapareceu após embarcar num cruzeiro, sem dizer a ninguém – família ou amigos – qual o seu destino ou objetivo. Depois de muito tempo sem dar notícias, a família assume a sua morte e chega mesmo a fazer um funeral de caixão vazio. Mas Sara, amiga de longa data de Mariana, não acredita que ela tenha morrido e decide tentar encontrá-la.

As viagens constantes ao passado permitem ao leitor perceber como se conheceram e como evoluiu a relação entre as duas. Sara e Mariana, Mariana e Sara: duas faces da mesma moeda, que à medida que as páginas se vão virando percebemos ter uma relação muito mais complexa do que se poderia supor à primeira vista. A complexidade dessa relação acaba por ver-se refletida, de forma muito bem conseguida, na narrativa fragmentada e por vezes algo indefinida.

Tenho de confessar que este livro me deixou com sentimentos antagónicos. Apesar de, como referi acima, achar que o estilo narrativo se adequa muito bem ao tom da história, por vezes tive dificuldade em apreender o significado real daquilo que estava a ler. Não tenho problemas em admitir que me senti perdida amiúde e sem conseguir perceber realmente para onde as autoras me estava a querer levar, como leitora. A minha sensação foi que, às tantas, a história acaba por perder-se no meio de tanta complexidade. Apesar de serem as duas personagens com muitas nuances, acabei por gostar mais de Sara e foi nos capítulos dela que me senti mais ligada à história.

O final em aberto desiludiu-me. Acho que depois do relativo esforço que fiz para concluir a leitura esperava algo mais conclusivo, mais definitivo. Fiquei com a sensação que a viagem talvez fosse mais importante que o destino, mas a verdade é que não consegui apreciá-la devidamente. No final, fica a sensação de um livro bem escrito e com duas boas personagens, que acabou por me perder no enredo. Ou então fui eu que não percebi nada do que este livro me quis dizer.
Profile Image for Rita.
163 reviews
September 27, 2016
Há de tudo neste mundo dos livros, aqueles para devorar, os que se lêem devagar, os que nos fazem chorar, rir, pensar ou que nos levam a reflectir. Depois há a "Gramática do Medo" que é um estilo indefinido que proporciona ao leitor arrepios pelo corpo todo!
Sabe-se que um livro não é lido de forma igual por dois leitores mas este consegue originar um turbilhão de reacções totalmente distintas. Para mim foi particularmente marcante pela forma como aborda a procura/necessidade de mudança e o auto-conhecimento.

A escrita é do melhor que a literatura portuguesa contemporânea tem para oferecer. Nunca tinha lido nada de nenhuma das autoras, mas já me tinha sido sugerido e confesso que foi uma agradável surpresa.

As personagens principais são Sara e Mariana, duas amigas, fisicamente parecidas, que se confundem passando uma pela outra. Para além da aparência física têm em comum um curso de teatro, muitos amigos, um percurso de vida (ainda que em classes sociais distintas) e um sentimento: o medo.

"Para compreender o Ser, não são só as palavras que faltam, mas sobretudo a «gramática». Só que o elemento primordial, o que aqui está em causa, não é tanto o ser e a sua essência, o ente e a existência, a radicalidade da questão ontológica, o jogo de linguagem, mas a palavra fundamental, medo, o medo que tudo sobre, porque ela sabe que no princípio está o medo e no fim, quem poderá sabê-lo?, talvez ainda e sempre o medo. Por isso, Gramática do medo. Tem quatro designações possíveis, embora saiba que só uma se adequa a partir daqui, Sara saberá o que fazer."

Se recomendo? Sim, sem qualquer dúvida e arrependimento ;)
Profile Image for Margarida Galante.
478 reviews43 followers
February 21, 2026
Sara e Mariana são amigas inseparáveis desde que se conhecem. Têm muitas coisas em comum, que as ligam, embora tenham personalidades bem distintas. Quando uma delas desaparece, a outra vai tentar tudo para a encontrar.

Nesta busca de Sara e também nos relatos paralelos de Mariana, percebe-se que existe entre as duas uma relação complexa e intensa, com segredos e silêncios, medo e insegurança.

Existe uma aura de mistério que me prendeu a esta história embora tenha percebido cedo que talvez o mais importante não fosse o desfecho. Parece-me que este é um daqueles livros que será lido e entendido de forma diferente por cada leitor.

Foi um prazer perder-me nas páginas e nas palavras deste livro, cuja escrita me encantou.
Profile Image for Cata.
484 reviews78 followers
November 20, 2017
Primeira leitura para o #lerosnossos concluída!
A Gramática do Medo é um livro difícil de falar, pelo menos fazendo-lhe jus.
Tem uma escrita lindíssima, em determinadas partes poderia mesmo dizer poderosa, que aborda uma miriade de temas incluindo amor, amizade, identidade e medo. Protagonizado por duas amigas, existem alturas em que a personalidade de ambas se funde e confunde de forma intrigante. Alturas em que o leitor se questiona quem está mesmo a falar nesse momento. Pelo menos eu questionei.
Como pontos negativos, realço dois: no início senti-me um pouco perdida e odiei o epílogo por considerar secante e desnecessário.
Profile Image for Márcia Balsas.
Author 5 books107 followers
April 25, 2016
Mais um para o grupo dos livros que me deixa no vazio das palavras. Contudo os sentimentos que vivi ao lê-lo são reais, e é através deles que espero chegar às palavras.
Senti muito amor e muito medo. O amor de Sara e Mariana enche todas as páginas, um amor sincero e familiar, da família que a vida oferece, normalmente de forma casual, como aconteceu com elas. Um amor que escolhe e acolhe, e que as fez escolher uma à outra.
E depois o medo. O medo começa na capa, como um aviso de sombras, um alerta aos sentimentos mais belos, pois nem esses dão imunidade ao sofrimento. Mesmo sem saber do que havia de ter medo, já tinha, porque ele está sempre lá, até nas descrições dos sorrisos e confidências das amigas, esperamos que chegue, o medo, se calhar já na próxima página.
Por vezes deixava o marcador do livro, esquecido, ao meu lado. Imagem da capa focada na intensidade dos olhares de duas mulheres. São parecidas. Talvez como Sara e Mariana, que se misturam, e confundem, passando uma pela outra devido, possivelmente, a uma parecença feita do conhecimento mútuo e profundo. A força da imagem fazia-me virar o marcador ao contrário. É uma capa extraordinariamente bem conseguida, a arte tem de incomodar.
Mariana desaparece. Depressa chega a prometida página do medo.
A história tem de ser lida, por isso não me alongo por aqui com ela. Comigo ficou a força de um livro escrito de forma hábil por duas mulheres que admiro e de quem acompanho o trabalho. Maria Manuel Viana e Patrícia Reis não desiludem, escrevem com a força das mulheres que sabem o que querem, sobre mulheres que assumem o medo, sabendo que não havendo medo (mesmo que só um pouco) não haveria coragem.
“Só que o elemento primordial, o que aqui está em causa, não é tanto o ser e a sua essência, o ente e a existência, a radicalidade da questão ontológica, o jogo de linguagem, mas a palavra fundamental, medo, o medo que tudo cobre, porque ela sabe que no princípio está o medo e no fim, quem poderá sabê-lo?” Pág. 113.
http://planetamarcia.blogs.sapo.pt/gr...
Profile Image for Ana.
219 reviews8 followers
May 13, 2018
A capa deste livro gritava por mim, mal lhe coloquei a vista em cima tive que o comprar! Revelou-se uma leitura ligeiramente diferente do que esperava, é um livro intenso e profundo, um livro sobre auto-conhecimento. Não é uma leitura que flui com facilidade, exige concentração da nossa parte. Certamente um livro que vou ter que reler um dia destes para assimilar tudo o que não consegui nesta primeira leitura.
Profile Image for David Pimenta.
379 reviews19 followers
April 18, 2016
“A mulher definitivamente banal passa os dedos pelas pérolas rosa, num gesto ancestral que vira fazer muitas vezes às mulheres da aldeia onde em tempos vivera, só que essas eram contas pretas, acompanhadas por uma ladainha em que a expressão virgem maria aparecia frequentemente. Sempre gostara dessa possibilidade de exorcizar demónios e de pedir bênçãos, embora nunca lha tivessem ensinado.”

É certo e sabido que os livros são feitos para entender, um pouco mais, o mundo. São moedas com dois lados: para os escritores, enredados na criação da história, das personagens e dos cenários; e para os leitores, à procura de significado ou entretenimento. Se um escritor é capaz de dar origem a uma obra de arte, não há como descrever a beleza de um livro criado a quatro mãos. Com uma conhecida relação de amizade, duas escritoras conhecidas dos leitores, Maria Manuel Viana e Patrícia Reis, lançaram um dos melhores livros portugueses dos últimos tempos: Gramática do Medo (Dom Quixote, 2016).

As protagonistas desta história, Sara e Mariana, são amigas inseparáveis e partilham tudo desde que se conheceram. Estão ligadas por um curso de teatro e cinema, uma carreira difícil – aproximada ao mundo da publicidade, como actrizes de anúncios de publicidade televisivos –, por amigos em comum, ex-namorados e rotinas complicadas. Cada uma, de classes sociais diferentes, tem sempre algo a apontar para mostrar o quão difícil é a sua vida. As perguntas começam a surgir quando Mariana desaparece, misteriosamente, durante um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Escreveu a Sara “uma longa carta, em letra miúda que, muito mais tarde, foi recuperada e entregue à destinatária”, não se esquecendo de assinar como “da tua quase sempre mulher banal”. Numa alternação entre os cenários geográficos, as vozes das protagonistas e a ficção e a realidade, é colocado em reflexão, ao longo do livro, o significado de uma amizade.

Na relação destas duas mulheres, o elemento primordial e unificador é o medo. Tal como Sara descreve, ao tomar a decisão de ir atrás de Mariana, que o que está em causa não são as questões sobre o ser e a sua essência ou o jogo de linguagem, mas sim “a palavra fundamental, medo, medo que tudo cobre, porque ela sabe que no princípio está o medo e no fim”.

Podem ler todo o artigo no Deus Me Livro: http://deusmelivro.com/mil-folhas/gra...
Profile Image for Patrícia.
205 reviews1 follower
August 6, 2016
Um livro a que preciso voltar. Páginas que preciso reler. É demasiado fácil dizer que é um livro sobre o medo, isso é óbvio pelo título. É demasiado redutor dizer que é um livro sobre a amizade ou sobre o amor, apesar de ser isso tudo. É óbvio que é um livro que enaltece as palavras, a literatura, que joga com a realidade e ficção (e como se diz às páginas tantas "cabe ao leito e espectador a terrível tarefa de discernir ficção e história").
Acho que é o tipo de livro que terá um significado diferente para cada leitor. Para mim é um livro sobre o auto-conhecimento. A procura e luta para nos (re)conhecermos. O quão nos castigamos por vezes e como nos iludimos. Sobre as várias partes de nós. A necessidade de morrer e voltar a nascer. A vida como circunferência e não como linha recta.
Profile Image for Vânia Caldeira.
181 reviews3 followers
June 22, 2019
Estava bastante expectante com este livro. Admito que a beleza da capa contribuiu em muito para o ter adquirido. O início prometia já que nos apresenta duas mulheres complexas que contam a sua história a duas vozes, tal como as duas autoras que escreveram o romance. Sara e Mariana são duas amigas íntimas cujos meandros da sua história nos vai sendo apresentada, após o misterioso desaparecimento de uma delas. Gostei da profundidade com que as protagonistas são desenvolvidas. A mesma escrita elaborada que inicialmente me prendeu foi-se complicando e enrolando e, a determinada altura, comprometendo mesmo a história contada. Embora seja um livro de poucas páginas para mim tornou-se chato e mesmo o final é profundamente desapontante.
Profile Image for Tita.
2,216 reviews236 followers
May 18, 2019
Quando este livro foi editado, vi várias opiniões positivas, pelo que tinha as expectativas algo elevadas mas, infelizmente, a leitura não foi prazeirosa.
Temos a história de Mariana e Sara, amigas há várias anos e cujos passados são muito semelhantes e, um dia, Mariana vai fazer um cruzeiro e desaparece misteriosamente.
Os capítulos são narrados pelas duas protagonistas e, apesar de estarem devidamente identificados, achei o "tom" muito semelhante e, para mim, não foi imediato distingui-las uma da outra. A própria narrativa vai oscilando entre passado e presente, tornando a história (para mim) ainda mais confusa.
E devo confessar que cheguei ao final sem ter percebido o objectivo da história.

Vejam a minha opinião mais detalhada em vídeo, AQUI.
Profile Image for Miguel.
166 reviews11 followers
February 14, 2018
"Não sentir. Nada. Ser apenas essa pele e depois arrancar a alma..."
"O que escrevo com a unha é o teu nome."
"Compreendes que já não posso ter alma? Só tu, a ideia de ti , me salva do passo em falso que seria cortar a pele. Desenho o teu nome outra vez."
"...a sua incapacidade de se apaixonar, a necessidade que tem de seduzir para logo abandonar..."
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